A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) iniciou, nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, uma operação nacional de fiscalização para garantir o cumprimento das novas regras de transparência em aplicativos de transporte e entrega. A medida visa assegurar que as plataformas detalhem minuciosamente a composição dos valores cobrados dos usuários, especificando a divisão da quantia entre a empresa, o prestador de serviço e o estabelecimento comercial.
De acordo com informações da Radioagência Nacional, uma portaria ministerial estabeleceu que as empresas de tecnologia não podem mais omitir os custos operacionais e os repasses financeiros em suas interfaces. A fiscalização ocorre para verificar se as plataformas estão exibindo um resumo claro e acessível em cada transação realizada pelos consumidores brasileiros.
Quais informações os aplicativos devem exibir obrigatoriamente?
Para cumprir as determinações da Senacon, as plataformas digitais precisam atualizar suas interfaces para incluir dados específicos sobre a precificação de cada corrida ou pedido. O objetivo é evitar que o consumidor tenha dúvidas sobre o destino final do dinheiro pago pelo serviço. As empresas devem apresentar, de forma clara e em local de fácil visualização, os seguintes itens:
- Preço total pago pelo consumidor final pelo serviço ou produto;
- Parcela da plataforma, que corresponde ao valor retido pela intermediação digital;
- Parte destinada ao motorista ou entregador, incluindo gorjetas e adicionais;
- Quantia que cabe ao estabelecimento comercial, especificamente nos casos de delivery de alimentos ou produtos.
A Senacon reforça que a transparência deve ser efetiva, não se limitando a letras miúdas ou menus escondidos dentro dos aplicativos. A fiscalização atual busca confirmar se a informação está disponível no momento exato da confirmação do pagamento, permitindo que o cidadão compreenda quanto do seu investimento está sendo direcionado ao profissional que realiza o transporte ou a entrega.
Quais são as punições para as empresas que descumprirem as regras?
As plataformas que não se adequarem às normas de transparência estão sujeitas a sanções severas previstas no Código de Defesa do Consumidor. A Secretaria Nacional do Consumidor atua para que as mudanças não sejam apenas ajustes formais, mas que representem um ganho real de informação para a sociedade. Caso as irregularidades sejam confirmadas, as empresas podem enfrentar:
As plataformas devem detalhar a composição do preço, indicando quanto cabe ao aplicativo, ao motorista ou entregador e ao estabelecimento comercial. O descumprimento pode levar a multa e suspensão temporária das atividades.
As multas são aplicadas conforme a gravidade da infração e o faturamento da empresa envolvida. Em casos recorrentes de omissão de dados, a suspensão temporária das atividades pode impedir a operação do aplicativo em determinadas regiões ou em todo o território nacional até que a conformidade técnica seja restabelecida e aprovada pelos órgãos reguladores.
Como o consumidor pode denunciar irregularidades nos aplicativos?
O papel do cidadão é fundamental para o sucesso da fiscalização liderada pela Senacon. Caso o usuário utilize um serviço de transporte ou realize um pedido de delivery e não encontre o detalhamento obrigatório da composição do preço, ele deve formalizar uma reclamação. A ausência de clareza sobre o valor repassado ao motorista ou ao restaurante é considerada uma violação direta dos direitos informativos.
As denúncias podem ser registradas diretamente no portal consumidor.gov.br, que é monitorado em tempo real pelas autoridades competentes. Além disso, os usuários podem procurar as unidades físicas ou digitais dos Procons locais em seus respectivos estados e municípios. A Senacon utiliza esses dados para mapear quais empresas estão apresentando maior resistência ao cumprimento da portaria ministerial e direcionar equipes de fiscalização presencial.
Com essa iniciativa, o governo federal pretende equilibrar a relação entre as grandes empresas de tecnologia, os profissionais autônomos e os consumidores, garantindo que o mercado de economia compartilhada opere sob princípios de lealdade e clareza financeira. A transparência nos preços é vista como um passo essencial para a modernização das relações de consumo no Brasil.