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São Jorge reúne católicos e religiões de matriz africana em ato no RS

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A celebração do Dia de São Jorge vai reunir, nesta quinta-feira, 23 de abril, manifestações inter-religiosas de fé no bairro Partenon, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Pelo terceiro ano consecutivo, a programação começa às 8h e prevê missas na Igreja de São Jorge, enquanto, do lado de fora, fiéis receberão bênçãos de integrantes de religião de matriz africana ligados à Família Yecari, do Terreiro de Batuque Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá. De acordo com informações da Agência Brasil, a iniciativa também busca reforçar a convivência entre diferentes tradições religiosas.

Na Igreja Católica, São Jorge é uma das devoções populares mais conhecidas do país. Nas religiões de matriz africana, ele é associado a Ogum, figura ligada à coragem e à força guerreira. Por isso, a data costuma mobilizar grande número de fiéis em várias regiões do Brasil, tanto em celebrações católicas quanto em manifestações de religiões afro-brasileiras.

Como será a celebração inter-religiosa em Porto Alegre?

Segundo a reportagem, as atividades incluem o tradicional banho de cheiro promovido pela Família Yecari e seguem ao longo do dia até as 18h30. A programação será encerrada com uma procissão ao redor da igreja e com a lavagem das escadarias da Paróquia São Jorge, em um ritual simbólico de purificação e renovação de energias.

À frente do 3º Ato Inter-religioso estão o presidente da Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá, Pai Ricardo de Oxum, a Família Yecari e o padre Sérgio Belmonte, pároco da Igreja de São Jorge. A proposta, conforme os organizadores, é convidar a comunidade de matriz africana e simpatizantes a viver, ao lado de católicos, um dia de conexão espiritual, celebração coletiva e respeito entre crenças.

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  • Início das atividades: 8h
  • Local: bairro Partenon, em Porto Alegre
  • Programação: missas, bênçãos, banho de cheiro, procissão e lavagem das escadarias
  • Término previsto: 18h30

O que dizem os participantes sobre a data?

A filha de santo Roseli Debem Sommer, de 47 anos, contou à Agência Brasil que nasceu e cresceu em uma família católica, tendo sido batizada, feito primeira comunhão, crisma e casamento na igreja. A mudança de religião ocorreu aos 19 anos, mantendo, segundo ela, o simbolismo de São Jorge como figura guerreira diante das dificuldades.

“Minha falecida mãe sempre falava: te agarra no guerreiro, pede com bastante fé e com bastante coração, que tu pode ter certeza que ele vai te ouvir. São as palavras que sempre uso: que o grande guerreiro esteja sempre à frente das nossas batalhas”, disse, em entrevista à Agência Brasil.

Roseli também afirmou que atos inter-religiosos serão realizados nas cidades de Rio Pardo e Santa Maria, levando, segundo ela, “um pouquinho” da Família Yecari para outras regiões. Para o grupo, a ampliação dessas ações é considerada importante.

“Ali a gente vê manifestações de fé, da pessoa que está indo na Igreja católica para sua homenagem a São Jorge, e se depara com o terreiro de matriz africana também dando a bênção. São milhares de pessoas que circulam no local durante o dia.”

Qual é o significado do ato para as religiões de matriz africana?

Pai Ricardo de Oxum afirmou que a celebração representa resistência e a luta da ancestralidade, em um contexto em que, segundo ele, a fé de matriz africana muitas vezes só podia ser professada por meio do sincretismo com imagens católicas.

“Só conseguiam professar a fé através das imagens da igreja católica [sincretismo]. Então, com São Jorge e todas as imagens dos santos, a gente tenta passar o simbolismo da matriz africana. São Jorge, Ogum e Nossa Senhora dos Navegantes, Iemanjá, são os santos mais populares do Brasil”, disse Pai Ricardo.

De acordo com ele, o Rio Grande do Sul aparece, no último censo citado na reportagem, com o maior número de praticantes de religiões de matriz africana no Brasil. O dirigente também avaliou que a iniciativa busca reduzir barreiras históricas e aproximar fiéis de tradições diferentes por meio de uma celebração conjunta.

A reportagem explica ainda que o Batuque é uma religião de matriz africana praticada no Rio Grande do Sul, com culto a orixás como Oxalá, Bará, Ogum, Iansã, Xangô, Obá, Odé/Otim, Ossanha, Xapanã, Oxum e Iemanjá. Suas origens estão associadas a povos da Guiné, Benin e Nigéria. Ainda segundo o texto original, a Família Yecari reúne mais de 50 mil integrantes no Brasil e na América Latina.

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