Alex Bores, deputado estadual de Nova York e ex-funcionário da Palantir, tornou-se alvo de uma campanha financiada por nomes influentes do Vale do Silício enquanto disputa uma vaga no Congresso dos Estados Unidos. Segundo o relato publicado em 14 de abril de 2026, a ofensiva ocorre durante a corrida nas primárias do 12º distrito de Nova York, em meio à reação de líderes do setor de tecnologia à atuação de Bores em favor de regras mais duras para inteligência artificial.
De acordo com informações da Wired, Bores, de 35 anos, ajudou a aprovar em 2025 a lei RAISE, descrita pela reportagem como uma das legislações mais rígidas do país sobre IA. A norma exige que grandes empresas do setor implementem e publiquem protocolos de segurança para seus modelos, entre outras salvaguardas.
Quem é Alex Bores e por que ele virou alvo?
Bores é um democrata que trabalhou na Palantir antes de migrar para a política e vencer uma eleição para a Assembleia de Nova York em 2022. Embora tenha formação e experiência em tecnologia, ele se tornou um defensor vocal da regulação da inteligência artificial, posição que o colocou em rota de colisão com parte da indústria.
Segundo a Wired, no fim de 2025 um super PAC chamado Leading the Future iniciou uma campanha agressiva para tentar impedir o avanço de sua candidatura nas primárias. O grupo é financiado, de acordo com a reportagem, por nomes como Greg Brockman, da OpenAI, Joe Lonsdale, cofundador da Palantir, e a firma de capital de risco Andreessen Horowitz.
A reportagem informa que a principal objeção do grupo é a visão regulatória de Bores para a IA. Em declaração anterior à Wired, o super PAC afirmou que a abordagem defendida por ele representaria uma legislação “ideológica e politicamente motivada” que poderia limitar a capacidade de Nova York e dos Estados Unidos de liderar em empregos e inovação no setor.
O que Bores disse sobre a Palantir e sua saída da empresa?
Na entrevista, Bores explicou como descreve o trabalho da Palantir. Segundo ele, a empresa ajuda organizações a usar dados aos quais já têm acesso, facilitando o acompanhamento de mudanças ao longo do tempo, a integração dessas informações e a organização dos dados por meio de uma estrutura lógica.
Como exemplo, ele citou um projeto com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o papel de grandes bancos na Grande Recessão. De acordo com Bores, o sistema desenvolvido permitiu rastrear empréstimos individualmente e identificar padrões que, segundo ele, contribuíram para recuperar US$ 20 bilhões para os contribuintes por meio de acordos com bancos.
“We need to find a way to have tech work for us and not the other way around.”
Bores também relatou que sua motivação para trabalhar com tecnologia estava ligada à ideia de fazer o governo funcionar melhor para a população. Ele disse ter crescido em piquetes com o pai e estudado sindicatos na graduação, além de ter liderado uma campanha contra a Nike por demitir 1.800 trabalhadores sem pagar a indenização prevista em lei, iniciativa que, segundo ele, terminou com vitória.
Por que o contrato com o ICE levou à decisão de sair?
Ao comentar sua saída da Palantir, Bores afirmou que decidiu deixar a empresa quando executivos sinalizaram que renovariam um contrato com o ICE sem barreiras contratuais que impedissem o uso do software em deportações durante o primeiro governo Trump. Ele disse que não participou desse contrato específico, mas relatou que havia conseguido impor limitações semelhantes em um projeto no Departamento de Justiça.
Segundo Bores, a atuação inicial da empresa com uma divisão do ICE durante o governo Obama era focada em temas como tráfico de drogas, tráfico humano e falsificação. Com a chegada de Trump à Presidência em 2017, ele afirmou que houve pressão para ampliar a natureza desse trabalho, inclusive em temas de imigração civil e deportações.
Na versão apresentada por Bores, a recusa da empresa em incluir salvaguardas contratuais claras contra esse uso foi o ponto decisivo para planejar sua saída. A reportagem da Wired registra essas declarações no contexto de uma entrevista editada para concisão e clareza.
O que está em jogo na disputa eleitoral?
A disputa ocorre em uma primária democrata descrita como concorrida, que também inclui Jack Schlossberg, George Conway e Micah Lasher. A Wired observa que o 12º distrito de Nova York vota consistentemente nos democratas, o que amplia o peso político da primária.
Com isso, a campanha contra Bores ganha relevância para além de uma disputa local. O caso expõe um conflito mais amplo entre parte da indústria de tecnologia e políticos que defendem supervisão mais rígida sobre sistemas de inteligência artificial.
- Bores trabalhou na Palantir antes de entrar para a política.
- Ele ajudou a aprovar a lei RAISE em Nova York em 2025.
- Um super PAC financiado por nomes do setor de tecnologia atua contra sua candidatura.
- A divergência central é a defesa de regulação mais dura para inteligência artificial.