A Sabesp avançou em sua estratégia de expansão no setor de energia ao receber aval do Cade para assumir 100% do capital da Paulista Geradora de Energia, reforçando o controle sobre ativos de geração hidrelétrica no estado de São Paulo. A operação foi informada pela empresa e ainda depende de aprovação da Aneel. De acordo com informações da Megawhat, o movimento ocorre após a Sabesp avançar na consolidação do controle da Emae.
A Paulista Geradora de Energia opera duas centrais geradoras hidrelétricas de pequeno porte em São Paulo: a Guaraú, com capacidade instalada de 4,2 MW médios, e a Cascata, com 2,9 MW médios. Atualmente, a holding é formada pela Sabesp, com 25%, pela Servtec Investimentos e Participações, com 37,5%, e pela Tecniplan Energia, também com 37,5%.
O que foi aprovado na operação envolvendo a Sabesp?
O aval concedido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica permite o avanço da operação societária para que a Sabesp assuma a totalidade do capital da Paulista Geradora de Energia. Segundo o que foi informado ao Cade, a transação está alinhada à estratégia de crescimento e expansão do grupo, com foco na aquisição de participações majoritárias ou integrais em empresas de setores considerados complementares ou estratégicos.
Apesar do sinal verde do Cade, a conclusão do negócio ainda não está encerrada. O processo depende da análise e aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica, órgão responsável pela regulação do setor elétrico.
Quais ativos estão ligados ao Sistema Cantareira?
As duas CGHs operadas pela Paulista Geradora estão relacionadas a ativos no estado de São Paulo. Em primeiro de dezembro de 2014, as usinas firmaram com a Sabesp um contrato de concessão de direito real de uso para exploração comercial do potencial hidráulico do vertedouro da usina, integrante do Sistema Cantareira, com finalidade de geração de energia.
Esse vínculo mostra que os ativos não estão dissociados da infraestrutura hídrica já operada pela companhia. A operação reforça, portanto, a presença da Sabesp em um segmento associado ao aproveitamento energético de estruturas sob sua área de atuação.
Como ficam Servtec e Tecniplan após a transação?
Segundo as informações apresentadas no processo, a transação tem efeitos distintos para os atuais sócios privados. Para a Servtec, o negócio representa um reposicionamento estratégico voltado à construção de ativos de maior porte. Já para a Tecniplan, a operação abre espaço para captação de recursos destinados a investimentos em novos negócios.
- Servtec: reposicionamento estratégico com foco em ativos maiores
- Tecniplan: captação de recursos para novos investimentos
- Sabesp: ampliação da participação em ativos de geração hidrelétrica
Qual é o histórico operacional dessas usinas?
Em fevereiro de 2020, as usinas celebraram contrato com a Telefônica Brasil, no modelo de geração distribuída, para fornecimento de 100% da energia produzida por ambas. O acordo mostra que toda a energia gerada pelas duas CGHs passou a ter destinação comercial contratada nesse formato.
Os números citados no material da operação também indicam o desempenho financeiro recente das unidades. Em dezembro de 2025, a CGH Cascata registrou receita operacional líquida de R$ 11,85 milhões, enquanto a CGH Guaraú contabilizou receita operacional líquida de R$ 12,08 milhões.
Com a operação, a Sabesp reforça uma linha de expansão já apresentada ao Cade, concentrada em ativos considerados estratégicos para o grupo. O negócio, no entanto, ainda depende da etapa regulatória na Aneel para ser efetivamente concluído.