
A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma das maiores reestruturações nos 120 anos de história do Serviço Florestal dos EUA. A medida, que inclui a transferência da sede principal de Washington para o estado de Utah e o fechamento de 31 estações de pesquisa, ocorre em um momento de alerta máximo para a temporada de incêndios florestais no país. O cenário de reestruturação atrai a atenção de especialistas no Brasil, nação que compartilha desafios semelhantes de gestão ambiental e combate a incêndios severos em biomas como a Amazônia e o Pantanal.
De acordo com informações do portal especializado Inside Climate News, a decisão do governo federal estadunidense visa mudar a gestão para um modelo focado nos estados. No entanto, críticos e especialistas alertam que a mudança estrutural acontece no pior momento possível, considerando as previsões oficiais de alto risco de queimadas nas regiões Sudeste e Oeste pelos próximos meses, entre abril e junho de 2026.
Por que a mudança estrutural do Serviço Florestal gera polêmica ambiental?
Até o final do mês de março de 2026, 1,62 milhão de acres já haviam sido consumidos pelas chamas em todo o território nacional americano. Esse número representa um aumento de 231% em relação à média dos últimos dez anos, conforme os dados do Centro Nacional Interagências de Incêndios. A estatística inclui o maior incêndio da história do estado de Nebraska, que devastou 640 mil acres e causou a morte de uma mulher de 86 anos que tentava fugir do fogo. Em termos de estrutura governamental, o Serviço Florestal dos EUA exerce funções que, no Brasil, são divididas entre o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e o Prevfogo, ligado ao Ibama.
A atual situação agrava as tensões sobre a maior equipe de bombeiros florestais do governo federal, que já enfrenta perdas significativas em seu quadro de atuação. “Até o momento em que os incêndios florestais estão piorando e o acesso às terras públicas já está sob pressão, a última coisa de que precisamos é uma reorganização desnecessária que crie caos e confusão para os gestores de terras, pesquisadores e bombeiros florestais”, afirmou Josh Hicks, diretor de campanhas de conservação da instituição ambiental The Wilderness Society.
Como o governo americano justifica as alterações na agência?
A administração federal argumenta que a transferência da liderança para mais perto da maioria das florestas e comunidades trará benefícios operacionais e fiscais. O plano de reestruturação engloba os seguintes pontos principais:
- Transferência da sede principal de Washington para Utah;
- Fechamento definitivo de 31 instalações e estações de pesquisa pelo país;
- Eliminação dos escritórios regionais da agência em 2027;
- Implementação de um modelo focado nos estados, com a nomeação de 15 novos diretores estaduais.
A secretária do Departamento de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, que supervisiona o órgão afetado, defendeu a iniciativa publicamente. “Mover o Serviço Florestal para mais perto das florestas que administramos é uma ação essencial que melhorará nossa missão central de administrar nossas florestas, ao mesmo tempo em que economiza o dinheiro dos contribuintes e impulsiona o recrutamento de funcionários”, disse a secretária federal durante o anúncio das alterações institucionais.
Quais os reais impactos no quadro de funcionários e no combate ao fogo?
A agência, que contava com aproximadamente 26 mil funcionários no final de janeiro de 2026, perdeu 16% de sua força de trabalho no primeiro ano do segundo mandato governamental. Esse índice de redução é superior à média de 12% observada em toda a força de trabalho federal americana, cenário que acende um alerta sobre a capacidade do Estado de fornecer respostas rápidas a emergências ambientais em escala nacional.
Em paralelo à reestruturação territorial, os bombeiros florestais estão sendo gradualmente integrados ao novo Serviço de Incêndios Florestais dos EUA, que ficará subordinado diretamente ao Departamento do Interior. Segundo as diretrizes oficiais, a estrutura provisória garante a coordenação necessária com parceiros interagências até que todas as operações táticas de manejo de fogo sejam totalmente unificadas na nova entidade.
Contudo, relatórios de observadores externos apontam que o moral das equipes do Serviço Florestal já estava severamente abalado antes mesmo do anúncio. A Associação Nacional de Aposentados do Serviço Florestal chegou a estabelecer uma equipe de cuidados em 2025 para auxiliar profissionais afetados. Além disso, uma pesquisa recente da Parceria para o Serviço Público revelou que quase metade dos servidores entrevistados considera que a agência piorou na prestação de serviços em comparação a 2025, reforçando o clima de incerteza operacional.