Sarah Finch, ativista britânica que deu nome a uma ação judicial considerada um marco no direito climático do Reino Unido, foi anunciada nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, como uma das seis vencedoras do Goldman Environmental Prize, premiação internacional voltada a ativistas ambientais de base. O reconhecimento foi divulgado no contexto de uma premiação anual que destaca lideranças de diferentes regiões do mundo. De acordo com informações do Guardian Environment, Finch ganhou projeção após uma decisão da Suprema Corte do Reino Unido que passou a exigir a consideração dos impactos climáticos da queima de combustíveis fósseis em projetos novos.
Segundo a reportagem, a decisão judicial associada ao caso de Finch, proferida em 2024, estabeleceu que aprovações de novos projetos de combustíveis fósseis devem levar em conta os efeitos climáticos da queima de carvão, petróleo ou gás que vierem a ser extraídos. O entendimento foi citado posteriormente em decisões contrárias a novas concessões de petróleo no Mar do Norte, à primeira nova mina profunda de carvão do Reino Unido em 30 anos e até a planos para novas fazendas industriais de grande escala.
Por que a atuação de Sarah Finch virou referência no debate climático?
O caso judicial movido em nome de Sarah Finch é descrito como um ponto de virada na legislação climática britânica. A relevância do processo está no fato de que ele ampliou o escopo da análise ambiental exigida pelo Judiciário, incluindo não apenas a extração de combustíveis fósseis, mas também o impacto climático de sua posterior utilização.
Mel Evans, chefe de campanhas do Greenpeace Reino Unido, resumiu o efeito da decisão em uma declaração reproduzida pela reportagem:
“It has been a gamechanger for environmental campaigners.”
Na mesma fala, ela afirmou que a decisão também aproximou a legislação do Reino Unido da ciência climática, ao reconhecer que o principal impacto da indústria de combustíveis fósseis sobre a mudança do clima decorre da queima de seus produtos.
Quem são as demais vencedoras do Goldman Environmental Prize em 2026?
Além de Finch, outras cinco mulheres foram premiadas, cada uma representando uma das seis principais regiões do mundo. Segundo o texto original, esta é a primeira vez, nos 37 anos de história do prêmio, que a lista de vencedores é formada exclusivamente por mulheres.
-
Iroro Tanshi, da Nigéria, foi reconhecida por uma campanha comunitária para proteger morcegos ameaçados de incêndios florestais provocados por ação humana.
-
Borin Kim, da Coreia do Sul, venceu uma ação climática liderada por jovens, na qual a política climática do governo foi considerada violadora dos direitos das futuras gerações.
-
Alannah Acaq Hurley, liderança do povo indígena Yup’ik, participou de uma campanha que barrou o que seria a maior mina a céu aberto do continente, na região de Bristol Bay, no Alasca.
-
Yuvelis Morales Blanco, ativista jovem, mobilizou sua comunidade afrodescendente em Puerto Wilches contra dois projetos de perfuração e ajudou a impedir a introdução do fraturamento hidráulico comercial na Colômbia.
-
Theonila Roka Matbob, de Papua-Nova Guiné, conduziu uma campanha que levou a mineradora Rio Tinto a assinar um acordo para enfrentar a devastação causada pela mina de Panguna.
O que representa o prêmio concedido às ativistas?
O Goldman Environmental Prize foi criado em 1989 pelos filantropos Rhoda e Richard Goldman. De acordo com a reportagem, a premiação já homenageou 239 vencedores, incluindo 112 mulheres, de 98 países. Parte desses homenageados posteriormente ocupou cargos públicos, lideranças em organizações não governamentais e outras funções de destaque internacional.
John Goldman, vice-presidente da Goldman Environmental Foundation, também comentou o anúncio dos vencedores. Em sua declaração, destacou a importância da atuação local e ressaltou o papel das mulheres na agenda ambiental global. A reportagem afirma que a edição de 2026 marca a primeira formação exclusivamente feminina entre as laureadas.
O prêmio a Sarah Finch reforça a visibilidade internacional de uma disputa judicial que teve efeitos concretos sobre decisões ligadas a petróleo, carvão e clima no Reino Unido. Ao mesmo tempo, a lista de vencedoras deste ano destaca campanhas ambientais de perfil comunitário, com impacto em temas como mineração, biodiversidade, combustíveis fósseis e direitos das futuras gerações.