O Snapdragon 8 Elite Gen 6, próximo chip de alto desempenho da Qualcomm, pode voltar a ser fabricado pela Samsung Electronics a partir do processo de dois nanômetros. A possibilidade entrou em discussão após a visita do CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, à Coreia do Sul em 21 de abril de 2026, onde ele se reuniu com executivos da Samsung, da SK Hynix e da LG Electronics. O movimento ocorre em meio à busca da empresa por alternativas de fabricação para seus chips topo de linha e pela tentativa da Samsung de recuperar espaço no mercado de fundição avançada.
De acordo com informações do Mundo Conectado, citando Korea Herald e Korea Times, Amon se reuniu diretamente com Han Jin-man, presidente da divisão de foundry da Samsung Electronics. O foco da conversa foi a possível produção do Snapdragon 8 Elite Gen 6 no processo de dois nanômetros da empresa sul-coreana, o que marcaria o retorno da Qualcomm à Samsung como fabricante de seus chips premium pela primeira vez desde 2022.
Por que a Qualcomm pode voltar a fabricar chips com a Samsung?
A negociação acontece depois de um rompimento ocorrido em 2022, quando a Qualcomm deixou de usar a Samsung Foundry após problemas associados ao Snapdragon 8 Gen 1. Segundo o texto original, o chip, produzido no processo de quatro nanômetros da Samsung, ficou marcado por superaquecimento e por taxas de rendimento abaixo do esperado, o que comprometeu custo e estabilidade de produção.
Desde então, a Qualcomm concentrou a fabricação de suas gerações seguintes na TSMC, responsável pelos Snapdragon 8 Gen 2, Gen 3 e pelos sucessores da linha Elite. Ao mesmo tempo, a Samsung passou a trabalhar para recuperar a confiança do mercado em sua operação de fundição, incluindo o uso do processo de dois nanômetros no Exynos 2600, adotado em versões do Galaxy S26 em mercados como Europa e Coreia do Sul.
O que pesa na disputa entre Samsung e TSMC?
Além do aspecto técnico, o custo de produção aparece como um dos fatores centrais nessa disputa. O artigo informa que os wafers de dois nanômetros da TSMC são cotados em torno de US$ 30 mil por unidade, enquanto a Samsung praticaria valores próximos de US$ 20 mil por wafer no processo SF2. Essa diferença pode influenciar a estratégia da Qualcomm, sobretudo em um cenário de diversificação da cadeia de fornecimento.
Analistas mencionados no texto apontam que uma estratégia de dual-sourcing, com produção dividida entre TSMC e Samsung conforme a demanda, é vista como possibilidade realista. Nesse modelo, a Qualcomm reduziria a dependência de um único fornecedor e buscaria maior flexibilidade de custos e capacidade produtiva.
- Qualcomm discute produção em dois nanômetros com a Samsung
- TSMC segue como atual fabricante dos chips premium da empresa
- Diferença de preço entre wafers é um fator relevante
- Diversificação de fornecedores é tratada como vantagem estratégica
Quais obstáculos ainda podem dificultar o acordo?
O principal desafio citado no texto é o yield, índice que mede o aproveitamento da produção. Segundo a publicação, o processo SF2 da Samsung ainda estaria na faixa de 55% em meados de abril de 2026, abaixo do patamar de cerca de 60% considerado necessário para produção estável em larga escala. Na comparação apresentada, a TSMC operaria com yields entre 60% e 70% no mesmo nó.
O conteúdo também afirma que, após as etapas de back-end, o yield efetivo da Samsung pode cair para cerca de 40%, o que afeta diretamente o custo por chip entregue. Por outro lado, a versão aprimorada do processo, chamada SF2P, é apresentada como uma possível evolução, com ganhos de velocidade de clock, eficiência energética e redução de área, e expectativa de produção em volume na segunda metade de 2026.
Quais produtos podem ser impactados por essa decisão?
Se o acordo avançar, o Snapdragon 8 Elite Gen 6 deve abastecer a próxima geração de smartphones Android premium em 2027. O texto cita entre os aparelhos potencialmente afetados modelos como Xiaomi 18, OnePlus 16 e Samsung Galaxy S27. A definição sobre a fundição responsável pelo chip, no entanto, ainda não foi anunciada oficialmente pela Qualcomm.
Durante a mesma visita à Coreia do Sul, Cristiano Amon também se reuniu com a SK Hynix para tratar de fornecimento de memória e com a LG Electronics para discutir cooperação em áreas como inteligência artificial física, produtos de áudio, eletrônica automotiva e possíveis projetos ligados a smart glasses. Até o momento, porém, o ponto mais relevante da viagem segue sendo a disputa pela fabricação do chip que deve equipar parte dos principais celulares Android de 2027.