A distribuição das afiliações religiosas no mundo continua a influenciar o desenvolvimento social, econômico e político das sociedades, segundo análise publicada em 23 de março de 2026 por José Eustáquio Diniz Alves. O texto aponta que esse quadro é resultado de processos históricos de longa duração, como migrações, conquistas, colonização, dinâmicas demográficas e mudanças culturais, e destaca que a evolução da configuração religiosa global acompanha as transformações em curso no planeta. De acordo com informações do Projeto Colabora, a religião segue como fator relevante na organização das sociedades contemporâneas.
O artigo descreve como a afiliação religiosa varia entre os países, tanto pela diversidade de identidades quanto pela predominância de grupos específicos em cada território. Com base em dados citados do Our World in Data, o texto mostra que o cristianismo permanece como a religião com maior número de adeptos no mundo, enquanto o islamismo aparece como a segunda maior e a que mais cresce em termos absolutos. Para o Brasil, esse debate tem impacto direto porque o país segue entre as nações mais populosas do mundo e tem peso demográfico na configuração religiosa da América Latina, região em que o cristianismo ainda predomina.
Como as principais religiões estão distribuídas no mundo?
Em termos globais, o cristianismo concentra cerca de um terço da população mundial e predomina nas Américas, na Europa, na África Subsaariana e na Oceania. O texto ressalta, porém, a diversidade interna desse grupo, que inclui católicos, protestantes, ortodoxos e pentecostais, entre outros. Também aponta que o centro de gravidade do cristianismo se deslocou da Europa para o Sul Global, especialmente para a África e a América Latina, movimento relevante para o Brasil por se tratar do maior país latino-americano e de uma das maiores populações cristãs do mundo.
O islamismo é apresentado como a segunda maior religião do mundo e a que mais cresce em números absolutos, em grande parte por taxas de fecundidade mais elevadas e por uma população relativamente jovem. Segundo o artigo, ele é majoritário no Norte da África, no Oriente Médio e em partes do Sul e do Sudeste Asiático, como Paquistão, Indonésia e Bangladesh, além de ter presença significativa na África Subsaariana e em comunidades migrantes na Europa e nas Américas.
As religiões hinduístas concentram-se majoritariamente na Índia e no Nepal, enquanto o budismo se distribui principalmente pelo Leste e Sudeste Asiático, em países como China, Japão, Tailândia, Vietnã, Mianmar e Sri Lanka. O texto também destaca a permanência das religiões tradicionais e indígenas, sobretudo na África, na Oceania e entre populações originárias das Américas, além de registrar que o judaísmo, embora numericamente menor em escala global, mantém forte concentração em Israel e nos Estados Unidos.
O que mostram os dados sobre cristãos, muçulmanos e pessoas sem religião?
De acordo com os números citados no artigo para 2020, os cristãos somavam 2,3 bilhões de pessoas, o islamismo reunia 2 bilhões, e o grupo dos sem religião, incluindo ateus, agnósticos e pessoas sem filiação institucional, alcançava 1,9 bilhão. Os hindus eram 1,2 bilhão, os budistas 320 milhões, outras religiões 170 milhões e o judaísmo 15 milhões.
O texto afirma ainda que os católicos representavam 29% da população mundial, o islamismo 26%, os hindus 15%, os budistas 4%, outras religiões menos de 3% e os sem religião 24%. Esse crescimento dos sem religião é apontado como um fenômeno central da contemporaneidade, mais visível na Europa, no Leste Asiático e em partes das Américas, especialmente em sociedades urbanizadas, mais escolarizadas e com maior segurança econômica e institucional. No caso brasileiro, a expansão do grupo sem religião ajuda a contextualizar mudanças já observadas nos censos e pesquisas demográficas, ao lado da perda relativa do catolicismo e da diversificação do campo religioso.
- Cristãos: 2,3 bilhões
- Muçulmanos: 2 bilhões
- Sem religião: 1,9 bilhão
- Hindus: 1,2 bilhão
- Budistas: 320 milhões
- Judaísmo: 15 milhões
Como a composição religiosa varia nos países mais populosos?
O artigo mostra diferenças marcantes entre os dez países mais populosos do mundo. A Índia tinha 79% de hindus, 15% de muçulmanos e 6% distribuídos entre outras religiões e sem religião. A China era composta majoritariamente por pessoas sem religião, com 90%, e 10% para todas as demais religiões. Nos Estados Unidos, havia 64% de cristãos e 30% de sem religião.
Na Indonésia, 87% da população era islâmica, com 10% de cristãos e 3% das demais religiões. No Brasil, os cristãos representavam 81% da população, outras religiões 5,7% e os sem religião 13%. O Paquistão tinha 97% de população islâmica; a Nigéria aparecia como mais diversa, com 56% de islamismo e 43% de cristãos; Bangladesh registrava 91% de muçulmanos e 7,9% de hindus; o México tinha 89% de cristãos e 11% de sem religião; e a Rússia apresentava 70% de cristãos, 8,2% de muçulmanos e 20% de sem religião. A presença do Brasil nessa lista ajuda a explicar por que transformações religiosas no país têm relevância regional e internacional, já que mudanças na composição brasileira afetam o retrato religioso da América Latina e do conjunto dos países mais populosos.
De que forma a religião pode favorecer ou dificultar o desenvolvimento?
Segundo o texto, as religiões desempenham um papel ambivalente no desenvolvimento. Elas podem atuar como fator de promoção ou de bloqueio, a depender do contexto histórico e institucional. No plano social, o artigo afirma que religiões produzem capital social ao formar redes de solidariedade, confiança, cooperação e apoio mútuo, sobretudo em contextos de fragilidade do Estado. Também destaca a atuação de instituições religiosas em áreas como educação, saúde, assistência social e acolhimento de populações vulneráveis.
No campo cultural e normativo, a análise aponta que as religiões moldam valores ligados ao trabalho, à poupança, à família, à fecundidade, à educação das crianças e às relações de gênero. Politicamente, podem tanto legitimar ordens sociais e projetos de poder quanto servir de força de contestação e mobilização social. Já na economia, o impacto é descrito como indireto, mas relevante, ao influenciar ética econômica, organização do tempo, confiança institucional e disposição para cooperar.
No Brasil, essa influência aparece no debate público, na atuação de organizações confessionais em serviços sociais e no peso do tema religioso em discussões legislativas e eleitorais. Como o texto original termina de forma incompleta, a conclusão da análise não pôde ser reproduzida integralmente.