A “Sintonia do Progresso” é um dos setores estratégicos do Primeiro Comando da Capital (PCC), concentrando atividades de alto lucro dentro da organização criminosa. De acordo com investigações da polícia, o grupo é responsável principalmente pelo gerenciamento do tráfico de drogas em grande escala. A atuação envolve a logística de envio e distribuição de grandes quantidades de entorpecentes para diferentes regiões e estados, além do controle de rotas utilizadas para o transporte da droga, como a chamada “rota caipira” e a entrada de entorpecentes pela Bolívia.
De acordo com informações do IG, além do tráfico, a “Sintonia do Progresso” também é apontada como responsável pela coordenação de roubos estruturados, incluindo ataques a bancos, conhecidos no meio criminoso como “novo cangaço” e roubos de carga. As autoridades apontam que este é um dos núcleos financeiros mais relevantes da facção, por concentrar atividades que movimentam grandes quantias de dinheiro.
No PCC, o termo “sintonia” é utilizado para designar departamentos internos, cada um com funções específicas. Essa divisão de tarefas faz parte da estrutura organizacional do grupo e permite que a facção mantenha suas atividades mesmo quando integrantes da liderança são presos.
Quem são os integrantes da ‘Sintonia do Progresso’?
As investigações apontam para alguns nomes que integram a “Sintonia do Progresso”, desempenhando funções cruciais na engrenagem financeira da organização criminosa. Entre eles, destacam-se Silvio Luiz Ferreira, Ulisses Scotti de Toledo e Jose Carlos Matias Alves.
- Silvio Luiz Ferreira: Conhecido como “Cebolinha” e “Arrepiado”, era sócio da empresa de ônibus UPBus Qualidade em Transporte S/A. Apontado como foragido da Justiça há 11 anos, é considerado um dos controladores da empresa e ocupa um posto de chefia no PCC, integrando a “Sintonia Geral do Progresso”. A investigação da ‘Operação Fim da Linha’ identificou movimentação superior a R$ 732 milhões entre 2020 e 2022, considerando todos os investigados.
- Ulisses Scotti de Toledo: Conhecido como Lelê, é mencionado em pelo menos 21 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Segundo o organograma divulgado pela Polícia Civil de São Paulo, ele integra a chamada “Sintonia do Progresso”. Lelê teria participado do planejamento de ações contra autoridades políticas de alto escalão, incluindo o ex-juiz e senador Sergio Moro, além dos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco.
- Jose Carlos Matias Alves: Conhecido como Dedinha, Deda, Polegar e Barriga, está preso e é mencionado em pelo menos 25 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). De acordo com as investigações, ele integra o chamado “Setor Progresso”, apontado como responsável pela articulação de ações no sistema prisional.
Qual o papel da ‘Sintonia do Progresso’ no esquema do PCC?
A “Sintonia do Progresso” desempenha um papel central na estrutura do PCC, atuando como um dos principais braços financeiros da organização. Suas atividades abrangem desde o gerenciamento do tráfico de drogas em grande escala até a coordenação de roubos estruturados, como ataques a bancos e roubos de carga. Essa diversificação de atividades criminosas permite que a facção mantenha um fluxo constante de recursos financeiros, mesmo diante da prisão de seus líderes.
Como a polícia investiga as ações da ‘Sintonia do Progresso’?
As investigações sobre a “Sintonia do Progresso” envolvem o rastreamento de movimentações financeiras, a análise de dados de inteligência e a coleta de depoimentos de testemunhas e colaboradores. A ‘Operação Fim da Linha’, por exemplo, focou no setor financeiro da facção e identificou movimentações milionárias entre os investigados. Além disso, a Polícia Civil de São Paulo divulgou um organograma que detalha a estrutura e os integrantes da “Sintonia do Progresso”, auxiliando na identificação e responsabilização dos envolvidos.