A restauração dos Everglades, um vasto ecossistema de zonas úmidas na Flórida, Estados Unidos, pode ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa que aquecem o clima global. É o que aponta um estudo publicado em março de 2026 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. A importância da conservação de áreas alagadas para o clima guarda paralelos diretos com o Brasil, onde biomas como o Pantanal e a Amazônia também desempenham papel crucial na regulação do ciclo global de carbono. Os pântanos de água doce e manguezais costeiros da região norte-americana absorvem cerca de 14 milhões de toneladas de dióxido de carbono anualmente, o que equivale a 10% das emissões das rodovias da Flórida, conforme noticiou o portal Inside Climate News.
Qual é o impacto da restauração dos Everglades?
O estudo, que contou com a participação de pesquisadores de diversas universidades e instituições, concluiu que o sequestro de carbono nos Everglades aumentou 18% entre 2003 e 2020.
“É quase como um investimento em seu fundo de aposentadoria. Você começa a guardá-lo lentamente, e não entende realmente os benefícios”, disse John Kominoski, pesquisador principal do programa de pesquisa ecológica de longo prazo dos Everglades.
A restauração, que envolve um esforço financeiro de aproximadamente R$ 27 bilhões, visa melhorar os fluxos de água doce e aumentar a capacidade dos Everglades de capturar carbono.
Como os Everglades contribuem para a mitigação climática?
Os pântanos armazenam grandes quantidades de carbono em seus solos, o que os torna uma solução natural para as emissões de combustíveis fósseis. No entanto, a pesquisa também revelou que, embora os Everglades sejam um importante sumidouro de carbono, eles emitem metano, um gás de efeito estufa potente.
“Nossos pântanos estão funcionando como sumidouros líquidos de carbono, removendo mais carbono do que emitem”, afirmou Kominoski.
A pesquisa destacou que os manguezais costeiros são mais eficazes na captura de carbono do que os pântanos de água doce.
Quais são os desafios e oportunidades futuras?
Os pesquisadores utilizaram dados de torres AmeriFlux e medições atmosféricas da NASA, a agência espacial norte-americana, para criar um modelo que estima as flutuações de carbono na área de estudo. Apesar dos benefícios, quase 82% do carbono armazenado nos pântanos de água doce foi compensado pelas emissões líquidas de metano. Esse dado é crucial para orientar futuros esforços de restauração e estratégias de gestão hídrica em áreas alagadas.
Fonte original: Inside Climate News.