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Preços de energia no Reino Unido ainda devem cair pouco com plano de Ed Miliband

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O plano do governo do Reino Unido para reduzir a ligação entre os preços do gás e da eletricidade foi apresentado por Ed Miliband como uma medida para dar mais estabilidade ao mercado, mas a avaliação feita no artigo original é de que o impacto imediato nas contas de energia tende a ser limitado. A proposta foi discutida nesta terça-feira, no contexto da política energética britânica, e mira especialmente contratos antigos de projetos eólicos e solares. De acordo com informações do Guardian Environment, o governo não apresentou uma estimativa clara de quanto as contas podem cair.

Segundo o texto, a falta de projeções decorre de dois fatores centrais. O primeiro é que o efeito da medida só poderá ser medido com mais precisão quando projetos antigos de energia eólica e solar, que hoje operam sob subsídios herdados, forem transferidos no próximo ano para contratos com preço fixo. O segundo, apontado como mais relevante, é que a economia para os consumidores provavelmente não será expressiva no curto prazo.

Por que o preço da eletricidade está ligado ao do gás no Reino Unido?

O artigo afirma que uma das explicações recorrentes para as contas elevadas de energia no país é que o gás acaba definindo o preço da eletricidade. A proposta do governo busca justamente reduzir essa dependência, trocando parte da receita variável de geradores renováveis antigos por contratos por diferença, os chamados CfDs, com preço fixo.

Na prática, porém, a mudança descrita não equivale a uma reformulação completa do sistema. O texto diz que a ideia anunciada é uma versão diluída de uma proposta anterior, conhecida como “pot zero”, que previa uma renegociação mais ampla do regime de subsídios chamado renewables obligation, aplicado a parques eólicos e solares instalados antes de 2017.

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Nesse modelo mais amplo, os projetos antigos poderiam migrar para contratos fixos mais próximos dos valores praticados atualmente. Já no formato agora defendido pelo governo, os geradores continuarão recebendo apoio do regime renewables obligation da forma atual, com alteração apenas na parte da receita associada ao mercado atacadista de eletricidade.

Por que a redução nas contas pode ser modesta?

O ponto central levantado no artigo é que a parcela da receita que será convertida em valor fixo é justamente a que oscila mais quando o preço do gás sobe. Isso significa que a medida pode oferecer proteção maior em períodos de choque, ao reduzir a exposição a disparadas no mercado. Ainda assim, em condições normais, o ganho para o consumidor tende a ser moderado.

O texto usa como exemplo um parque eólico offshore antigo operando sob o regime renewables obligation. Segundo a análise, esse tipo de projeto recebe cerca de £130 por MW/h pelo subsídio, além do preço de atacado da eletricidade, que esteve em torno de £70 no último ano. Isso levaria a uma receita total próxima de £200 por MW/h, bem acima das £91 por MW/h obtidas por novos projetos offshore em contratos firmados após 2017, em leilão realizado no ano passado.

Se houvesse uma renegociação total do modelo antigo, a diferença entre esses valores poderia representar um corte mais relevante para o consumidor. Mas o artigo sustenta que esse não é o objetivo da proposta anunciada. Por isso, mesmo com uma eventual troca de uma receita variável de cerca de £70 por algo como £50 fixos, o efeito nas contas não seria transformador.

  • O plano pode aumentar a previsibilidade dos preços.
  • A medida reduz a exposição a picos causados pelo gás.
  • O corte imediato nas contas tende a ser limitado.
  • Projetos antigos ainda representam cerca de 30% da geração elétrica do Reino Unido.

O que especialistas apontam como limite da proposta?

O artigo cita Callum MacIver, da Universidade de Strathclyde e pesquisador do UK Energy Research Centre, para resumir a avaliação sobre a iniciativa.

“While the measures are very welcome, my personal view is that the near-term impact could be relatively modest. With good take-up, they have the potential to insulate electricity prices further from the impact of continued or future gas price shocks, which should be regarded as a win in its own right.”

“However, the failure to include the RO element feels like a potential missed opportunity for concrete bill reductions in the near term – particularly for businesses who didn’t benefit in the same way as households from the recent shift of 75% of RO costs from bills to general taxation.”

A interpretação apresentada é que o governo está, sobretudo, criando uma proteção contra oscilações extremas de preços, sem mexer de forma decisiva no nível estrutural das tarifas. O texto aponta que, para uma queda mais forte nas contas, seria necessário reduzir pagamentos a algum agente do sistema, algo que o governo aparentemente evita para não transmitir sinais negativos a investidores.

Quais outras medidas podem ter mais efeito no futuro?

Na avaliação do artigo, uma parte mais relevante do pacote anunciado pode estar na intenção de acelerar a adoção de veículos elétricos e bombas de calor. O argumento é que, embora o Reino Unido tenha ampliado sua capacidade de geração eólica e solar, o uso de tecnologias elétricas avançou de forma lenta.

O texto também observa que ainda não está claro qual será a abordagem efetiva de Miliband para a exploração no Mar do Norte. Essa definição dependerá, entre outros pontos, de futuras decisões sobre projetos como o campo de gás Jackdaw e o campo de petróleo Rosebank. Assim, a discussão sobre contas de energia no país continua ligada não só ao modo de produzir eletricidade, mas também à forma como ela será consumida nos próximos anos.

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