A NEXT Mobilidade anunciou a modernização do sistema de gestão de energia do Corredor Metropolitano ABD, que conecta as zonas Sul e Leste de São Paulo aos municípios do ABC. A iniciativa visa garantir a operação contínua dos trólebus, mesmo em casos de quedas pontuais de energia da rede da ENEL. De acordo com informações do Diário do Transporte, a modernização ocorrerá com a inauguração do BRT-ABC, que deverá ser entregue até outubro de 2026, segundo o Governador Tarcísio de Freitas.
A nova central de gestão de energia será equipada com câmeras inteligentes e sensores online, integrando o novo corredor ao sistema ABD existente. A empresa também apresentou o atual Centro de Gestão, responsável por manter os trólebus em operação durante falhas localizadas no fornecimento de energia. Em casos de apagões extensos ou danos físicos à rede, ainda podem ocorrer impactos, mas a nova central minimiza os riscos de interrupção do serviço.
A central está em operação desde 2022, sob o novo contrato da NEXT Mobilidade, que surgiu de um modelo de prorrogação de contratos em troca de investimentos. Para garantir o funcionamento dos ônibus elétricos no Corredor ABD, são utilizados cerca de 180 quilômetros de rede bifilar de 600 volts e 40 subestações ao longo do percurso entre São Mateus e Jabaquara.
Como a nova central de gestão de energia garante a operação dos trólebus?
Segundo Luciano Noberto de Matos, coordenador de operações da NEXT Mobilidade, em caso de falta de energia em um ponto, a subestação adjacente supre a demanda, equalizando a energia e evitando a paralisação do sistema. Ele citou um exemplo recente em que 15 das 40 subestações foram afetadas por desabastecimento da Enel, mas o sistema continuou operando.
“Se não houver interrupção da energia por curto circuito contínuo, na maioria das vezes, fica imperceptível para o cliente [passageiro] perceber”
Qual era a situação antes da modernização do sistema?
Até 2011, quando o contrato ainda era da Metra, o processo de restabelecimento de energia era mais complexo. Era necessário que a concessionária de energia se deslocasse até a sede da empresa em São Bernardo do Campo. Durante esse período, cerca de 40% da frota de trólebus ficava impossibilitada de operar, causando transtornos aos passageiros.
Em 2011, a antiga operação do Corredor assumiu a manutenção elétrica e formou uma equipe especializada para atender às demandas do sistema. Essa equipe é treinada internamente, e o modelo foi posteriormente adotado em São Paulo.
“Todos são treinados aqui. Não existe um local onde possamos buscar esse profissional já pronto, que conheça esse tipo de rede. Depois, ocorreu mudança semelhante em São Paulo, e eles vieram até nós para conhecer o modelo e, posteriormente, estruturar a própria equipe”
Como funciona a operação do Centro de Gestão atualmente?
Atualmente, seis monitores atuam na central em turnos de revezamento 24 horas por dia, desde meados de 2022. Um total de 40 trabalhadores atuam nas manutenções preventivas e corretivas do sistema, incluindo a rede aérea de tração e as subestações. Desde 2025, os geradores foram integrados ao sistema, permitindo o monitoramento online e remoto de informações como o nível de combustível.
Qual o impacto do novo BRT-ABC?
O atual Corredor ABD possui 45 km de extensão, conectando São Mateus ao Jabaquara, passando por diversas cidades do ABC. O novo BRT-ABC, com 17,5 km, ligará São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a capital paulista. O sistema, que deveria ter começado a operar em 2023, está atrasado devido a demoras no licenciamento ambiental.
Dos 92 ônibus superarticulados previstos para o BRT-ABC, 20 serão totalmente elétricos e 72 serão E-Trol, que funcionam tanto a baterias quanto conectados à fiação aérea. No trajeto de São Bernardo do Campo para São Paulo, os veículos utilizarão a rede aérea, enquanto no sentido inverso operarão com baterias.
