Um relatório do The Midas Project aponta que o site de notícias The Wire by Acutus depende quase inteiramente de conteúdo gerado por inteligência artificial. A publicação está ativa desde o final de 2025, com cerca de 100 artigos nas áreas de tecnologia, energia, mídia, ciência, negócios e saúde, de acordo com informações da Mashable.
Embora a página ‘Sobre’ do site descreva seu trabalho como “jornalismo colaborativo” liderado por uma “equipe editorial”, não há nomes de editores ou jornalistas nos créditos. A explicação oficial é que contribuições de pessoas com experiência de primeira mão são compiladas em histórias que buscam profundidade e clareza.
Como o conteúdo do site foi avaliado?
O jornalista Tyler Johnston utilizou o Pangram, uma ferramenta de detecção de IA com 99,98% de precisão, para analisar o conteúdo do site. Ele encontrou que 69% dos 94 artigos foram identificados como totalmente gerados por IA, enquanto 28% eram parcialmente. Somente três artigos foram classificados como escritos por humanos.
Johnston também notou que o site tende a apoiar o desenvolvimento de inteligência artificial e desconsiderar seus críticos. Exemplos incluem artigos alertando sobre “Radicalismo Anti-IA” e discutindo regulações tecnológicas por estados americanos.
Quem está por trás do site e qual o papel da IA?
O site, quase sem presença nas redes sociais, teve metade de suas interações no X feitas por Patrick Hynes, presidente da Novus Public Affairs, uma empresa ligada ao lobby de OpenAI em Washington. Segundo a Mashable, a Novus trabalha em prol da Targeted Victory, central no esforço regulatório da OpenAI.
As implicações de tais práticas são vastas, uma vez que ameaçam nossa percepção da realidade com cenários fabricados, como trailers de filmes que nunca existiram ou imitações de vozes de políticos.
“Com potência computacional suficiente, é possível criar situações absurdas e enganosas”, alertou Johnston.
Se as descobertas de Johnston estiverem corretas, isso pode indicar uma tentativa de caracterizar falsamente o trabalho como “jornalismo independente” para promover interesses próprios, contrariamente às políticas de uso da OpenAI.