Um levantamento estatístico contratado pela Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) e executado pelo Instituto IRG Pesquisas demonstrou a relevância do sistema de transporte coletivo para a produtividade da Região Metropolitana de Curitiba. Segundo os dados coletados, 74,7% dos passageiros utilizam os ônibus metropolitanos como principal meio de deslocamento para o trabalho, consolidando o serviço como um pilar estratégico para a mobilidade urbana e a economia regional.
De acordo com informações da Agência Paraná, o estudo foi conduzido entre os dias cinco e 20 de novembro de 2025. A equipe de entrevistadores realizou 2.001 abordagens em terminais e pontos de embarque e desembarque estratégicos, ouvindo usuários com idade a partir de 16 anos. A pesquisa apresenta uma margem de erro de 2,3% e um nível de confiança de 95%, tendo sido apresentada oficialmente nesta quinta-feira, 23, para técnicos da Diretoria de Transportes e representantes das empresas operadoras.
Qual é o perfil de deslocamento dos passageiros na Região Metropolitana de Curitiba?
A pesquisa detalha que o transporte coletivo metropolitano não cumpre apenas uma função social, mas possui uma adesão sólida e frequente por parte da população. Mais de 50% dos entrevistados afirmaram utilizar o sistema com alta recorrência durante a semana. Esse comportamento reforça que a malha de transporte é o eixo central que conecta as zonas residenciais aos polos de serviços e indústrias da Grande Curitiba, garantindo o fluxo diário de mão de obra.
Embora a capital, Curitiba, permaneça como o destino central de mais da metade das viagens registradas, o levantamento aponta para uma tendência de descentralização econômica. Cidades como São José dos Pinhais e Araucária aparecem no estudo como polos regionais em ascensão, atraindo um volume crescente de trabalhadores de municípios vizinhos. Essa dinâmica exige, segundo os técnicos, uma gestão integrada que considere fluxos transversais entre as cidades da região, e não apenas o modelo radial direcionado ao centro da capital.
Como os usuários avaliam a qualidade do transporte metropolitano atualmente?
Além de mapear as rotas e motivações, o Instituto IRG Pesquisas questionou os passageiros sobre a percepção de qualidade do serviço prestado. O atendimento oferecido pelos motoristas obteve o maior índice de aprovação, com 79% de satisfação. A velocidade das viagens, fator crítico para quem utiliza o sistema para trabalhar, foi bem avaliada por 75,3% dos usuários, enquanto as facilidades e formas de pagamento disponíveis alcançaram 72% de avaliações positivas.
Os indicadores de satisfação são utilizados pela gestão estadual para calibrar investimentos e identificar gargalos na operação. O monitoramento constante desses índices permite que a Amep ajuste horários e frotas conforme a demanda oscila entre os diferentes municípios integrantes do sistema. A análise dos dados sugere que a percepção de eficiência está diretamente ligada à previsibilidade do tempo de percurso e à facilidade de acesso ao sistema de bilhetagem.
Quais são os próximos passos para a gestão da mobilidade na RMC?
Para o diretor-presidente da Amep, Gilson Santos, os números confirmam a responsabilidade da agência em manter a continuidade das melhorias estruturais. O gestor enfatizou que o foco deve ser a eficiência operacional para atender quem depende do ônibus para garantir sua renda.
“O transporte metropolitano tem um papel fundamental na vida das pessoas, especialmente quando observamos que a grande maioria utiliza o sistema para trabalhar. Isso mostra que estamos falando de um serviço essencial, que impacta diretamente a economia e a qualidade de vida da população. Os resultados da pesquisa também indicam avanços importantes, especialmente na avaliação dos motoristas e da operação, e nos dão subsídios para seguir aprimorando o sistema”
A Amep informou que os pontos de melhoria identificados na pesquisa servirão como base para o planejamento de novos investimentos. Entre as prioridades derivadas do estudo estão:
- Aprimoramento da integração tarifária entre municípios limítrofes;
- Otimização de rotas em polos de crescimento como Araucária e São José dos Pinhais;
- Manutenção dos níveis de treinamento para condutores e equipes de bordo;
- Investimento em tecnologias que agilizem o embarque e o tempo total de viagem.
Os resultados consolidados permitem que o governo estadual e as prefeituras trabalhem em conjunto para garantir que o sistema suporte o crescimento econômico da região. Com uma amostra robusta de 2.001 entrevistas, o levantamento oferece segurança estatística para que as futuras decisões sobre infraestrutura de transporte na Região Metropolitana de Curitiba sejam baseadas em dados reais de uso e satisfação.