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Sensor de ar de baixo custo do Ipam é lançado no Acampamento Terra Livre

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Lideranças indígenas manuseiam pequeno dispositivo eletrônico de monitoramento de qualidade do ar ao ar livre.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), organização não governamental brasileira de pesquisa, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), lança nesta segunda-feira (6) um sensor de monitoramento de qualidade do ar de baixo custo. A apresentação oficial do aparelho ocorre durante as atividades do Acampamento Terra Livre (ATL), a maior mobilização indígena do país, sediada em Brasília. O objetivo central do projeto é expandir a medição da poluição atmosférica para além dos grandes centros urbanos do país, alcançando territórios como comunidades tradicionais, unidades de conservação ambiental e propriedades rurais.

De acordo com informações da Agência Brasil, a estruturação da tecnologia nacional busca atender às diretrizes da Política Nacional de Qualidade do Ar, regulamentada pela Lei 14.850/2024, garantindo um acompanhamento climático mais amplo e descentralizado.

Atualmente, o cenário de monitoramento ambiental no Brasil apresenta uma infraestrutura concentrada nas capitais. O Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar de 2025, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, revela que o país possui 570 estações de medição em pleno funcionamento. Desse total geral, apenas 12 bases de análise estão localizadas fisicamente no interior de Terras Indígenas.

Como o novo sensor do Ipam difere dos modelos importados?

O pesquisador do Ipam, Filipe Viegas Arruda, destaca que os equipamentos tradicionalmente utilizados no Brasil possuem origem importada. Essa característica de mercado eleva de forma significativa os custos operacionais de aquisição e torna mais complexos os processos de assistência técnica e acionamento de garantia, especialmente quando as falhas ocorrem em áreas remotas e de difícil acesso.

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Para solucionar as limitações dos aparelhos estrangeiros, os cientistas focaram no desenvolvimento de um hardware adaptado ao bioma da Amazônia Legal. As inovações do sistema incluem:

  • Desenvolvimento de uma barreira de proteção interna para impedir a invasão de formigas, abelhas, aranhas e outros insetos;
  • Reforço estrutural da carcaça para evitar o acúmulo e os danos causados pela poeira excessiva;
  • Armazenamento de dados no próprio equipamento durante eventuais quedas e ausências de sinal de internet;
  • Compatibilidade técnica para realizar a integração de dados com os modelos importados já instalados no país.

O que é a RedeAr e como funcionará na prática?

A fase prática de implementação do sistema começará com a distribuição de um lote inicial contendo 60 sensores de tecnologia brasileira. O repasse será conduzido pela rede Conexão Povos da Floresta, uma coalizão social que engloba o Ipam, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS).

A partir do mês de setembro, o consórcio iniciará a operação oficial da chamada RedeAr. A plataforma vai monitorar de forma simultânea os índices de poluição, umidade relativa e temperatura nas comunidades tradicionais e em zonas públicas da região amazônica. Os dados meteorológicos gerados pela rede serão cruzados de forma contínua com os registros de ocorrência de doenças respiratórias catalogados pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, e pela ferramenta Telesaúde. A expectativa de expansão dos desenvolvedores é atingir o marco de 200 sensores operacionais até o término do ano.

Por que a medição em Terras Indígenas se tornou urgente?

A urgência em mapear o clima das florestas está respaldada por dados climáticos extremos recentes. Uma nota técnica elaborada pelo Ipam identificou que, em 2024, os prolongados períodos de secas severas, combinados e impulsionados pela alta das queimadas, resultaram em 138 dias contínuos ou alternados de ar nocivo à saúde em diversos estados da Região Amazônica.

“Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo”, afirma o pesquisador.

A análise de Arruda, associada à coleta contínua de dados pela nova tecnologia, pretende impulsionar uma maior conscientização civil e estatal. A coordenação do projeto argumenta que o monitoramento preciso fornecerá base técnica para estruturar programas eficientes de educação ambiental e aprimorar as políticas de prevenção e combate aos incêndios florestais.

Os visitantes interessados em conhecer a dinâmica de funcionamento da tecnologia podem encontrar o equipamento exposto presencialmente na tenda da Coiab durante toda a programação temática do Abril Indígena do Acampamento Terra Livre. O evento prossegue com portões abertos ao público no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), na capital federal, até o dia 11 de abril.

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