Os resíduos de serviços de saúde (RSS), embora representem entre um e três por cento dos resíduos urbanos, podem gerar impactos ambientais e riscos à saúde quando não são gerenciados de forma adequada. Um artigo publicado em 23 de abril de 2026 discute como o método Analytic Hierarchy Process (AHP) pode apoiar a implementação de sistemas de gerenciamento desses resíduos em serviços de saúde no Brasil, a partir da avaliação técnica de especialistas e da definição de prioridades operacionais e de governança. De acordo com informações do EcoDebate, o estudo busca orientar decisões mais assertivas para reduzir riscos sanitários e ambientais.
O texto é assinado por Isadora Muller de Oliveira, Letícia Caroline de Oliveira Vital, Fabiana Cristina Lima Barbosa e Marcos Paulo Gomes Mol. As autoras e o autor explicam que os RSS são gerados em atividades ligadas à atenção à saúde humana ou animal e, apesar de sua participação proporcionalmente pequena no total de resíduos municipais, exigem atenção especial por causa da parcela perigosa envolvida.
O que o estudo aponta como principais desafios no manejo dos resíduos de saúde?
O artigo cita o estudo internacional Assessment of the Main Elements for a Healthcare Waste Management System Using Analytical Hierarchical Process, que identifica obstáculos recorrentes no gerenciamento dos RSS. Entre eles estão o aumento da geração desses resíduos, a segregação inadequada, a ausência de registros ao longo das etapas, da geração à destinação final, e a falta de treinamento e conscientização dos profissionais envolvidos.
Segundo o texto, esses fatores comprometem a gestão dos resíduos e ampliam os riscos sanitários e ambientais. Nesse contexto, o estudo de Barbosa et al. (2025) procurou avaliar e classificar quais elementos são essenciais para um sistema de gerenciamento de RSS, com base na análise técnica de 24 especialistas que atuam como gestores desses resíduos em laboratórios de saúde pública e hospitais de grande porte no Brasil.
Como o método AHP foi aplicado na avaliação dos especialistas?
De acordo com o artigo, o AHP é uma ferramenta de decisão multicritério que permite dividir um problema em níveis de critérios para estabelecer prioridades e chegar a soluções mais consistentes. No caso dos resíduos de serviços de saúde, esse método foi usado para consolidar a opinião dos especialistas sobre os critérios e subcritérios mais relevantes para um sistema eficiente de gerenciamento.
Os dez critérios principais avaliados foram:
- documentos;
- envolvimento da alta direção;
- liderança;
- disseminação de informações;
- monitoramento do plano de gerenciamento de RSS;
- priorização das etapas operacionais;
- produção ecoeficiente;
- setor ambiental;
- serviços de coleta e tratamento;
- melhor destinação para resíduos biológicos.
Além desses critérios, o trabalho também considerou subcritérios ligados à gestão, ao gerenciamento e à dimensão financeira. A proposta, segundo o texto, foi organizar os fatores de decisão de forma hierárquica para identificar o que deve ser priorizado por gestores de serviços de saúde.
Quais critérios apareceram como mais relevantes para um sistema eficiente?
O artigo destaca que a aplicação do AHP permitiu apontar prioridades com base no julgamento consolidado dos especialistas. Entre os resultados apresentados, o setor ambiental aparece com destaque, reforçando a necessidade de práticas operacionais sustentáveis executadas por uma unidade ambiental específica dentro do serviço de saúde.
Também ganharam peso a disseminação de informações e os documentos ligados à governança, o que, segundo o texto, indica a importância da comunicação e dos registros adequados para reduzir riscos. O envolvimento da alta direção e a liderança foram apontados como fatores críticos para garantir recursos e engajamento institucional. Já critérios operacionais, como segregação dos RSS e serviços de coleta e tratamento, foram classificados como indispensáveis para a efetividade do sistema.
- No setor ambiental, as práticas operacionais tiveram relevância de 50,7%.
- Na produção ecoeficiente, a minimização da geração alcançou 39,2%.
- Na disseminação da informação, divulgar a gestão de risco dos RSS obteve 40,9%.
- Nos documentos operacionais, o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) apareceu com 40,8%.
Qual é a conclusão apresentada pelas autoras e pelo autor?
Segundo o artigo, os resultados demonstram que a gestão integrada dos resíduos de serviços de saúde deve combinar ações estratégicas, como governança e comunicação, com práticas operacionais seguras. A validação do método AHP, ainda de acordo com o texto, confirma sua aplicabilidade como ferramenta de apoio à tomada de decisão e permite ajustes conforme a realidade local.
O artigo conclui que esse roteiro de prioridades pode ajudar gestores a implementar políticas mais assertivas para o gerenciamento dos RSS, com potencial de reduzir riscos sanitários e impactos ambientais. A ênfase recai sobre organização institucional, monitoramento, informação e estrutura operacional, sem os quais a gestão desses resíduos tende a perder eficiência.