A Polícia Civil do Paraná (PCPR) realizou a prisão em flagrante de dois homens, de 47 e 56 anos, suspeitos de integrar um esquema interestadual de estelionato. A ação policial ocorreu na quarta-feira (15), no município de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Os indivíduos são investigados por aplicar o chamado “golpe da herança”, uma modalidade de crime que vitima majoritariamente pessoas idosas em diferentes regiões do Brasil.
De acordo com informações da Agência Paraná, o trabalho investigativo revelou que os suspeitos abordavam as vítimas com a falsa premissa de que elas teriam valores significativos a receber decorrentes de heranças desconhecidas. Para dar veracidade à fraude, os criminosos utilizavam argumentos técnicos e solicitavam pagamentos antecipados para a conclusão dos trâmites burocráticos.
Como funcionava a abordagem do golpe da herança contra idosos?
O método utilizado pela dupla consistia em convencer os idosos de que existiam quantias pendentes em seus nomes. Após ganhar a confiança das vítimas, os suspeitos alegavam que, para a liberação definitiva do montante, era estritamente necessário o pagamento de taxas administrativas, custas processuais ou impostos de liberação. Esses valores deveriam ser depositados em contas indicadas pelos investigados antes que o suposto benefício fosse transferido.
As autoridades explicam que a abordagem era feita de forma persuasiva, explorando a vulnerabilidade dos alvos. Segundo o delegado da PCPR, Thiago Teixeira, a estrutura do golpe era desenhada para que a vítima acreditasse estar realizando um investimento necessário para obter um lucro muito superior, o que facilitava a transferência de quantias expressivas em curto espaço de tempo.
Quais foram os prejuízos identificados durante a investigação?
O levantamento realizado pelos agentes de segurança aponta que as atividades criminosas geraram danos financeiros consideráveis em diferentes localidades. Na terça-feira (14), uma vítima foi localizada em Paranaguá, no Litoral paranaense, tendo sofrido um prejuízo de R$ 11 mil. Já no dia seguinte, a ocorrência registrada em Quatro Barras, que culminou na prisão da dupla, envolveu uma perda financeira de R$ 9,9 mil.
A extensão do crime, no entanto, ultrapassa as fronteiras do Paraná. O delegado Thiago Teixeira destacou que o modo de operação é idêntico a casos registrados em outras unidades federativas. Em um dos episódios citados pela investigação, um registro efetuado no Rio de Janeiro, em 2025, indicou um prejuízo de R$ 100 mil para uma única vítima, reforçando a tese de que a dupla atuava de maneira profissional e recorrente.
As investigações apontam que os suspeitos atuavam de forma semelhante em outros estados. Em 2025, um caso foi registrado no Rio de Janeiro, com prejuízo de R$ 100 mil.
Qual o próximo passo das investigações da Polícia Civil?
Após a captura em flagrante, os dois homens foram devidamente encaminhados ao sistema penitenciário, onde permanecem à disposição do Poder Judiciário. A Polícia Civil mantém os trabalhos de inteligência ativos com o objetivo de alcançar os seguintes pontos:
- Identificar outras possíveis vítimas que ainda não registraram ocorrência;
- Apurar a extensão total dos danos financeiros causados pela dupla;
- Verificar a existência de outros cúmplices ou de uma rede estruturada de estelionato;
- Consolidar as provas colhidas em diferentes estados para instrução dos processos criminais.
A PCPR reforça a importância de que cidadãos que tenham sido abordados com propostas semelhantes procurem as autoridades para formalizar a denúncia. Os acusados devem responder pelo crime de estelionato, mantendo-se a presunção de inocência até o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.