Peça Hamlet com Gabriel Leone ressignifica as ruínas do antigo Cine Copan - Brasileira.News
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Peça Hamlet com Gabriel Leone ressignifica as ruínas do antigo Cine Copan

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A cidade de São Paulo abriga uma montagem teatral inovadora onde o espaço físico dita as regras do espetáculo. A peça “Hamlet, Sonhos que Virão”, protagonizada por Gabriel Leone e dirigida por Rafael Gomes, transforma as ruínas do antigo Cine Copan, localizado no icônico edifício projetado por Oscar Niemeyer, em um cenário imersivo. A temporada, que se estende até o dia 3 de maio de 2026, subverte a lógica tradicional ao colocar o público no local onde ficava a tela, enquanto a ação se desenrola pelo declive da antiga plateia. De acordo com informações do UOL Notícias, a decadência arquitetônica do edifício atua como um espelho para a paralisia moral contemporânea.

Como a arquitetura do edifício influencia a atuação do elenco?

O ambiente destruído funciona como um interlocutor ativo na dramaturgia. As vigas expostas, as paredes descascadas e o ruído do sistema de climatização criam uma atmosfera na qual os atores parecem sobreviventes de um naufrágio. O protagonista de 32 anos recusa uma abordagem clássica para o príncipe da Dinamarca. Utilizando sua preparação prévia, o ator alterna entre a hesitação intelectual e a explosão física, por vezes sussurrando entre os espectadores e, em outros momentos, preenchendo a vastidão do espaço com ecos de sua própria voz.

O restante do elenco também absorve o impacto do ambiente sob a orientação do diretor. A atriz Samya Pascotto interpreta uma Ofélia que foge do estereótipo de passividade, entregando uma performance que soa como um protesto contra a brutalidade. Já Susana Ribeiro e Eucir de Souza, nos papéis de Gertrude e Cláudio, caminham com a carga de quem vive em uma ordem corrompida. O contraste entre os figurinos opulentos criados por Alexandre Herchcovitch e o ambiente cru ressalta essa profunda dualidade.

Quais são as escolhas estéticas e de movimento na encenação?

A direção de movimento, assinada por Fabrício Licursi, assegura que os 13 atores em cena explorem escadarias e passarelas como reflexos físicos de seus conflitos emocionais. Essa escolha coreográfica estabelece um clima constante de vigilância e conspiração, que permanece evidente até mesmo nos momentos de silêncio absoluto entre as falas do elenco.

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O uso da iluminação por Wagner Antônio complementa essa estética sem tentar suavizar a deterioração do local. As manchas de infiltração nas paredes ganham contornos dramáticos, e o jogo de sombras oculta ou revela os personagens conforme a necessidade da cena. O resultado é um espetáculo focado na resiliência, onde o texto clássico toma posse do espaço abandonado e transforma as limitações em força narrativa.

O que motivou a adaptação do clássico para um cinema abandonado?

A concepção do espetáculo, elaborada por Rafael Gomes e Bernardo Marinho, buscou desde o princípio uma relação profunda com o local. O subtítulo da obra reflete essa vontade de dialogar com o que restou de um antigo templo da imaginação. Sobre o processo criativo, o diretor explicou a motivação central da montagem:

O desejo que moveu esse projeto sempre foi o de realizar uma encenação site-specific, nas ruínas de um cinema abandonado – portanto, um antigo palácio da cultura, um templo da imaginação e de seus universos possíveis.

A equipe optou pela tradução concebida por Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harrington. A fluidez desse texto foi essencial para a comunicação direta com o público em um espaço de proporções tão gigantescas, garantindo que a complexidade da obra não fosse perdida no eco do edifício paulistano.

Qual é a relevância política da obra no contexto atual?

Embora a obra original carregue um peso político inegável, a atual montagem opta por destacar o enigma do desejo e os bloqueios emocionais. Questionado sobre como essa abordagem reflete os dias atuais, o diretor destacou a atemporalidade dos conflitos do protagonista, independentemente de um contexto histórico ou geográfico específico. O encenador detalhou sua visão sobre o personagem:

Existir, afinal, é um exercício de política. Este protagonista dilacerado entre um projeto de futuro e o fardo do passado, com seu enorme desejo de vida sendo atravessado por circunstâncias que demandam dele a brutalidade e a violência, essa é uma trama contemporânea a qualquer momento do mundo.

Para os interessados em vivenciar essa imersão teatral no centro da capital paulista, a produção estabeleceu uma estrutura específica para a temporada prorrogada. Os detalhes práticos para o público que deseja acompanhar o espetáculo incluem:

  • Localização: Nu Cine Copan, na Avenida Ipiranga, número 200, na região central de São Paulo.
  • Dias e horários: quartas e sextas às 20h; quintas às 17h e 20h30; sábados às 16h e 20h; e domingos às 17h.
  • Duração da peça: 175 minutos, executados de forma contínua sem intervalo.
  • Valores dos ingressos: as entradas variam de R$ 25 a R$ 250.
  • Classificação indicativa: o conteúdo é recomendado para espectadores a partir de 14 anos.

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