A Petrobras anunciou nesta semana investimentos de US$ 1,4 bilhão em três frentes: monitoramento sísmico no pré-sal, retomada das obras da fábrica de fertilizantes UFN-III e avanço do projeto Sergipe Águas Profundas (Seap). As medidas foram informadas pela companhia em iniciativas ligadas à produção de óleo e gás e à área de fertilizantes. De acordo com informações da MegaWhat, os aportes incluem recursos para o campo de Mero, na camada do pré-sal, para a unidade de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, e para o desenvolvimento de Seap, na Bacia de Sergipe-Alagoas.
No segmento de óleo e gás, a estatal informou que investirá, em conjunto com o consórcio de Libra, US$ 450 milhões em um projeto de monitoramento sísmico no campo de Mero. Segundo a empresa, trata-se da maior iniciativa desse tipo no mundo. O campo é um dos maiores produtores de petróleo do Brasil e está em fase de expansão da produção.
O que está previsto para o monitoramento sísmico em Mero?
Segundo a Petrobras, uma rede de sensores e instrumentos óticos será usada para monitorar o comportamento do reservatório em águas profundas. A companhia afirma que a iniciativa poderá otimizar o gerenciamento do campo e viabilizar maior produção sem aumento relevante de emissões.
A primeira fase do projeto incluiu a instalação de 460 quilômetros de cabos, cobrindo uma área de 222 km². Na segunda fase, a previsão é instalar mais 316 quilômetros de cabos em uma área de 140 km².
O consórcio de Libra é operado pela Petrobras e reúne ainda Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC, CNOOC e a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que exerce a gestão do Contrato de Partilha de Produção e representa a União na área adjacente ao campo.
Como ficou a decisão sobre o projeto Sergipe Águas Profundas?
A Petrobras também informou a decisão final de investimento relativa ao Seap I, no projeto Sergipe Águas Profundas, localizado na Bacia de Sergipe-Alagoas. De acordo com o texto original, o Seap II já havia tido sua decisão final de investimento tomada em dezembro de 2025. A companhia classifica o Seap como uma nova fronteira de gás para o país.
No total, o projeto deverá receber investimentos superiores a R$ 60 bilhões. A SBM Offshore venceu as licitações das plataformas de Seap I e II, que terão capacidade instalada para produzir até 240 mil barris de óleo por dia e processar 22 milhões de m³ de gás natural por dia. O início da produção de óleo está previsto para 2030, enquanto a exportação de gás está prevista para começar em 2031.
A Petrobras informou ainda que houve dificuldades na contratação dos FPSOs para o projeto, citando questões mercadológicas, cadeia de suprimentos e dificuldades de financiamento. O modelo adotado para as duas plataformas é o BOT, sigla em inglês para Build, Operate and Transfer.
- Projeto, construção, montagem e operação ficam a cargo da contratada por período inicial definido em contrato
- Depois desse prazo, as unidades são transferidas à Petrobras
O que muda com a retomada da UFN-III em Três Lagoas?
Na área de fertilizantes, a Petrobras anunciou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, a UFN-III, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. O investimento estimado para a conclusão da unidade é de cerca de US$ 1 bilhão, e o início das operações comerciais está previsto para 2029.
Com a aprovação final, a companhia informou que dará sequência à assinatura dos contratos necessários para a retomada das obras, prevista ainda para o primeiro semestre deste ano. A capacidade nominal da unidade está projetada em cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, das quais 180 toneladas serão excedentes e destinadas à comercialização.
Segundo a Petrobras, a unidade está em localização estratégica, próxima de mercados consumidores desses produtos. A produção deverá ser destinada majoritariamente aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
Com os anúncios, a estatal detalha o avanço simultâneo de projetos em exploração e produção de petróleo, expansão da infraestrutura de gás e retomada da produção de fertilizantes, com cronogramas que se estendem até o fim da década.