A Agência Internacional de Energia (IEA) voltou a sinalizar nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, em Canberra, na Austrália, que pode liberar mais petróleo de estoques estratégicos caso a crise provocada pela guerra no Irã se agrave. A avaliação ocorre após uma retirada recorde aprovada em março pelos países membros da entidade, em meio à alta dos preços globais e às incertezas sobre a oferta. De acordo com informações do G1 Economia, a decisão sobre novas liberações dependerá das condições de mercado e de discussões entre os integrantes da agência. Para o Brasil, oscilações no preço internacional do petróleo costumam ter impacto sobre os combustíveis e sobre custos de transporte e produção, com reflexos na inflação.
O diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, afirmou durante um evento na capital australiana que a medida segue em análise e poderá ser adotada se houver necessidade. Segundo ele, a entidade vai observar o comportamento do mercado, examinar as condições de abastecimento e discutir eventuais ações com os países membros. A IEA reúne países consumidores de energia e atua na coordenação de respostas a choques de oferta no mercado internacional.
O que a agência internacional já fez para tentar conter a crise?
Em março, os países integrantes da IEA concordaram em liberar cerca de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas, na maior retirada já realizada pela agência. A iniciativa foi apresentada como resposta direta à escalada dos preços internacionais e ao quadro de incerteza gerado pelo cenário geopolítico.
Mesmo após essa ação, a avaliação da agência é de que o problema não foi resolvido. A liberação ajudou a reduzir parte da pressão sobre o mercado, mas os riscos ligados à oferta global de petróleo permanecem no radar, especialmente diante da instabilidade no Oriente Médio.
O que pode levar a uma nova liberação de estoques?
Birol afirmou que não existe um preço específico que, por si só, determine uma nova liberação de petróleo. A decisão, segundo ele, depende de uma análise mais ampla do mercado e de coordenação entre os países membros da IEA.
“Se for necessário, faremos isso. Vamos observar as condições, analisar os mercados e discutir com nossos países membros”, afirmou Birol.
Nos bastidores, a agência também mantém conversas com autoridades internacionais para coordenar possíveis respostas à crise. Essa estratégia não se limita ao uso de estoques estratégicos e inclui o acompanhamento das cadeias logísticas e da demanda global por energia.
Por que o Estreito de Ormuz é central nessa crise?
O contexto da crise envolve a importância do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de passagem de petróleo no mundo. Qualquer instabilidade na região tem potencial para afetar o abastecimento global e pressionar ainda mais os preços da commodity. Como o Brasil importa derivados e está inserido no mercado internacional de energia, movimentos bruscos nessa rota também podem influenciar o mercado interno.
“A solução mais importante para esse problema é a abertura do Estreito de Ormuz”, disse.
Ao comentar o cenário, Birol classificou a situação atual como mais grave do que crises anteriores e afirmou que o impacto sobre os mercados ainda estaria sendo subestimado. Segundo ele, os efeitos do conflito podem ser amplos e duradouros, com reflexos sobre a inflação e a atividade econômica em diversos países.
Quais são os principais fatores observados pela IEA?
A agência considera um conjunto de elementos antes de decidir por novas intervenções no mercado de petróleo:
- condições gerais de oferta e demanda global;
- nível de pressão sobre os preços internacionais;
- riscos logísticos associados ao conflito;
- coordenação política entre os países membros;
- impacto potencial sobre inflação e atividade econômica.
A nova sinalização da IEA mostra que a entidade mantém o tema sob monitoramento contínuo. Embora a liberação recorde de março tenha funcionado como resposta emergencial, a continuidade da crise no Irã e os riscos sobre rotas estratégicas de energia ainda sustentam a possibilidade de novas medidas para tentar estabilizar o mercado internacional de petróleo.