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Restauração ambiental na Escócia perde acordo privado de £100 milhões

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Um acordo para captar £100 milhões em investimentos privados destinados à restauração da natureza na Escócia fracassou sem que o Parlamento escocês fosse informado, segundo reportagem publicada nesta terça-feira, 14 de abril de 2026. A parceria envolvia a agência pública NatureScot e a gestora de investimentos Aberdeen, e tinha como objetivo financiar projetos de conservação ambiental. De acordo com informações do Guardian Environment, a retirada da Aberdeen ocorreu no fim do ano passado, mas isso não foi revelado quando uma parlamentar pediu atualização oficial sobre a iniciativa.

Segundo a reportagem, a deputada trabalhista das Highlands, Rhoda Grant, apresentou uma pergunta no Parlamento de Holyrood sobre o andamento da chamada parceria de investimento na natureza. Em resposta, o ministro da Agricultura do Partido Nacional Escocês, Jim Fairlie, afirmou apenas que a NatureScot continuava dialogando com diversos investidores e que nenhum financiamento privado havia sido direcionado, até aquele momento, para projetos executados em campo.

O que aconteceu com a parceria de investimento em restauração ambiental?

Fontes com conhecimento direto do caso disseram ao jornal que, até dezembro do ano passado, já estava claro que a Aberdeen deixaria a parceria por considerar que os investimentos ofereceriam retornos insuficientes. Em fevereiro, a NatureScot informou partes interessadas de que a gestora havia se retirado.

Tanto a NatureScot quanto a Aberdeen se recusaram a confirmar ou negar formalmente a saída, citando regras do serviço público que impedem comentários, durante campanha eleitoral, sobre políticas ou decisões que ainda não estejam no domínio público. Ainda assim, a página da NatureScot sobre a parceria continuava listando a Aberdeen como integrante, de acordo com o Guardian.

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Quais foram as reações políticas ao caso?

A vice-líder do Partido Trabalhista escocês, Jackie Baillie, afirmou que era necessária uma explicação urgente. Em declaração reproduzida pela reportagem, ela disse:

“It looks a lot like Jim Fairlie and the SNP kept the collapse of this project under wraps to spare their government embarrassment ahead of an election.”

Baillie também acrescentou:

“Scotland deserves to know what went wrong and what the consequences will be for the important work of nature restoration.”

Um porta-voz do SNP, por sua vez, não negou que a Aberdeen tenha deixado a parceria nem esclareceu se Fairlie já sabia disso em março. Segundo o texto, o argumento apresentado foi que a pergunta feita por Rhoda Grant era genérica e não mencionava nominalmente a gestora.

O porta-voz declarou ainda que a parceria de investimento na natureza continua sendo considerada importante para atrair recursos privados para a restauração ambiental e que o partido seguirá apoiando investimento privado responsável em capital natural.

Por que esse modelo de financiamento enfrenta dificuldades?

Esta é a segunda vez que uma tentativa da NatureScot de atrair investidores privados para bancar os altos custos da recuperação ambiental entra em colapso. Lançado no início de 2023 pela então ministra dos Verdes escoceses, Lorna Slater, o programa previa originalmente gerar até £2 bilhões em financiamento privado para plantar milhões de árvores nativas e restaurar áreas degradadas de turfa.

Na fase inicial, Slater assinou um acordo com o banco privado Hampden & Co e com as empresas de investimento Palladium e Lombard Odier. A NatureScot afirmou, à época, que £2 bilhões poderiam financiar 185 mil hectares de novas florestas, capazes de armazenar cerca de 28 milhões de toneladas de CO2 ao longo dos próximos 30 anos.

Esse primeiro arranjo, porém, também se desfez rapidamente em meio ao ceticismo de especialistas em conservação e finanças. A avaliação citada pelo Guardian é a de que poucos fundos de pensão, bancos ou investidores privados se dispõem a aplicar recursos em recuperação da natureza porque os retornos são baixos, demorados e incertos.

  • o modelo dependia de capital privado para cobrir o plantio de florestas não subsidiado pelo poder público;
  • os financiadores também pagariam aluguel a proprietários rurais pelo uso da terra;
  • em troca, dividiriam receitas obtidas com créditos de carbono após a maturação das áreas reflorestadas.

Quais são os impactos da saída da Aberdeen?

Depois do fracasso da estrutura inicial, a Aberdeen assumiu a parceria com uma meta mais modesta: levantar £100 milhões. No entanto, até setembro do ano passado, apenas o fundo nacional de riqueza do governo do Reino Unido havia oferecido recursos. Segundo a reportagem, essa oferta de £50 milhões foi retirada porque a Aberdeen já não estava mais na parceria para fornecer o financiamento equivalente.

Tom Gegg, especialista em financiamento da natureza que trabalhou na Palladium até outubro do ano passado, afirmou que o episódio expõe fragilidades de um modelo baseado em recursos privados em vez de investimento governamental. Em texto publicado pelo centro de estudos Future Economy Scotland, ele estimou em cerca de £6,6 bilhões a diferença entre o financiamento público disponível e o custo da restauração da natureza na Escócia até 2040.

Gegg argumentou, segundo o Guardian, que bancos públicos de investimento do Reino Unido deveriam assumir esse financiamento. Já Laurie Macfarlane, codiretor do Future Economy Scotland, avaliou que a falta de transparência em torno do caso é motivo de preocupação e afirmou que ainda não existe um plano crível para cumprir as metas ligadas à recuperação de florestas e turfeiras, consideradas centrais para a trajetória escocesa de neutralidade climática.

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