A Universidade do Estado do Pará (Uepa) organiza, durante o mês de abril de 2026, uma série de eventos acadêmicos e ações de mobilização social voltados à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). As atividades, que integram a campanha Abril Azul, ocorrem nos campi de Belém, Salvaterra, Marabá e Altamira. O objetivo central é discutir estratégias de inclusão e acolhimento para estudantes autistas no ensino superior, refletindo o novo cenário institucional após a ampliação das políticas de acesso e permanência.
De acordo com informações da Agência Pará, o ingresso de pessoas com deficiência na instituição foi significativamente impulsionado pela implementação da Política de Cotas, iniciada em 2025. Esse marco histórico resultou em um aumento expressivo na matrícula de alunos com autismo, o que demanda da universidade um suporte pedagógico e institucional contínuo para garantir não apenas o acesso, mas a plena integração desses discentes em suas trajetórias acadêmicas.
Como a política de cotas impactou a inclusão na Uepa?
A implementação das cotas permitiu que um número maior de estudantes com o diagnóstico de autismo ocupasse as vagas da universidade pública estadual. Segundo o coordenador do Núcleo de Acessibilidade, Educação e Saúde (NAES) do Campus VIII, Yago Melo, o debate institucional agora deve se concentrar em como oferecer as condições necessárias para o pleno desenvolvimento desses alunos dentro das salas de aula.
“A conquista do acesso foi histórica, mas discutir sobre o acolhimento e apoio é essencial; dialogar sobre questões que implicam no desenvolvimento dos discentes com TEA é o nosso dever para que, juntos, possamos oferecer acessibilidade e condições de permanência”
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A universidade busca, por meio desses eventos, criar um ambiente onde toda a comunidade acadêmica — incluindo professores, técnicos e outros alunos — possa compreender as especificidades do espectro autista. A meta é adaptar as práticas pedagógicas para atender às necessidades individuais, promovendo uma educação que respeite a neurodiversidade e as competências de cada estudante.
Quais são as principais atividades programadas em Salvaterra e Belém?
No município de Salvaterra, o Campus XIX sedia o evento intitulado Autismo: compreender para incluir no dia 22 de abril. A programação tem início às oito horas e 30 minutos no auditório da unidade e é totalmente aberta ao público em geral. O cronograma de atividades para os participantes inclui os seguintes pontos principais:
- Palestras ministradas por especialistas na área de educação inclusiva;
- Rodas de conversa envolvendo professores, técnicos e familiares de autistas;
- Atividades sensoriais planejadas para demonstração prática de vivências;
- Debates sobre a recepção de novos alunos no ambiente universitário.
Já na capital paraense, Belém, o Seminário Inclusão da Pessoa Autista no Ensino Superior ocorre no dia 27 de abril. O encontro será realizado no Auditório Paulo Freire, localizado no Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE), no bairro do Telégrafo. A programação, que se estende das oito às 12 horas, foca em painéis de discussão sobre as estratégias promotoras de inclusão e a valorização das trajetórias dos estudantes que já compõem o quadro da Uepa.
Qual é o papel da universidade na permanência desses estudantes?
O suporte especializado aos alunos é gerenciado pela Diretoria de Inclusão e Permanência Estudantil (Dinpes). Para a diretora Débora Folha, é fundamental que os próprios estudantes autistas e egressos ocupem espaços de fala durante os seminários, compartilhando as vivências e os desafios enfrentados no cotidiano acadêmico para que a instituição aprenda com seus próprios alunos.
“Toda a comunidade acadêmica está convidada a participar e, sobretudo, queremos que os alunos autistas encontrem nesses eventos um espaço de acolhimento e de debate sobre suas próprias necessidades no âmbito institucional”
Além das ações em Belém e Salvaterra, outras cidades paraenses integraram o calendário de conscientização. Em Marabá, o Campus VIII realizou o primeiro encontro voltado à atuação universitária no tema em 16 de abril. Em Altamira, o Campus IX promoveu mesas-redondas focadas na prática pedagógica, consolidando uma rede regional de apoio. Fora das salas de aula, a instituição também participou da Caminhada pela Inclusão em Belém, no dia 12 de abril, reforçando o compromisso com a visibilidade e o respeito aos direitos das pessoas com TEA.