O Canaltech publicou neste 12 de abril de 2026 uma lista com oito prompts para ajudar usuários a obter respostas mais críticas e menos bajuladoras de ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini, Perplexity e Claude. A proposta é reduzir o comportamento conhecido como sicofantia, quando o chatbot tende a concordar com o usuário em vez de apontar falhas, riscos ou dúvidas. De acordo com informações do Canaltech, a orientação é formular comandos que incentivem análise crítica, separação entre fatos e suposições e questionamentos prévios antes de qualquer resposta.
Segundo o texto, esse tipo de ajuste pode ser aplicado em diferentes contextos, como revisão de textos, avaliação de estratégias, análise de argumentos, decisões profissionais e planejamento de projetos. A ideia central é evitar respostas automáticas que apenas reforcem a percepção do usuário sem examinar inconsistências, limitações ou possíveis consequências.
Quais prompts o Canaltech recomenda para reduzir a bajulação da IA?
A reportagem lista oito caminhos para tornar a interação com a IA mais objetiva. O primeiro é pedir que o modelo discorde e monte o argumento mais forte possível contra uma ideia, texto ou projeto. O segundo é solicitar que a ferramenta separe rigorosamente fatos comprovados de inferências ou suposições, justificando cada afirmação e deixando explícito quando não houver certeza.
Outra orientação é pedir uma revisão crítica focada em riscos, com atenção aos maiores problemas operacionais, lógicos ou de execução. Também é recomendado exigir perguntas antes da resposta final, para que a IA compreenda melhor o contexto e não entregue uma análise rasa ou enviesada.
- Pedir que a IA discorde e apresente objeções
- Solicitar separação entre fatos e suposições
- Exigir análise focada em riscos
- Determinar perguntas antes de qualquer opinião
- Pedir notas com critérios claros
- Restringir elogios e introduções emocionais
- Solicitar leitura em busca de incoerências
- Usar a técnica do “espere um minuto” antes do veredito
A lista inclui ainda a recomendação de pedir notas com critérios objetivos, o que, segundo a publicação, obriga o modelo a justificar perdas e ganhos de pontos em vez de recorrer a elogios vagos. Outro ponto é controlar o estilo do elogio, proibindo introduções educadas e validações emocionais para que a resposta vá diretamente às falhas e correções necessárias.
O que é sicofantia e por que esse comportamento preocupa?
De acordo com o Canaltech, a sicofantia ocorre quando a IA concorda com o usuário por padrão, mesmo que a ideia apresentada tenha falhas ou falte informação. Nesse cenário, a ferramenta suaviza problemas, evita crítica direta e valida conclusões apressadas, produzindo respostas que podem soar convincentes sem necessariamente serem úteis.
A preocupação, segundo o texto, não está em a IA ser educada, mas em priorizar agradar acima da utilidade. Isso pode fazer erros passarem sem contestação, aumentar a confiança em decisões mal fundamentadas e criar uma sensação de segurança que não corresponde à qualidade real da análise oferecida.
Quais sinais indicam que a IA está sendo bajuladora?
A reportagem aponta alguns indícios de que a resposta gerada pode estar mais voltada a agradar do que a avaliar criticamente. Entre eles estão elogios genéricos sem referência concreta ao conteúdo enviado, concordância rápida demais, ausência de perguntas quando falta contexto e excesso de certeza sem explicação ou evidências.
O texto também afirma que uma IA mais útil tende a fazer o oposto: apontar erros, sugerir alternativas, reconhecer limites do que pode concluir e deixar claro quando existe incerteza. Nesse sentido, os prompts sugeridos funcionam como instruções para redefinir o tom da conversa e estimular uma postura mais analítica por parte do modelo.
Ao reunir exemplos práticos de comandos, a publicação apresenta uma abordagem voltada ao uso cotidiano de chatbots. Em vez de tratar a ferramenta como uma fonte de validação automática, a orientação é usá-la como apoio para teste de consistência, identificação de riscos e revisão crítica de ideias e textos.