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Petrobrás é criticada por AEPET por exportação de petróleo e importação de derivados

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A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), por meio de seu presidente, Felipe Coutinho, criticou a Petrobrás e a estrutura do setor de óleo e gás no Brasil ao afirmar que o país ampliou, entre 2024 e 2025, um padrão de forte exportação de petróleo cru e de importação de derivados, como diesel e gasolina. A avaliação foi publicada em artigo repercutido em 15 de abril de 2026 e se baseia em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. De acordo com informações do Petronotícias, Coutinho sustenta que esse movimento reduz o valor agregado retido no país e amplia a participação de empresas estrangeiras nas exportações.

Segundo o texto, os números consolidados de 2024 e 2025 indicam novo recorde histórico de exportação de petróleo bruto em 2025, com mais de 700 milhões de barris embarcados e valor total de US$ 44,6 bilhões no ano. Embora abaixo do recorde de US$ 44,8 bilhões de 2024, o montante foi apontado como o segundo maior da série histórica apresentada. A crítica central da AEPET é que parte expressiva desse fluxo comercial não teria como principal beneficiário o Brasil, mas sim companhias petrolíferas, em sua maioria estrangeiras, que operam no território nacional.

O que dizem os dados sobre exportação de petróleo?

O levantamento citado no artigo mostra crescimento contínuo da exportação média diária de petróleo a partir do Brasil entre 2014 e 2025. A média passou de 518.908 barris por dia em 2014 para 1.922.850 barris por dia em 2025. Para Coutinho, esse avanço ocorreu ao mesmo tempo em que aumentou a presença de empresas estrangeiras no comércio externo do petróleo extraído no país.

No texto, ele afirma que a participação da Petrobrás nas exportações totais caiu ao longo dos anos. Os dados reproduzidos indicam que, em 2024, a estatal respondeu por 34% das exportações de petróleo a partir do Brasil, ante 66% das empresas estrangeiras. Em 2025, a participação da Petrobrás teria subido para cerca de 40%, enquanto as estrangeiras ficaram com 60%.

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“O dado mais relevante e mais escandaloso, é a crescente participação de empresas estrangeiras nas exportações de petróleo realizadas a partir do Brasil. Não se trata apenas de exportar petróleo cru, o que já é condenável do ponto de vista do desenvolvimento nacional. Trata-se de exportar petróleo cru por empresas que não são brasileiras.”

O artigo também cita empresas como CNPC, Equinor, Shell, ExxonMobil, TotalEnergies e Repsol entre as que operam no país e participam desse fluxo exportador. A argumentação de Coutinho é a de que, nesse modelo, o Brasil retém royalties e impostos, mas a parcela principal do valor agregado ficaria com Estados e acionistas no exterior.

Como ficam diesel e gasolina nessa balança?

Os números reunidos no material apontam que o Brasil seguiu como importador líquido de diesel entre 2014 e 2025, com volumes anuais de importação entre sete milhões e 17 milhões de m³, enquanto a exportação foi descrita como residual. Na gasolina A, o país também aparece como importador líquido em toda a série, com importações anuais entre 2,2 milhões e 4,8 milhões de m³, sempre acima das exportações.

Em 2025, segundo a tabela reproduzida, o país importou 17.092.575 m³ de óleo diesel e 3.496.727 m³ de gasolina A. No mesmo ano, exportou 728.843 m³ de diesel e 1.231.815 m³ de gasolina A. Para a AEPET, esses dados reforçam a avaliação de que o país vende petróleo cru em grande escala e recompra derivados de maior valor agregado.

  • Exportação de petróleo bruto acima de 700 milhões de barris em 2025
  • Importação de 17.092.575 m³ de óleo diesel em 2025
  • Importação de 3.496.727 m³ de gasolina A em 2025
  • Participação da Petrobrás em 40% das exportações em 2025, segundo o levantamento citado

Qual é a crítica da AEPET à atuação da Petrobrás e das multinacionais?

De acordo com o artigo, a AEPET afirma que a Petrobrás ainda responde por cerca de 89% da produção total de petróleo e gás no Brasil quando considerados todos os campos em que opera, inclusive em consórcios. Ainda assim, sua participação nas exportações seria menor porque parte relevante dessa produção é refinada no país. Já as multinacionais, segundo a entidade, exportariam quase tudo o que produzem por não possuírem unidades de refino no Brasil.

O texto informa que, em 2025, a Petrobrás exportou cerca de 765 mil barris por dia, o equivalente a aproximadamente 28% de sua produção total. Na avaliação de Coutinho, isso contrastaria com a estratégia das empresas estrangeiras que atuam no Brasil e direcionam a quase totalidade da produção ao mercado externo.

“Esse saldo positivo, no entanto, esconde uma estrutura perversa: são exportados petróleo cru de baixo valor agregado e importados derivados mais caros. A maior parte da balança comercial favorável beneficia as empresas exportadoras (em grande medida estrangeiras), não necessariamente o povo brasileiro.”

O artigo ainda menciona que o superávit comercial do setor de petróleo e derivados foi de aproximadamente US$ 35 bilhões em 2025. Mesmo com esse resultado, a crítica apresentada é que o saldo comercial positivo não eliminaria a dependência brasileira de derivados importados nem alteraria a concentração dos ganhos nas empresas exportadoras.

Que outros pontos foram destacados no levantamento?

Entre os elementos apontados no texto está a consolidação da Rússia como principal fornecedora de diesel ao Brasil no período mais recente, em substituição aos Estados Unidos. O artigo menciona esse movimento como um novo componente geopolítico da dependência brasileira de derivados, embora o trecho disponibilizado não detalhe os volumes por país.

Também foi informado que, no quarto trimestre de 2025, a China concentrou 53% do destino das exportações de petróleo da Petrobrás, seguida por Ásia, exceto China, com 19%, Europa com 15%, Estados Unidos com 3%, América Latina com 6% e África do Sul com 2%. No conjunto, o material reproduzido pelo Petronotícias apresenta a avaliação de Felipe Coutinho de que o padrão exportador brasileiro no setor de petróleo foi aprofundado nos últimos anos.

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