Em abril de 2026, os consumidores da cidade de São Paulo estão alterando seus hábitos de compra devido aos altos preços de itens tradicionais como ovos de chocolate e bacalhau. Como a capital paulista é o maior polo de consumo do país, esse comportamento reflete uma tendência nacional. De acordo com informações do portal UOL, os valores elevados levaram as famílias a buscar alternativas mais baratas nos supermercados e polos comerciais, com o objetivo de manter a tradição do feriado sem comprometer o orçamento doméstico diante da inflação.
Quais são as alternativas encontradas pelos consumidores para os ovos de Páscoa?
As visitas aos supermercados e lojas especializadas revelam que os ovos tradicionais estão significativamente mais caros do que outros formatos de chocolate, impacto direto da alta na cotação internacional do cacau. As unidades menores, com peso entre 80g e 120g, variam de R$ 20 a R$ 40. Por outro lado, opções maiores de marcas famosas ultrapassam facilmente a marca de R$ 100, chegando a custar R$ 109,99 em produtos de meio quilo.
Diante desse cenário, os compradores estão recorrendo a formatos alternativos. As caixas de bombom de 200g custam em torno de R$ 15, enquanto os pacotes de um quilo são comercializados por aproximadamente R$ 45. As barras de chocolate tradicionais podem ser encontradas a partir de R$ 5,99. Como consequência, as prateleiras dos supermercados já apresentam espaços vazios nos locais onde barras e bombons costumam ser expostos, indicando uma clara mudança na preferência de consumo.
Como a alta dos preços impactou as vendas de bacalhau e peixes?
O tradicional peixe da data, majoritariamente importado, também reflete a pressão inflacionária e cambial. Nos supermercados da capital paulista, os preços do bacalhau variam de R$ 130 a R$ 195 por quilo, com alguns estabelecimentos já relatando falta do produto em seus estoques. No Mercado Municipal da Lapa, tradicional polo de abastecimento na zona oeste de São Paulo, as iscas de bacalhau são a opção mais acessível, custando entre R$ 40 e R$ 50 o quilo. Em contrapartida, o corte premium do tipo Porto atinge R$ 220 por quilo nas peças maiores.
A analista de dados Daniela Silva exemplifica essa mudança de comportamento, relatando que a pesquisa de preços fez sua família alterar o cardápio.
Depois de muitos anos, a gente não vai fazer bacalhau porque está muito caro.
Para substituir o ingrediente principal da celebração, os consumidores estão adquirindo diferentes tipos de pescados mais acessíveis:
- Filé de tilápia a partir de R$ 21,90 (800g);
- Filé de panga por R$ 19,90 (500g);
- Filé de polaca por R$ 16,90 (500g);
- Sardinha congelada por R$ 12,90 (800g).
Qual é a perspectiva das empresas e do varejo tradicional?
Apesar dos custos elevados, o comércio de rua permanece como um ponto central para as compras do feriado. Diego Michel, gerente de um dos boxes do Mercado da Lapa, observa que a movimentação se concentra intensamente na Semana Santa, mas o volume geral de público diminuiu desde a pandemia. Para os visitantes, o consumo de pastéis e bolinhos de bacalhau no próprio local se tornou uma forma popular e barata de celebrar, aumentando a demanda por esses lanches em até 80%, segundo o gerente Gilvan Cândido. O azeite de oliva, outro item amplamente importado, também segue procurado, apresentando leve queda de valor em relação à safra anterior, que havia sido afetada por problemas climáticos na Europa.
No setor corporativo, a rede brasileira Cacau Show relata estabilidade operacional. Daniel Roque, vice-presidente de negócios, reconhece que a alta global nos preços da matéria-prima ainda impacta a indústria. No entanto, a empresa mantém um crescimento de aproximadamente 14% nas vendas, impulsionado pelo aumento na base de clientes que visitam as lojas. Os produtos infantis licenciados, com brindes atrelados, continuam liderando o faturamento e frequentemente esgotam dias antes do domingo festivo.
Para explicar a manutenção dos preços altos no varejo, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), indicador oficial de inflação apurado pelo IBGE, aponta que os valores das barras de chocolate e dos bombons subiram 24,87% nos 12 meses encerrados no último mês de março. Este dado oficial sublinha o desafio financeiro enfrentado pelas famílias brasileiras, de norte a sul do país, para preservar o consumo na data em meio à inflação dos alimentos.
