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Raposas-voadoras impulsionam indústria madeireira na Austrália e exigem conservação

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As raposas-voadoras, popularmente conhecidas como morcegos frugívoros, prestam serviços ecossistêmicos cruciais no território da Austrália, atuando como polinizadores altamente eficientes que beneficiam diretamente a economia local. O tema ecoa a realidade do Brasil, onde morcegos e outras espécies nativas também são fundamentais para a silvicultura e a regeneração natural de grandes biomas, como a Amazônia e a Mata Atlântica. Uma nova pesquisa detalhou o impacto financeiro e ambiental desses animais na Oceania, que espalham sementes por milhares de quilômetros de distância, ajudando a regenerar ecossistemas inteiros, ao mesmo tempo em que enfrentam declínios populacionais severos devido às ondas de calor extremo no país.

De acordo com informações do Mongabay Global, o estudo científico, publicado em abril de 2026 na renomada revista acadêmica Scientific Reports, traz a primeira avaliação econômica aprofundada dos serviços prestados por essas espécies de morcegos no continente australiano.

Qual é o verdadeiro valor econômico das raposas-voadoras?

O foco principal do levantamento liderado por especialistas recaiu sobre os benefícios práticos para a indústria de madeira. O pesquisador Alexander Braczkowski explicou detalhadamente que as raposas-voadoras geram lucros financeiros substanciais que sustentam o setor.

“Podem ser responsáveis por gerar entre 271 milhões e 955 milhões de dólares australianos [US$ 190 milhões a US$ 668 milhões, o equivalente a cerca de R$ 950 milhões a R$ 3,3 bilhões na conversão direta] anualmente para a indústria madeireira australiana apenas através dos seus serviços de polinização.”

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Esses valores calculados no estudo, que são descritos pelos próprios autores como estimativas conservadoras, ainda não incluem o papel vital dos morcegos na saúde geral do ecossistema australiano ou as suas contribuições específicas para o sequestro de carbono na atmosfera. A análise espacial considerou a extensa área de forrageamento de quatro espécies nativas continentais: Pteropus poliocephalus, P. alecto, P. scapulatus e P. conspicillatus.

Cruzando uma vasta base de dados de 1.209 locais de descanso noturno, informações estas que foram compiladas e fornecidas pela agência nacional de ciência da Austrália, a equipe de cientistas constatou que a zona total de influência ambiental atinge até 41,4 milhões de hectares (414 mil quilômetros quadrados). Para efeito de compreensão do público brasileiro, essa dimensão territorial é maior que o estado de Goiás, e quase equivalente ao tamanho total do território da Suécia.

Como esses animais impactam a regeneração florestal?

Durante todas as noites, esses grandes morcegos, que possuem cerca de um metro de envergadura, cruzam os céus da região leste da Austrália em uma busca incessante por néctar e frutas frescas. Em seu trajeto noturno contínuo, eles transportam grandes quantidades de pólen e liberam uma verdadeira chuva de sementes através das suas fezes, o que promove o nascimento de novas árvores. O cientista Alfredo Ortega González, da renomada Universidade de Sydney, destacou a capacidade física incomparável da espécie durante as jornadas noturnas.

“Não há ave que consiga percorrer a distância que, em média, uma raposa-voadora consegue percorrer numa noite.”

O extenso levantamento detalhou especificamente o comportamento da raposa-voadora-de-cabeça-cinza (Pteropus poliocephalus), cujos indivíduos pesam cerca de 700 gramas. Ao cruzar as informações de 465 locais de descanso bem estudados com as vastas áreas de extração de eucalipto, cobrindo cerca de 36.038 quilômetros quadrados, os pesquisadores estimaram estatísticas impressionantes. A pesquisa revelou os seguintes dados sobre o impacto direto na silvicultura:

  • A dispersão ativa de sementes atinge longas distâncias territoriais.
  • A polinização noturna mantém a diversidade genética da flora australiana.
  • A espécie ajuda diretamente na regeneração de até 91,6 milhões de árvores a cada ano civil.

Quais são as principais ameaças enfrentadas pela espécie?

Apesar de seu valor financeiro e ecológico inestimável, as populações nativas enfrentam riscos críticos decorrentes dos intensos incêndios florestais e do severo estresse térmico. Durante eventos de calor extremo na região, algumas colônias registraram perdas demográficas drásticas. As estatísticas oficiais mostram que os eventos climáticos extremos ocorridos nos últimos anos dizimaram mais de 80% dos indivíduos em certas populações isoladas. O professor de ecologia animal Justin Welbergen, pesquisador da Western Sydney University, ressaltou a gravidade extrema da atual situação climática.

“Uma única tarde quente pode resultar em mortalidade à escala regional e em proporções bíblicas, com dezenas de milhares de raposas-voadoras mortas.”

Diante desse cenário ambiental preocupante, os pesquisadores argumentam enfaticamente que os morcegos frugívoros devem ser transformados em uma prioridade imediata nas políticas de conservação governamentais. O objetivo central do estudo liderado por Ortega González também visa combater a reputação injustamente negativa do animal, frequentemente visto como uma praga ruidosa e malcheirosa.

“Eles são realmente importantes, muito mais importantes do que o público em geral pode imaginar.”

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