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Tubarões e atuns podem superaquecer com oceanos mais quentes, diz estudo

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Tubarões e atuns de sangue quente relativo podem enfrentar maior risco de superaquecimento à medida que os oceanos aquecem, segundo um estudo divulgado em 18 de abril de 2026 e liderado por pesquisadores do Trinity College Dublin em parceria com a Universidade de Pretória. O trabalho indica que esses peixes consomem muito mais energia do que espécies de sangue frio de tamanho semelhante, o que aumenta a necessidade de alimento e pode reduzir as áreas onde conseguem viver em segurança térmica.

De acordo com informações do ScienceDaily, com base em material fornecido pelo Trinity College Dublin, a pesquisa foi publicada na revista Science e analisou peixes classificados como mesotérmicos, grupo raro que consegue reter calor corporal e manter partes do corpo mais quentes do que a água ao redor.

O que o estudo descobriu sobre o gasto de energia desses peixes?

Os pesquisadores afirmam que peixes mesotérmicos, como alguns tubarões e atuns, usam cerca de 3,8 vezes mais energia do que peixes ectotérmicos, ou de sangue frio, de tamanho semelhante, após considerar tamanho corporal e temperatura. Segundo o estudo, uma elevação de 10°C na temperatura corporal mais que dobra a taxa metabólica rotineira desses animais.

Na prática, isso significa que predadores marinhos com esse tipo de adaptação precisam consumir muito mais alimento para sustentar seu modo de vida. Ao mesmo tempo, o aquecimento dos oceanos pode dificultar a dissipação do calor produzido pelo próprio corpo, criando um cenário de pressão simultânea sobre a fisiologia e sobre a disponibilidade de recursos.

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“The results were really quite striking — after accounting for body size and temperature, we found that mesothermic fishes use about 3.8 times more energy than similarly sized ‘ectothermic’, or ‘cold-blooded’ fishes. In addition, a 10°C increase in body temperature more than doubles a fish’s routine metabolic rate which, in practical terms, means warm-bodied predators must consume far more food to fuel their lifestyle.”

Por que os peixes maiores correm risco térmico ainda maior?

O estudo aponta que o problema não se resume ao maior consumo de energia. Conforme esses animais crescem, seus corpos passam a gerar calor mais rapidamente do que conseguem perdê-lo. De acordo com os autores, essa diferença decorre de limitações físicas e geométricas: corpos maiores retêm calor com mais eficiência, e taxas metabólicas elevadas ampliam esse efeito.

Com isso, peixes grandes tendem a se tornar relativamente mais quentes ao longo do crescimento, aumentando o risco de superaquecimento. Os cientistas usaram dados para definir limites teóricos de equilíbrio térmico, isto é, temperaturas da água acima das quais esses animais deixariam de dissipar calor de forma suficiente para manter a temperatura corporal estável.

“Based on the data we were able to create theoretical ‘heat-balance thresholds’, which are the water temperatures above which large fish cannot shed heat quickly enough to maintain stable body temperatures without changing their behaviour or physiology. For example, a 1-tonne warm-bodied shark may struggle to remain in heat balance in waters above about 17°C,”

Segundo o professor Andrew Jackson, um tubarão de sangue quente de uma tonelada pode ter dificuldade para manter esse equilíbrio em águas acima de cerca de 17°C. Nessas condições, o animal pode precisar desacelerar, alterar o fluxo sanguíneo ou mergulhar em águas mais profundas e frias.

Como os cientistas chegaram a essas conclusões?

Para estimar as taxas metabólicas de peixes nadando livremente na natureza, a equipe desenvolveu um método baseado em dados de biologging, coletados por pequenos sensores que registram temperaturas do corpo e da água. Com isso, foi possível calcular em tempo real quanto calor os animais produzem e perdem.

Os resultados foram combinados com centenas de medições de laboratório feitas em espécies menores, além de dados de grandes tubarões-peregrinos com até 3,5 toneladas. A pesquisa se concentrou em peixes mesotérmicos, que representam menos de 0,1% das espécies de peixes, segundo o texto divulgado.

  • Peixes mesotérmicos retêm parte do calor corporal
  • O grupo inclui alguns tubarões e atuns
  • O gasto energético é cerca de 3,8 vezes maior do que em peixes de sangue frio de tamanho semelhante
  • Peixes maiores têm mais dificuldade para perder calor

Quais podem ser os impactos do aquecimento dos oceanos?

Os autores afirmam que os habitats adequados para grandes peixes mesotérmicos tendem a encolher com a elevação das temperaturas globais, especialmente nos períodos mais quentes do ano. Isso ajuda a explicar por que espécies de grande porte são frequentemente encontradas em águas mais frias, latitudes mais altas ou maiores profundidades.

O estudo também sugere que algumas espécies podem ser forçadas a migrar sazonalmente ou buscar águas mais frias para evitar o superaquecimento. Em certos casos, adaptações como mergulhos mais profundos ou aumento da perda de calor podem oferecer alívio temporário, mas os pesquisadores alertam que isso pode não bastar se o aquecimento da superfície do mar continuar.

Além da pressão térmica, o texto destaca que muitos desses peixes já sofrem com a sobrepesca, tanto deles próprios quanto de suas presas. Nesse contexto, a necessidade elevada de energia pode torná-los ainda mais vulneráveis quando o alimento se torna escasso. Para os autores, compreender essas limitações fisiológicas é importante para projetar como os ecossistemas marinhos podem mudar nas próximas décadas.

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