Donald Trump acusou o Irã nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, de violar repetidamente o cessar-fogo com os Estados Unidos, a um dia do prazo indicado para o fim da trégua, em meio à incerteza sobre a retomada das negociações e ao aumento das tensões no Estreito de Ormuz. Segundo o relato, Teerã não enviou delegação para Islamabad e também acusa Washington de descumprir o acordo após o bloqueio e a apreensão de um navio iraniano. De acordo com informações da Revista Fórum, com conteúdo da AFP, o impasse ocorre enquanto a trégua se aproxima do vencimento e sem avanços nas discussões sobre o programa nuclear iraniano.
Em entrevista à CNBC e em publicação na Truth Social, Trump disse que os Estados Unidos estariam em posição forte para negociar. Ao mesmo tempo, a televisão estatal iraniana informou que nenhuma delegação do país viajou ao Paquistão, onde havia sido realizada a primeira rodada de negociações de alto nível no início do mês. O cenário reforça as dúvidas sobre uma eventual prorrogação do cessar-fogo para além de quarta-feira, no horário citado pelo presidente norte-americano.
O que Trump e o Irã disseram sobre a trégua?
Trump afirmou que o Irã violou o cessar-fogo em “várias ocasiões” e acusou Teerã de atirar contra navios no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio de hidrocarbonetos. Já o governo iraniano sustenta que foram os americanos que quebraram o acordo ao bloquear e apreender uma embarcação iraniana.
“Vamos acabar com um ótimo acordo. Acho que eles não têm escolha… Estamos em uma posição de negociação muito, muito forte”, disse Trump ao canal CNBC.
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Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o país não aceitará negociar sob ameaças e poderá recorrer a “novas cartas no campo de batalha” se a guerra for retomada. A fala expõe a distância entre as partes justamente quando não há sinal claro de entendimento sobre os pontos centrais da negociação.
Por que as negociações seguem travadas?
O texto informa que o primeiro ciclo de diálogo entre os dois países terminou sem avanços nas questões mais sensíveis, especialmente no que se refere ao programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos e Israel afirmam que esse programa motivou o ataque contra o Irã, enquanto Teerã sustenta que tem o direito de enriquecer urânio para fins civis.
Trump também impõe condições rígidas para um eventual pacto, em especial a entrega do urânio enriquecido pelo Irã. O próprio presidente reconheceu, porém, que desmontar as reservas iranianas de urânio altamente enriquecido seria um processo longo e difícil. Ao ser questionado sobre a possibilidade de levar adiante ameaças de bombardear pontes e usinas de energia no Irã, respondeu que não seria sua escolha, mas afirmou que isso também prejudicaria o país.
- O cessar-fogo entre EUA e Irã, segundo Trump, termina na noite de quarta-feira, no horário de Washington.
- A prorrogação da trégua foi classificada por ele como “altamente improvável”.
- As negociações no Paquistão não avançaram sobre o programa nuclear iraniano.
- O Estreito de Ormuz voltou ao centro da crise diplomática e militar.
Como a guerra e a trégua afetam a população?
A interrupção dos combates trouxe algum alívio temporário para moradores de Teerã, mas o texto relata que o temor de uma nova escalada permanece. Um dos entrevistados mencionados, Babak Samiei, disse temer que nenhum acordo seja alcançado e que a guerra provavelmente seja retomada. Outros moradores relataram piora das condições de vida em razão da repressão interna e dos efeitos do conflito.
“Este maldito cessar‑fogo nos destruiu. Não há luz no fim do túnel”, declarou Saghar, de 39 anos.
No Líbano, onde segue em vigor um cessar-fogo de dez dias anunciado na sexta-feira, também há receio sobre o que ocorrerá depois da trégua. O país se tornou outra frente importante da guerra após a entrada do Hezbollah no conflito em apoio a Teerã. Segundo o texto original, ao menos 2.454 pessoas morreram em bombardeios israelenses.
Em Nabatieh, no sul do Líbano, a moradora Zainab Farran relatou ter perdido dois parentes e a própria casa nos bombardeios. Ao retornar quando o cessar-fogo entrou em vigor, encontrou a residência destruída.
“Não resta nada, nem portas, nem móveis”, disse Zainab Farran.
A reportagem também informa que Israel e Líbano, países sem relações diplomáticas, devem realizar uma segunda rodada de negociações em Washington na quinta-feira, segundo uma fonte do Departamento de Estado dos EUA ouvida pela AFP. Enquanto isso, a crise entre Washington e Teerã segue sem solução visível, com a trégua perto do fim e sem sinal de consenso sobre os termos de um acordo duradouro.