A sustentabilidade passou a influenciar diretamente o custo de capital, o acesso a mercados e a competitividade das empresas, segundo a diretora de Sustentabilidade e Parcerias da FIA Business School, Monica Kruglianskas. Em entrevista publicada na sexta-feira, 17 de abril de 2026, a especialista afirmou que pressões sobre crédito, exigências regulatórias e mudanças nas cadeias globais transformaram o tema em uma questão econômica. De acordo com informações do Poder360, esse movimento deve orientar os debates da terceira edição do Horizons – Inovabilidade em Ação, marcada para os dias seis e sete de maio, em São Paulo.
Segundo Kruglianskas, o debate deixou de se concentrar apenas em reputação corporativa e passou a afetar decisões práticas de investimento e operação. Na avaliação dela, empresas mais expostas a riscos climáticos ou com cadeias produtivas pouco rastreáveis já enfrentam condições de crédito mais restritivas e maior cobrança por parte de investidores.
Por que a sustentabilidade passou a ser uma questão econômica?
A entrevistada afirmou que a mudança ganhou força nos últimos anos, quando energia, cadeias produtivas e uso de recursos passaram a impactar diretamente os negócios. Nesse contexto, compreender desafios climáticos, energéticos e sociais se tornou, segundo ela, uma condição para a perenidade das empresas.
“Quando passou a afetar custo, risco e acesso a mercado.”
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Ela disse ainda que a pressão já é concreta em diferentes setores. O acesso a mercados internacionais, de acordo com a especialista, depende cada vez mais de comprovação de origem, rastreabilidade e conformidade regulatória. Esse cenário, segundo a entrevista, tem levado companhias a reorganizar cadeias produtivas para manter contratos, financiamento e presença comercial.
Como crédito e mercado internacional entram nessa equação?
Na análise de Monica Kruglianskas, o custo de capital e o acesso a mercados já funcionam como mecanismos de pressão sobre as empresas. Ela afirmou que investidores passaram a cobrar mais de organizações com maior exposição a riscos climáticos, enquanto o custo e a segurança energética se tornaram variáveis centrais para praticamente todos os setores.
Entre os fatores citados na entrevista, aparecem:
- crédito mais restritivo para empresas mais expostas a riscos climáticos;
- maior cobrança de investidores sobre rastreabilidade e governança;
- exigências de origem e conformidade regulatória para acesso a mercados;
- reorganização de cadeias produtivas para preservar competitividade.
“Quem se posiciona antes captura valor; quem reage depois tende a operar em desvantagem”.
Segundo ela, em setores integrados a cadeias globais, a perda de competitividade já começou. O impacto, afirmou, aparece em contratos, financiamento e acesso a mercado, especialmente entre empresas exportadoras ou dependentes de operações internacionais.
O Brasil está em vantagem ou corre risco de ficar para trás?
Kruglianskas avaliou que o Brasil reúne ativos relevantes, como matriz energética relativamente mais limpa, potencial em bioenergia e uma base produtiva importante. Ainda assim, afirmou que o risco está na dificuldade de converter essas vantagens em escala, produtividade, inovação e capacidade de execução.
Na visão da diretora da FIA Business School, o principal gargalo hoje não é exatamente a ausência de iniciativas, mas a falta de coordenação. Ela disse que há avanços empresariais, porém ainda de forma pouco integrada, com desalinhamento entre política pública, financiamento, execução e os próprios agentes privados.
O que o evento Horizons deve discutir?
De acordo com a entrevista, a terceira edição do Horizons – Inovabilidade em Ação deve refletir a passagem da agenda ambiental do campo conceitual para a implementação. A expectativa apresentada por Kruglianskas é que o debate destaque a necessidade de integrar tecnologia, financiamento, governança e operação, em vez de tratar o tema como um conjunto de iniciativas isoladas.
O serviço informado pelo Poder360 aponta que o evento será realizado em São Paulo nos dias seis e sete de maio de 2026. A programação reunirá empresas, investidores, representantes do setor público e startups para discutir temas como energia, finanças, infraestrutura, tecnologia e bioeconomia. A participação será gratuita, com inscrições pelo site do evento.
Ao longo da entrevista, a especialista afirmou que a mudança de patamar da sustentabilidade se tornou mais evidente quando esses temas passaram a entrar nas decisões estratégicas das companhias. Segundo ela, houve menos foco em compromisso e mais atenção à viabilidade econômica e à execução, com influência direta sobre investimento, risco e operação.