O Departamento do Interior dos Estados Unidos anunciou em 24 de março de 2026 um acordo com a TotalEnergies para encerrar o desenvolvimento de novos projetos de energia eólica offshore no país. Pelo acerto, a empresa francesa receberá de volta quase US$ 1 bilhão em taxas de arrendamento e informou que redirecionará esses recursos para projetos de gás e energia nos EUA. A medida foi divulgada em meio à ofensiva do governo Donald Trump contra empreendimentos eólicos no território americano, segundo informações do ESG Today. Para o leitor brasileiro, a decisão chama atenção porque grandes petroleiras e grupos internacionais também disputam espaço em frentes de transição energética no Brasil, incluindo projetos de geração renovável e debates sobre eólicas offshore.
Segundo o anúncio, a companhia concordou em desistir de dois arrendamentos obtidos nos Estados Unidos e deixará de desenvolver projetos eólicos offshore no país. Em contrapartida, os valores pagos pelas concessões serão reembolsados. A reportagem afirma que os recursos serão reinvestidos pela empresa na construção de uma planta de gás natural liquefeito no Texas, além do desenvolvimento de petróleo convencional no Golfo da América e da produção de gás de xisto.
O que prevê o acordo entre governo dos EUA e TotalEnergies?
O entendimento anunciado pelo Departamento do Interior estabelece a devolução de quase US$ 1 bilhão em taxas de arrendamento à TotalEnergies. Em troca, a empresa renunciará aos dois contratos de áreas para eólicas offshore e interromperá sua atuação nesse segmento nos Estados Unidos.
A TotalEnergies entrou no mercado americano de eólicas offshore em 2022, ao adquirir áreas em Carolina Long Bay e New York Bight. Os projetos estavam previstos para entrar em operação em 2031 e 2029, respectivamente, com capacidade combinada de 4 GW. O movimento é acompanhado com atenção no setor de energia porque sinaliza uma realocação de capital de uma fonte renovável para projetos de combustíveis fósseis, tema que também aparece no debate energético global e no mercado brasileiro.
- Reembolso de quase US$ 1 bilhão em taxas de arrendamento
- Devolução de dois arrendamentos de eólica offshore
- Saída da TotalEnergies desse segmento nos Estados Unidos
- Redirecionamento dos recursos para gás e energia no país
Como essa decisão se insere na política energética do governo Trump?
De acordo com a publicação, o acordo representa uma nova frente do governo Trump para atingir projetos eólicos offshore ainda em estágio inicial. A iniciativa se soma a outras medidas citadas no texto, como um memorando presidencial assinado no primeiro dia de mandato para interromper por tempo indeterminado aprovações federais de projetos de energia eólica.
A reportagem também menciona uma decisão posterior de suspender arrendamentos de grandes projetos eólicos offshore em construção nos Estados Unidos sob justificativa de segurança nacional. Essa ação, segundo o texto, afetava cinco projetos na costa leste americana, com capacidade próxima de 6 GW e previsão de operação comercial nos dois anos seguintes.
Quais obstáculos o governo enfrentou contra os projetos eólicos?
O texto informa que parte das tentativas do governo não teve êxito completo. Uma corte federal derrubou a paralisação inicial das aprovações para energia eólica, enquanto os projetos atingidos pela suspensão dos arrendamentos obtiveram decisões liminares preliminares para manter os trabalhos em andamento.
Ainda assim, segundo a reportagem, as ações do governo aumentaram a dificuldade para decisões de investimento no setor. O ambiente regulatório mais incerto teria elevado os riscos para desenvolvedores de energia eólica no país.
“Este acordo é mais uma vitória do compromisso do presidente Trump com energia acessível e confiável para todos os americanos. A eólica offshore é um dos esquemas mais caros, pouco confiáveis, ambientalmente disruptivos e dependentes de subsídios já impostos a consumidores e contribuintes americanos.”
O que a TotalEnergies disse sobre a saída do setor nos EUA?
De acordo com o texto, a empresa afirmou que estudos sobre os arrendamentos indicaram que projetos eólicos offshore nos Estados Unidos poderiam ter impacto negativo sobre a acessibilidade de preços para consumidores, em contraste com o cenário europeu. Com isso, decidiu abandonar esse tipo de desenvolvimento no mercado americano.
“A TotalEnergies tem satisfação em assinar estes acordos com o Departamento do Interior e apoiar a política energética do governo. Considerando que o desenvolvimento de projetos eólicos offshore não é do interesse do país, decidimos renunciar ao desenvolvimento de eólica offshore nos Estados Unidos, em troca do reembolso das taxas de arrendamento.”
A declaração foi atribuída a Patrick Pouyanné, presidente do conselho e CEO da TotalEnergies. Já o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, apresentou o acordo como uma vitória da política energética do governo. O anúncio reforça a mudança de prioridade da administração americana, com menor espaço para a expansão da geração eólica offshore e maior foco em projetos ligados a gás e petróleo. No Brasil, onde a matriz elétrica é majoritariamente renovável e há discussões sobre o avanço de projetos offshore e de gás natural, decisões desse tipo em grandes mercados podem influenciar a percepção de risco e a estratégia de grupos internacionais do setor.