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Tribos Wabanaki tentam salvar freixos no Maine de besouro invasor

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Membros de comunidades indígenas no Maine inspecionam a copa de árvores de freixo em uma floresta densa.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Em março de 2026, no estado do Maine, nos Estados Unidos, uma coalizão formada por membros das tribos Wabanaki, cientistas e autoridades governamentais trabalha para proteger as árvores de freixo contra a ameaça de extinção. A mobilização ocorre porque o besouro-esmeralda-do-freixo, uma espécie invasora letal, avança pela região e ameaça destruir a matéria-prima essencial para a tradicional arte da cestaria indígena.

De acordo com informações do Inside Climate News, a praga, nativa do nordeste da Ásia, já se espalhou por 37 estados norte-americanos e seis províncias canadenses ao longo das últimas décadas. A destruição causada pelo inseto atinge quase a totalidade dos exemplares nativos que infesta, gerando um estado de alerta entre artesãos locais e especialistas florestais. O avanço de espécies invasoras é um problema de alcance internacional e também afeta o Brasil, com impactos ambientais, econômicos e culturais em diferentes biomas.

Qual é a importância cultural das árvores para as comunidades locais?

O mestre cesteiro Richard Silliboy, de 79 anos e membro da tribo Mi’kmaq, relata que a prática representa a arte mais antiga do Nordeste dos Estados Unidos. Em sua oficina na cidade de Littleton, ele transforma toras de freixo-marrom em finas tiras utilizadas para a confecção de cestos, uma atividade que descreve como pacífica e espiritual.

Existem cinco tribos que compõem a confederação Wabanaki: Abenaki, Maliseet, Mi’kmaq, Passamaquoddy e Penobscot. Em seus idiomas tradicionais, o freixo-marrom é conhecido literalmente como a árvore dos cestos. O material é valorizado pela forma como seus anéis de crescimento se desenvolvem sem fibras de conexão, permitindo que a madeira seja dividida e moldada com facilidade após ser golpeada com um machado.

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Seria tão forte quanto um pedaço de nylon, e é muito flexível

Além do freixo, outros materiais como cedro e bétula também são usados na cestaria, mas os artesãos afirmam que não há comparação na qualidade do resultado final. A técnica remonta a séculos e, após a colonização, tornou-se uma fonte essencial de renda para famílias indígenas da região, especialmente durante as colheitas em fazendas de batata no início e em meados do século 20. Para o leitor brasileiro, o caso também chama atenção por envolver a preservação simultânea de floresta nativa e de um saber tradicional associado a povos originários.

Como a praga do besouro-esmeralda afeta as florestas do estado?

O inseto perfurador foi identificado nos Estados Unidos pela primeira vez em 2002 e cruzou as fronteiras do Maine em 2018, entrando inicialmente pelo norte, a partir de New Brunswick, no Canadá. Antes de sua chegada, o estado conseguiu manter a praga afastada por meio de quarentenas rigorosas sobre o transporte de lenha de outros locais e de campanhas de educação pública.

A entomologista do Serviço Florestal do Maine, Allison Kanoti, explica que quase todas as árvores morrem dentro de um período de cinco a dez anos após a infestação inicial. Segundo a especialista, as três espécies de freixo presentes no estado são suscetíveis aos ataques, embora o freixo-marrom apresente uma vulnerabilidade ligeiramente maior.

É um inseto de dano bastante uniforme

O que está sendo feito para garantir o futuro da cestaria tradicional?

Para combater a crise iminente, pesquisadores e membros das comunidades indígenas formaram a Colaboração para Proteção do Freixo em Waponahkik. O líder do projeto e membro da nação Penobscot, John Daigle, coordena esforços para monitorar e preservar as espécies sobreviventes, que representam uma pequena, mas vital, parcela das árvores do estado.

O esforço de conservação e revitalização abrange diferentes frentes cruciais para a continuidade da prática artesanal e a sobrevivência florestal:

  • Monitoramento contínuo das áreas florestais ainda não atingidas pelo inseto asiático.
  • Treinamento prático para que novos artesãos saibam encontrar, colher e preparar os próprios materiais.
  • Cooperação técnica constante entre especialistas acadêmicos e detentores do conhecimento ancestral das tribos.

Tyler Everett, um estudante de doutorado de 30 anos que atua no projeto, destaca que as batidas rítmicas nas toras de freixo ainda são uma marca registrada nas terras tribais. A confecção das peças guarda profundas memórias de gerações passadas que sobreviveram comercializando o artesanato de porta em porta.

O interesse pela cestaria passa por um momento de renascimento impulsionado por mestres comunitários. Dois dos cinco filhos de Silliboy, além de vários netos, já aprenderam as técnicas da arte centenária, na esperança de que o conhecimento tribal perdure e que a matéria-prima resista à ameaça biológica.

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