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Tartaruga-de-couro recebe 1ª marcação por satélite no Equador para mapear riscos

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Uma tartaruga-de-couro ameaçada de extinção recebeu em 20 de março de 2026 a primeira marcação por satélite já realizada na espécie no Equador, em uma ação conduzida por cientistas do The Leatherback Project e da Fundación Reina Laúd na costa do Pacífico do país. O objetivo é acompanhar os deslocamentos do animal para entender como ele usa as águas costeiras e oceânicas, além de identificar áreas em que seu habitat se sobrepõe a zonas de pesca de maior risco. De acordo com informações do Inside Climate News, a iniciativa busca preencher lacunas sobre a proteção dessa população no Pacífico Leste. O tema também interessa ao Brasil, onde a tartaruga-de-couro ocorre no litoral e registra áreas de desova, inclusive no Espírito Santo.

A marcação foi feita após a tartaruga, com cerca de 1,37 metro de comprimento, cobrir com areia um ninho recém-escavado durante a madrugada em um trecho remoto da costa equatoriana. A bióloga marinha Callie Veelenturf, cofundadora do The Leatherback Project, afirmou que se trata da primeira tartaruga-de-couro marcada por satélite em todo o Equador. Ela liderou o trabalho ao lado de Kerly Briones Cedeño, presidente e diretora-geral da Fundación Reina Laúd, grupo de conservação do país que monitora habitats de desova de tartarugas marinhas.

Por que a marcação por satélite é considerada importante?

O marco representa um novo passo para compreender uma das espécies marinhas mais ameaçadas do mundo e os riscos que enfrenta. Segundo a reportagem, a população de tartarugas-de-couro do Pacífico Leste, um grupo distinto da maior tartaruga marinha do planeta, caiu mais de 90% desde a década de 1980.

“É provável que restem menos de 1.000 indivíduos”, disse Veelenturf.

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O rastreamento por satélite já vem sendo usado há anos para estudar a espécie, permitindo observar onde esses animais se alimentam, acasalam e desovam. No entanto, a maior parte desse trabalho se concentrou no México e na Costa Rica, historicamente as principais áreas de nidificação. Isso deixou lacunas relevantes sobre o uso de águas mais ao sul, especialmente no Equador.

“Sabemos muito pouco sobre como elas usam as águas costeiras no Pacífico Leste e, especificamente, no Equador”, disse Veelenturf.

Quais ameaças às tartarugas-de-couro os cientistas querem mapear?

O que já se sabe, segundo Veelenturf, é que essas tartarugas ameaçadas enfrentam uma sequência de riscos na costa do Pacífico, principalmente associados à atividade pesqueira. O Equador abriga uma das maiores frotas artesanais de pesca do Pacífico tropical leste, com dezenas de milhares de embarcações de pequena escala, geralmente de fibra de vidro ou madeira e operadas por pescadores individuais.

As redes de emalhe de malha larga, amplamente utilizadas por essas frotas, são apontadas como o principal risco para as tartarugas marinhas, que podem ficar presas no equipamento e morrer afogadas. Tubarões, raias, baleias, golfinhos e aves marinhas também estão entre os animais expostos a esse tipo de captura acidental. No Brasil, a captura incidental na pesca também é um dos desafios para a conservação de tartarugas marinhas, o que dá relevância regional aos dados coletados no Pacífico leste.

  • Sobreposição entre habitat da tartaruga e áreas de pesca
  • Captura acidental em redes de emalhe
  • Profundidade dos mergulhos e interação com equipamentos pesqueiros
  • Rotas migratórias e uso de águas costeiras e oceânicas

Um estudo de 2020 publicado na revista Scientific Reports pela Eastern Pacific Leatherback Conservation Network, também chamada de Red Laúd OPO, concluiu que as tartarugas-de-couro do Pacífico Leste podem desaparecer até 2060 sem esforços coordenados para reduzir a captura incidental em artes de pesca.

Como os dados do rastreamento podem ajudar na conservação?

Em janeiro, Briones Cedeño viu os efeitos desse problema de perto. Enquanto monitorava uma praia de desova conhecida da espécie, encontrou uma fêmea morta que reconheceu como um indivíduo que havia feito vários ninhos naquela temporada. Segundo ela, o animal apresentava sinais de asfixia por afogamento, possivelmente após ficar preso em equipamento de pesca.

“Estávamos esperando o quinto ninho dela”, disse.

“Presumimos que ela morreu por causa da captura acidental na pesca. Talvez, se a tivéssemos marcado, soubéssemos que ela estava passando por perto, ou talvez pudéssemos tê-la resgatado”, disse.

Para Veelenturf, evitar mortes desse tipo depende de um quadro mais claro sobre como as tartarugas se deslocam pelas águas do Equador e pelo restante do Pacífico tropical leste. O transmissor instalado envia a localização do animal cada vez que ele sobe à superfície para respirar e também registra dados detalhados de mergulho, o que pode mostrar não apenas por onde a tartaruga passa, mas também a que profundidade nada.

“Entender a sobreposição entre as atividades de pesca artesanal, semi-industrial e industrial com o uso do habitat da tartaruga-de-couro é muito importante”, disse. “Se não entendermos para onde elas vão e como é seu comportamento de mergulho, por exemplo, não temos como saber qual é a melhor forma de protegê-las.”

Como as tartarugas-de-couro podem mergulhar a grandes profundidades, a proteção da espécie depende tanto da identificação das áreas ocupadas quanto da compreensão de como seu comportamento interage com artes de pesca posicionadas em diferentes níveis da coluna d’água. A expectativa da equipe é que os dados obtidos no Equador ajudem a localizar pontos de maior risco e subsidiem ações de conservação mais direcionadas.

Antes da iniciativa no Equador, Veelenturf já havia liderado, ao longo de sete anos, um programa de marcação de tartarugas-de-couro nas costas atlânticas do Panamá e da Colômbia. Nesse período, a equipe instalou transmissores via satélite em 24 fêmeas em desova.

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