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Projeto da Unicentro mapeia itinerários históricos e memória urbana de Irati

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A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) deu início às atividades do projeto “Percursos de Memória” no câmpus de Irati, no Paraná, com o objetivo de mapear itinerários históricos e valorizar o patrimônio cultural local. A iniciativa, que integra ensino, pesquisa e extensão, busca revelar narrativas urbanas que muitas vezes permanecem invisibilizadas no cotidiano da cidade, articulando o trabalho de acadêmicos e docentes dos cursos de História e Turismo.

De acordo com informações da Agência Paraná, a coordenação da atividade está a cargo da professora Nadia Maria Guariza. Ela explica que a inspiração para o trabalho surgiu de experiências consolidadas em outras localidades, como a capital paranaense, que utiliza percursos para trazer à tona memórias que não costumam integrar os registros oficiais das cidades, promovendo uma nova percepção sobre o espaço geográfico e social.

A equipe multidisciplinar responsável pela execução das atividades conta com os professores Alexandra Lourenço, Lucas Kosinski e Vânia Vaz, vinculados ao Departamento de História, além de Lucas Antoszczyszyn, do Departamento de Turismo. O grupo realizará levantamentos documentais, entrevistas e mapeamento físico de bens patrimoniais para elaborar roteiros com potencial educativo e turístico na região.

Como o projeto Percursos de Memória será executado em Irati?

O desenvolvimento das ações práticas envolve um cronograma que inclui pesquisas de campo e a fundamentação teórica por meio de palestras e mesas-redondas. Os pesquisadores pretendem identificar pontos de interesse que conectem o passado da região ao presente, permitindo que a comunidade local e visitantes compreendam a evolução urbana de Irati sob novas perspectivas. O projeto busca, essencialmente, aproximar a produção acadêmica das demandas da sociedade.

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Para sustentar a iniciativa, o grupo promoveu debates com profissionais que já implementaram roteiros semelhantes. Um dos destaques foi a participação de Sandro Fernandes, responsável pelo “Percurso Afro Curitiba”. O professor detalhou como a identificação de locais relacionados à presença negra é uma ferramenta de combate ao racismo e de valorização da história afro-brasileira, que abrange desde a Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio até manifestações contemporâneas como o grafite e o rap.

“Falar da presença afro-brasileira em Curitiba é fundamental porque é uma forma de enfrentar o racismo. A importância é justamente tirar da invisibilidade pessoas negras, tanto no passado quanto atualmente”, afirmou Sandro Fernandes.

Quais são as referências culturais utilizadas pela Unicentro?

Além da perspectiva histórica urbana, o projeto da Unicentro dialoga com a preservação de bens materiais e artísticos. Felipe Valente Zem, do Memorial Paranista, contribuiu com o debate ao relatar as experiências de visitas guiadas que unem artes visuais e meio ambiente. Segundo ele, despertar um olhar analítico sobre a cidade é essencial para que o público passe a valorizar o patrimônio cotidiano que, muitas vezes, passa despercebido.

A preservação da arquitetura típica também foi abordada pela fotógrafa Larissa Guimarães, que documenta há mais de dez anos as casas de madeira construídas por descendentes de imigrantes ucranianos em Prudentópolis. O registro visual, premiado internacionalmente, serve como um alerta para o desaparecimento dessas estruturas, que muitas vezes são substituídas por construções de alvenaria devido ao alto custo de manutenção e ação do tempo.

“Preservar a memória de um povo é honrar a saga dos nossos antepassados e tudo o que eles passaram para nós estarmos aqui”, destacou a fotógrafa Larissa Guimarães durante sua exposição no projeto.

Quais são as próximas etapas do mapeamento histórico?

A agenda do projeto prevê a realização de uma conferência no dia seis de maio, conduzida pela professora Alexandra Lourenço. O foco será o debate sobre as memórias da violência na região centro-sul do Paraná. Após essa etapa de aprofundamento teórico, os estudantes iniciarão efetivamente as incursões de campo para definir quais itinerários possuem viabilidade para implementação prática na cidade de Irati.

A intenção final da Unicentro é estabelecer parcerias sólidas com órgãos públicos para que os roteiros elaborados sejam integrados ao currículo das escolas locais e utilizados no atendimento ao público em geral. Ao fortalecer a identidade local e aproximar a universidade da comunidade, o projeto busca garantir que a história de Irati seja preservada e divulgada de forma científica e acessível.

  • Realização de levantamentos documentais e pesquisas de campo sistemáticas;
  • Condução de entrevistas com moradores e guardiões da memória local;
  • Elaboração de roteiros turísticos e educativos para uso público;
  • Estabelecimento de parcerias com órgãos municipais de cultura e turismo.

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