
Neste início de abril de 2026, o Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, sediado em Belém e reconhecido como o primeiro parque tecnológico da região Norte do Brasil, consolidou-se como um centro estratégico para a melhoria da cadeia produtiva do cacau e do chocolate em território paraense. Por meio do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (Cvacba), laboratório vinculado à Universidade Federal do Pará (UFPA), o complexo oferece serviços de certificação que analisam critérios rigorosos de sabor, aroma, cor e textura das amêndoas. De acordo com informações da Agência Pará, o estado é o maior produtor nacional do fruto, respondendo por mais de 51% do total produzido no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Como o PCT Guamá atua na certificação da qualidade do cacau?
O suporte técnico e científico oferecido no parque é fundamental para garantir que a matéria-prima recebida de diversas localidades do Pará seja segura e adequada para a fabricação de chocolates finos e comerciais. O laboratório Cvacba atua em colaboração direta com empresas, associações e produtores rurais para solucionar gargalos técnicos. O foco das análises reside no controle de qualidade de produtos de origem vegetal, abrangendo áreas como ciência de alimentos, farmacêutica, química e biotecnologia.
Quais tecnologias inovadoras estão sendo aplicadas no setor cacaueiro?
Um dos avanços mais significativos desenvolvidos no laboratório é a aplicação de métodos não invasivos para avaliar a fermentação das amêndoas, um processo crítico para a qualidade final do chocolate. O pesquisador do centro, Hervé Rogez, explica que o uso de tecnologias ópticas permite uma avaliação precisa sem a necessidade de destruir a amostra.
A gente traz o problema para o laboratório e desenvolve uma solução. É um desafio, por exemplo, lidar com diferentes graus de fermentação das amêndoas de cacau. Como é impossível, a olho humano, identificar se uma amêndoa é bem fermentada ou não, desenvolvemos um método rápido que, com um tipo de câmera especial, permite visualizar o interior das amêndoas sem precisar abri-las e já saber se foram corretamente fermentadas, mal fermentadas ou não fermentadas.
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Qual é o impacto dos compostos bioativos na produção de chocolate?
Além da fermentação, a pesquisa científica no PCT Guamá investiga as propriedades benéficas do cacau para a saúde humana. Estudos conduzidos pela pesquisadora Giulia Lima mapearam a presença de substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias no fruto e em seus derivados, como manteiga e chás. O objetivo é orientar produtores na escolha de amêndoas que resultem em produtos com maior valor agregado e benefícios funcionais.
Trabalhamos avaliando as amêndoas provenientes dos produtores e conseguimos analisar características de qualidade, como a quantidade de manteiga de cacau. Também desenvolvemos pesquisas inovadoras que permitem avaliar os compostos bioativos do cacau, que podem trazer benefícios à saúde, como atividades anti-inflamatórias e antioxidantes. O papel do Cvacba é apoiar os produtores nas análises e contribuir para a geração de novos produtos a partir do cacau e de seus subprodutos.
Como o suporte técnico beneficia a bioeconomia do Pará?
A iniciativa do Cvacba também estimula a bioeconomia regional ao incentivar o aproveitamento integral do fruto, reduzindo o desperdício. O laboratório realiza pesquisas com resíduos que antes seriam descartados, fortalecendo a sustentabilidade do agronegócio paraense. Entre os serviços prestados pelo centro, destacam-se:
- Análise sensorial e físico-química de amêndoas;
- Certificação de origem e qualidade para o setor privado;
- Desenvolvimento de ingredientes nutricionais e bioativos;
- Pesquisa tecnológica aplicada à cosmética e fármacos.
Para produtores interessados em acessar os serviços de análise ou realizar visitas ao centro tecnológico, o atendimento é centralizado pela Fundação Guamá, gestora do parque. O contato pode ser estabelecido via canais eletrônicos oficiais ou por telefone, facilitando o diálogo entre a academia e o setor produtivo de chocolate na Amazônia.