O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), apresentará em 16 de abril de 2026, em São Paulo, um programa econômico para sua eventual candidatura à Presidência da República. O pacote inclui jornada de trabalho remunerada por hora sem limite diário, privatização total de estatais, ampliação do Simples Nacional e uma reforma da Previdência com regra permanente.
De acordo com informações do Painel, da Folha de S.Paulo, o documento é coordenado pelo empresário Carlos da Costa, que atuou como secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade no Ministério da Economia durante o governo de Jair Bolsonaro.
O que prevê o plano econômico de Zema?
O programa tem como principal objetivo reduzir o chamado custo Brasil, expressão usada para descrever impostos, burocracia e outros entraves que encarecem a atividade produtiva no país. Entre as medidas está a privatização de todas as empresas estatais, incluindo as chamadas joias da coroa, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Outra proposta é a ampliação do teto do Simples Nacional, que hoje vale para empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O objetivo é permitir que mais companhias possam aderir ao regime simplificado de tributação.
Como o plano pretende mudar a relação entre trabalhador e governo?
O documento defende “libertar o trabalhador do governo” por meio de uma jornada de trabalho remunerada por hora, sem limite, acompanhada de desoneração total da folha salarial. A medida vai na direção oposta a propostas recentes de maior regulação das jornadas, como o fim da escala 6×1.
A gente tem um mantra: fazer o brasileiro prosperar e o dinheiro voltar a valer.
A afirmação é de Carlos da Costa. Ele argumenta que o brasileiro trabalha, mas não consegue prosperar, pois as despesas não cabem no bolso, e que o governo fica com grande parte do que o trabalhador produz, o que acaba empurrando as pessoas para a informalidade.
Qual a proposta para a Previdência?
O plano inclui uma reforma da Previdência “permanente”. A ideia é estabelecer uma regra fixa para ajustar o número de contribuintes em relação aos aposentados, considerando o aumento da expectativa de vida da população brasileira. O objetivo é evitar a necessidade de novas reformas a cada cinco ou dez anos.
Carlos da Costa coordena a parte econômica do programa e foi assessor de Paulo Guedes no governo anterior. Ele reconhece que, na gestão passada, não foram aproveitados os primeiros meses do mandato para implementar medidas mais polêmicas.
O que o plano diz sobre abertura comercial?
O programa de Zema defende uma abertura comercial total para o resto do mundo, com novos acordos sempre no âmbito do Mercosul, bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Também está prevista uma redução radical de gastos do governo, incluindo ministérios, com a justificativa de que “não vamos poupar as joias da coroa dos burocratas”.
O documento evita mencionar diretamente a desvinculação dos reajustes do salário mínimo e dos benefícios previdenciários, tema considerado politicamente delicado. Segundo Costa, caso as demais medidas gerem crescimento econômico, esse ponto perderia importância.
O lançamento oficial do programa está marcado para 16 de abril de 2026, em evento na cidade de São Paulo. Romeu Zema governa Minas Gerais desde 2019 e busca se viabilizar como nome do partido Novo para a disputa presidencial de 2026.
A proposta representa uma continuidade de ideias liberais defendidas por Paulo Guedes durante o governo Bolsonaro, com ênfase na redução do tamanho do Estado, na desregulamentação e na abertura da economia.


