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Vladimir Safatle diz que Brasil vive “fascismos restritos”, não democracia liberal

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O filósofo e professor da Universidade de São Paulo, Vladimir Safatle, afirmou que o Brasil não vive plenamente uma democracia liberal, mas sim “fascismos restritos” que, em momentos de crise, podem se generalizar. A declaração foi dada em entrevista publicada nesta terça-feira, 15 de abril de 2026, em meio ao lançamento do livro A ameaça interna – Psicanálise dos novos fascismos globais, em São Paulo. De acordo com informações do The Intercept BR, o autor relaciona o avanço de movimentos autoritários às crises sociais, econômicas, psíquicas e ecológicas do capitalismo contemporâneo.

Na entrevista, Safatle sustenta que a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 e sua prisão não encerraram o risco autoritário no país. Para ele, o bolsonarismo expressa uma ideia política mais ampla, que permanece ativa no debate público e eleitoral. O professor também avalia que o campo democrático e progressista precisa promover uma inflexão à esquerda para enfrentar esse cenário.

Como Safatle define o fascismo contemporâneo?

Segundo o filósofo, o fascismo atual não precisa reproduzir exatamente as formas históricas associadas a Benito Mussolini ou Adolf Hitler para ser reconhecido. Ele argumenta que os fenômenos políticos se repetem com variações e que nem todos os traços do passado precisam estar presentes ao mesmo tempo.

“O fascismo hoje não poderia ser idêntico ao do passado, porque os fenômenos políticos não se repetem da mesma forma”.

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Na avaliação de Safatle, o elemento estrutural do fascismo está ligado a uma forma específica de violência interna à sociedade. Essa dinâmica, segundo ele, reorganiza a vida social com base em dois afetos políticos centrais: a dessensibilização e a indiferença. O autor afirma ainda que essa lógica aparece como resposta considerada “realista” diante de crises múltiplas que marcam o presente.

Por que ele afirma que o Brasil não vive uma democracia plena?

Safatle diz que o capitalismo nunca foi efetivamente democrático e que a experiência do Estado de Direito varia conforme território, classe e grupo social. Na entrevista, ele afirma que certas áreas e populações vivem sob garantias institucionais, enquanto outras convivem com violência, ausência de proteção estatal e ações repressivas sem responsabilização.

Ao citar operações policiais e desigualdades no acesso a direitos, o filósofo afirma que essas zonas de exceção ajudam a preparar o terreno para a expansão de práticas autoritárias. Em sua análise, o liberalismo não funciona naturalmente com democracia representativa, mas convive historicamente com colonialismo e formas de violência política.

“Não, não se perde uma democracia, porque você não pode perder o que nunca teve”.

Com essa formulação, Safatle sustenta que a sociedade brasileira já opera com recortes autoritários permanentes. Para ele, em situações de crise, esses mecanismos deixam de atingir apenas grupos específicos e passam a se ampliar para o conjunto da população.

Como Bolsonaro e o bolsonarismo aparecem nessa análise?

Na entrevista ao Intercept Brasil, Safatle afirma que o fascismo não terminou com a saída de Jair Bolsonaro do poder. Ele cita o ex-presidente e seu grupo político como expressão de uma tradição autoritária brasileira que, segundo sua leitura, não foi devidamente enfrentada pela universidade e pelo debate público nacional.

O professor menciona ainda a gestão da pandemia no governo Bolsonaro como exemplo de naturalização da crise, do sofrimento e da catástrofe. Para ele, esse padrão de resposta política reforça traços estruturais do fascismo contemporâneo, marcados pela aceitação da violência e pela indiferença diante das consequências sociais.

  • Safatle relaciona o fascismo contemporâneo a crises econômicas, sociais, psíquicas e ecológicas.
  • Ele afirma que o Brasil convive com “fascismos restritos” em vez de uma democracia liberal plena.
  • O filósofo avalia que o bolsonarismo permanece como força política mesmo após 2022.
  • O novo livro será lançado em 15 de abril, às 19h, na Galeria Metrópole, em São Paulo.

O que está no centro do novo livro de Safatle?

O livro A ameaça interna – Psicanálise dos novos fascismos globais, publicado pela editora Ubu, reúne a interpretação de Safatle sobre o ressurgimento de movimentos autoritários em diferentes partes do mundo. De acordo com a reportagem, a obra defende que esse avanço não deve ser tratado como simples irracionalidade, mas como um desdobramento das formas de vida produzidas pelo capitalismo.

O lançamento ocorre nesta quarta-feira, 15 de abril, no espaço da editora Ubu, na Galeria Metrópole, no centro de São Paulo. Safatle participa de uma conversa sobre o livro com o cientista político André Singer e a historiadora Lilia Schwarcz, ambos também professores da USP.

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