Líderes de sistemas municipais de água e organizações sem fins lucrativos se reuniram em Washington, D.C., durante a Water Week 2026, para pressionar o Congresso dos Estados Unidos por mais recursos para infraestrutura hídrica envelhecida e pela retomada de um programa federal de apoio a famílias de baixa renda no pagamento de contas de água e esgoto. O encontro ocorreu em abril de 2026 e ganhou atenção após a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, a EPA, propor pela primeira vez a inclusão de microplásticos e produtos farmacêuticos em uma lista de contaminantes da água potável, embora participantes tenham relatado preocupação com o peso dado pelo governo a interesses econômicos em detrimento de clima e saúde.
De acordo com informações do Inside Climate News, o evento anual é organizado pela National Association of Clean Water Agencies e reúne profissionais de serviços de água, engenheiros, defensores de políticas públicas e representantes do setor para discutir o futuro da política hídrica nos Estados Unidos.
O que trouxe algum alívio aos participantes em 2026?
Segundo a reportagem, a edição deste ano foi considerada menos desalentadora do que a anterior. Em 2025, a conferência ocorreu um mês depois de o administrador da EPA, Lee Zeldin, cancelar várias subvenções voltadas à melhoria da qualidade do ar e da água e à resiliência a eventos climáticos extremos.
Jessica Dandridge-Smith, diretora executiva da organização Water Collaborative, de Nova Orleans, afirmou que no ano passado o governo Trump mostrou menor disposição para discutir colaboração e investimento em infraestrutura de água. Ao comparar os dois momentos, ela disse que a Water Week 2026 ainda foi triste, mas ofereceu “talvez um indício ou um vislumbre de esperança”.
“The climate movement has fought really hard over the last 50 years to provide people with clean, safe air, water, land,” she said. “The fact that in a few months they were able to completely dismantle everything that people have built … It was very sad.”
Quais anúncios da EPA chamaram atenção no evento?
Em 15 de abril, durante uma mesa-redonda com líderes do setor, a administradora assistente da EPA para a área de água, Jessica Kramer, anunciou esforços para revitalizar a iniciativa Water Workforce, criada em 2020. O programa busca coordenar recursos entre governo e indústria para apoiar carreiras no setor hídrico, conectando trabalhadores a vagas em água potável e esgoto, oferecendo treinamento e ampliando a divulgação sobre esses empregos.
Dandridge-Smith também disse ter se surpreendido ao ouvir que a administração passou a assumir papel mais ativo na contenção de microplásticos. No início de abril, a EPA propôs incluir, pela primeira vez, microplásticos e produtos farmacêuticos em uma lista de contaminantes da água potável. Ainda assim, para ela, a proposta ficou aquém do necessário, porque a agência teria enfatizado a economia antes da qualidade da água durante as reuniões.
“It’s like you can’t do economy and climate, it’s like those two things tend to not coexist,” she said. “The administration is taking everything about the economy, and then our health, our safety, is put on the back burner.”
Como a agenda econômica entrou no centro das discussões?
Em 16 de abril, Lee Zeldin lançou o Water Reuse Action Plan 2.0, com o objetivo de tratar águas residuais para uso em centros de dados e na fabricação de semicondutores, setores classificados como infraestrutura crítica para inteligência artificial. Ao apresentar a iniciativa, Zeldin defendeu que proteção ambiental e crescimento econômico podem avançar juntos.
“The Trump EPA is proving every day that protecting the environment and growing the economy go hand in hand,” he said.
A reportagem observa, porém, que Zeldin não mencionou a pressão exercida pelos centros de dados. Segundo um estudo da Cornell citado no texto original, dependendo da velocidade de expansão da indústria de inteligência artificial, os centros de dados dos Estados Unidos podem consumir por ano tanta água quanto 10 milhões de americanos e emitir tanto dióxido de carbono quanto 10 milhões de carros.
Quais são as prioridades defendidas por líderes do setor de água?
Entre os principais pontos levantados na Water Week 2026, apareceram a modernização da infraestrutura e a defesa do Low Income Household Water Assistance Program, o LIHWAP, programa criado no fim de 2020 para ajudar famílias de baixa renda a pagar contas de água e esgoto. Em 2022, os recursos se esgotaram, e o Congresso ainda não aprovou novo financiamento.
Durante uma reunião promovida por membros da Water Agency Leaders Alliance, o deputado federal Eric Sorensen afirmou que tentará evitar que o LIHWAP seja retirado do Departamento de Saúde e Serviços Humanos e transferido para a EPA. Ele também disse esperar tornar o programa permanente.
“The ask for you all is, in your conversations with other members of the House and the Senate: Please tell them how important it is that we get this across the finish line,” he told the crowd.
- Atualização de sistemas de água e esgoto envelhecidos
- Retomada e permanência do LIHWAP
- Ampliação do apoio federal à infraestrutura hídrica
- Regras mais claras para biossólidos e fertilizantes, segundo a NEWEA
Tony Parrott, diretor executivo do Metropolitan Sewer District de Louisville e do condado de Jefferson, em Kentucky, afirmou que a falta de financiamento contínuo para infraestrutura pode levar a falhas catastróficas, incluindo enchentes e transbordamentos de esgoto. Já Jordan Gosselin, da New England Water Environment Association, declarou que a infraestrutura hídrica regional precisa urgentemente de maior apoio federal e de regulamentação simplificada para biossólidos usados como fertilizante.
Na parte final disponível da reportagem, Dandridge-Smith afirmou que apenas a cidade de Nova Orleans precisa de pelo menos R$ 2 bilhões em investimentos para modernizar sua infraestrutura hídrica, valor citado no texto original em dólares e sem detalhamento adicional no trecho fornecido.