O preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira, 24 de março de 2026, diante das incertezas sobre uma possível negociação entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, enquanto novos ataques militares foram registrados envolvendo Irã, Israel e forças americanas. De acordo com informações do G1 Economia, a valorização da commodity ocorreu após sinais contraditórios sobre contatos diplomáticos e em meio à continuidade da ofensiva militar na região. Para o Brasil, oscilações no petróleo costumam ser acompanhadas de perto porque podem afetar os preços dos combustíveis e os custos de transporte, com reflexos sobre a inflação.
Na manhã desta terça-feira na Ásia, o petróleo Brent voltou a ser negociado acima de US$ 100 por barril, depois de ter recuado mais de 10% na segunda-feira. Ao longo do dia, a cotação subiu 3,75%, a US$ 103,69, refletindo a desconfiança de investidores sobre a existência de negociações efetivas entre Washington e Teerã. O Brent é referência internacional para parte relevante do mercado e influencia o acompanhamento feito no Brasil sobre diesel, gasolina e frete.
O que alimentou a incerteza sobre um acordo entre EUA e Irã?
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que o Irã quer “muito fazer um acordo” e disse que poderia falar “provavelmente por telefone” com representantes iranianos. Segundo o texto original, veículos de imprensa relataram que o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner estariam em tratativas com Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano.
Em seguida, porém, uma conta no X atribuída a Ghalibaf afirmou que nenhuma negociação havia ocorrido com os EUA e classificou as informações como “fake news” para “manipular” os mercados de petróleo. Ao mesmo tempo, um funcionário de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse à CBS News que o país recebeu “pontos” dos EUA por meio de mediadores e que esse material estava sendo analisado. A emissora informou que isso representaria uma etapa anterior a negociações, sem confirmação de conversas em andamento.
Procurada pela BBC, a Casa Branca disse apenas que a situação é “fluida” e não apresentou detalhes adicionais sobre os contatos diplomáticos.
“Estas são discussões diplomáticas delicadas e os EUA não negociam através da imprensa”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em comunicado à BBC.
“Esta é uma situação fluida, e especulações sobre encontros não devem ser dadas como definitivas até que sejam formalmente anunciadas pela Casa Branca.”
Qual foi o impacto das falas de Trump sobre o mercado de petróleo?
Na segunda-feira, Trump havia sinalizado uma possível redução da escalada ao afirmar que adiaria a ameaça de atacar usinas de energia do Irã após “conversas boas” com Teerã. Essa declaração contribuiu para a queda do petróleo naquele dia. Já nesta terça-feira, a ausência de confirmação sobre negociações e a manutenção dos confrontos militares inverteram novamente o movimento dos preços.
Trump também disse que os dois países estariam discutindo 15 pontos para encerrar a guerra, com a renúncia do Irã a armas nucleares como prioridade. Antes de embarcar no Air Force One, em Palm Beach, na Flórida, ele afirmou que havia “uma chance muito séria de um acordo”, mas ressalvou que isso não era garantia.
“Nós também gostaríamos de fazer um acordo”, disse Trump a repórteres.
O presidente americano ainda declarou que havia suspendido por cinco dias qualquer ataque a usinas iranianas depois de, segundo ele, autoridades do Irã terem entrado em contato para buscar um acordo. No sábado, 21 de março, Trump havia afirmado que, se o Estreito de Ormuz não fosse aberto “sem ameaças” em 48 horas, os EUA “aniquilariam” as usinas de energia do país.
Como a situação militar evoluiu nas últimas horas?
Apesar das declarações sobre diplomacia, os ataques continuaram. Na madrugada de segunda para terça, o Irã lançou diversas ondas de mísseis contra Israel, causando danos a edifícios em Tel Aviv e na região central do país. No Líbano, a imprensa estatal informou sobre ataques de Israel a Beirute.
Israel também anunciou uma “grande onda de ataques aéreos” contra o que chamou de “infraestrutura do regime” em Teerã. As forças israelenses emitiram ainda um alerta para que moradores deixassem uma área de Beirute antes de um novo ataque contra alvos ligados ao Hezbollah.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse, após conversa telefônica com Trump, que o país continuará os ataques contra Irã e Líbano.
“Nós estamos destruindo o programa de mísseis e o programa nuclear. Vamos garantir nossos interesses vitais em qualquer cenário”, publicou Netanyahu no X.
Segundo o texto original, também houve relatos de novos bombardeios no leste de Teerã nesta terça-feira, 24 de março de 2026. Já o Comando Central dos EUA afirmou que seguirá “atacando agressivamente alvos militares iranianos com munições de precisão”.
Quais são os pontos centrais desta atualização?
- O petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril nesta terça-feira.
- O mercado reagiu à falta de clareza sobre negociações entre EUA e Irã.
- Trump afirmou haver chance de acordo, mas sem confirmação oficial de tratativas em andamento.
- A Casa Branca classificou a situação como “fluida”.
- Irã, Israel e EUA mantiveram ações militares na região.
O cenário, portanto, combina pressão geopolítica, sinais contraditórios sobre diplomacia e continuidade dos ataques, fatores que mantêm o mercado de petróleo sensível a cada nova declaração oficial e a cada desdobramento militar no Oriente Médio.
