A Xiaomi registrou sua primeira queda no lucro trimestral em três anos no fim do ano passado, pressionada pelo aumento de custos e pela intensificação da concorrência, segundo resultados divulgados nesta terça-feira (24). A empresa chinesa, que atua nos mercados de smartphones, veículos elétricos e eletrodomésticos, informou que o lucro líquido ajustado no trimestre encerrado em 31 de dezembro caiu para 6,3 bilhões de iuanes, enquanto a receita somou 116,9 bilhões de iuanes. De acordo com informações do G1 Economia, o resultado foi impactado principalmente pela alta no custo da memória.
No Brasil, onde a Xiaomi disputa espaço no mercado de eletrônicos e smartphones, a pressão sobre componentes como memória ajuda a explicar riscos de reajustes de preços e margens mais apertadas no setor. A empresa mantém presença no país por meio de canais oficiais e varejistas, o que dá relevância local ao desempenho reportado no exterior.
Mesmo com a retração trimestral do lucro, a companhia superou as estimativas médias de analistas tanto em lucro quanto em receita, de acordo com dados da LSEG citados no balanço. Ainda assim, o cenário descrito pela empresa indica pressão operacional em um ambiente de custos mais elevados e competição mais forte.
Por que o lucro trimestral da Xiaomi caiu?
Segundo a empresa, o principal fator foi a elevação dos custos, com destaque para a memória, além do aumento da concorrência. O presidente da Xiaomi, Lu Weibing, afirmou em teleconferência sobre os resultados que reajustes de preços podem se tornar inevitáveis caso a companhia não consiga sustentar por mais tempo essa pressão sobre os custos.
“Algumas empresas podem ter dificuldades extremas para operar em um ciclo tão longo de aumento de custos, enfrentar grandes perdas ou até mesmo ir à falência”
Lu Weibing também declarou que o aumento do custo da memória foi maior do que o inicialmente previsto. No entanto, ele não detalhou como eventuais aumentos de preços poderiam ser aplicados nem em quais linhas de produtos isso poderia ocorrer.
Quais foram os números apresentados pela empresa?
No trimestre encerrado em 31 de dezembro, o lucro líquido ajustado da Xiaomi ficou em 6,3 bilhões de iuanes, o que representa a primeira queda trimestral desde o quarto trimestre de 2022. Apesar disso, o número veio acima da estimativa média de analistas, que projetavam 5,7 bilhões de iuanes, segundo dados da LSEG.
A receita trimestral alcançou 116,9 bilhões de iuanes, também ligeiramente acima da projeção média de 116,2 bilhões de iuanes. A empresa afirmou que esse desempenho ocorreu mesmo com custos de memória muito mais altos e com a concorrência crescente em seus mercados de atuação.
- Lucro líquido ajustado trimestral: 6,3 bilhões de iuanes
- Estimativa média de analistas para o lucro: 5,7 bilhões de iuanes
- Receita trimestral: 116,9 bilhões de iuanes
- Estimativa média de analistas para a receita: 116,2 bilhões de iuanes
Como ficou o desempenho anual da Xiaomi?
No acumulado do ano, a Xiaomi informou que o lucro cresceu 43,8%, para 39,2 bilhões de iuanes. Já a receita anual avançou 25%. Os dados mostram que, apesar da piora no desempenho de um trimestre específico, o resultado do ano completo ainda foi de expansão.
O balanço sugere, portanto, um contraste entre a evolução anual positiva e a pressão mais recente sobre a operação da companhia. Para investidores e mercado, o foco passa a ser a capacidade da empresa de administrar o avanço dos custos e a concorrência sem comprometer margens de forma mais ampla.
