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Sam Neill relata ameaças após criticar projeto de mina de ouro na Nova Zelândia

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O ator Sam Neill afirmou ter recebido ameaças de violência e ataques pessoais após se posicionar publicamente contra um projeto de mina de ouro a céu aberto previsto para a região de Central Otago, na Nova Zelândia. Segundo o artista, as reações surgiram depois de ele criticar os planos do governo neozelandês de acelerar a análise do empreendimento Bendigo-Ophir, que pode ser instalado a poucos quilômetros de sua fazenda. De acordo com informações do Guardian Environment, integrantes do grupo comunitário Sustainable Tarras também relataram ameaças, algumas já comunicadas à polícia.

Neill se opõe ao avanço do projeto da mineradora australiana Santana Minerals, que busca agilizar uma mina de ouro de 85 hectares nas montanhas Dunstan, área classificada pelo conselho distrital de Central Otago como uma paisagem natural de destaque. A proposta provocou resistência de moradores e ambientalistas, que veem risco de degradação ambiental e de prejuízos ao turismo e à produção vitivinícola de uma das principais regiões de vinho do país.

O que Sam Neill disse sobre as ameaças?

Em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, Sam Neill disse que não esperava o nível de hostilidade após expor suas críticas ao projeto. Em entrevista ao Guardian, ele relatou ter ficado surpreso com a reação dos defensores da mina.

“When I started to express misgivings about this mine and the potential damage it could do, I was completely blown away by the toxicity of the opposition that I met.”

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Em outra manifestação citada pela reportagem, o ator afirmou que mantém sua posição contrária ao projeto, embora tenha sido alvo de ofensas pessoais. O grupo Sustainable Tarras confirmou que outros membros também receberam ameaças.

Por que a mina Bendigo-Ophir é alvo de controvérsia?

A mina Bendigo-Ophir está entre centenas de pedidos analisados sob a controversa lei de tramitação acelerada do governo de coalizão da Nova Zelândia. A legislação gerou protestos em 2024 e recebeu quase 30 mil manifestações públicas durante sua tramitação, de acordo com a reportagem original.

A Santana Minerals descreve o projeto como a descoberta de ouro mais significativa do país em 40 anos. Já os opositores sustentam que a iniciativa pode abrir caminho para danos ambientais em uma área remota e valorizada pela paisagem natural. Entre os pontos de preocupação está a construção de uma barragem de rejeitos para armazenamento permanente de resíduos tóxicos, incluindo arsênio.

  • Projeto de mina a céu aberto com 85 hectares
  • Localização nas montanhas Dunstan, em Central Otago
  • Previsão de barragem de rejeitos com resíduos tóxicos
  • Resistência de moradores, ambientalistas e produtores locais

Como o debate envolve política e economia na Nova Zelândia?

Neill afirmou ao Guardian que Central Otago vive um momento de prosperidade econômica e que a região não precisaria de uma mina considerada por ele tóxica em área acima de atividades já consolidadas. Ao citar possíveis perdas, ele mencionou empregos ligados à hospitalidade, à viticultura e à fruticultura.

“Central Otago is flourishing economically right now. The last thing we need is a toxic mine upstream. It’s important to remember through all this what will be lost if a mine is allowed, not least being all those jobs, hospitality, viticulture, fruit growing.”

O ministro de Recursos Naturais, Shane Jones, respondeu às críticas defendendo a mineração como instrumento de crescimento econômico, exportação e geração de empregos em regiões que, segundo ele, têm potencial para esse tipo de atividade. Ele também fez ataques verbais a Neill em declarações reproduzidas pela reportagem.

O embate expõe um conflito mais amplo entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental no país. De um lado, o governo e apoiadores do setor mineral argumentam em favor da expansão da atividade. De outro, críticos do projeto alertam para impactos duradouros sobre a paisagem, a economia local e o armazenamento de resíduos perigosos em uma área sensível.

Neill, que mantém há 30 anos um vinhedo de pinot noir na região vinícola mais ao sul da Nova Zelândia, vinculou sua oposição à responsabilidade ambiental. Segundo ele, a discussão sobre a mina também envolve o legado deixado às próximas gerações.

“One of the great responsibilities we have in life is we should leave the planet better than we found it.”

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