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Parque Nacional de Upemba relata ataque que deixou sete mortos na RD Congo

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Um ataque ao quartel-general do Parque Nacional de Upemba, no sul da República Democrática do Congo, deixou sete mortos em 3 de março e provocou danos severos às instalações, segundo relatos de funcionários ouvidos após a ofensiva. De acordo com informações da Mongabay Global, o grupo que assumiu a autoria disse que a ação fazia parte de uma campanha separatista ligada à região de Katanga, onde o parque está localizado.

O caso chama atenção também fora da África por envolver a segurança de uma unidade de conservação em meio a conflito armado. No Brasil, parques nacionais e outras áreas protegidas também dependem de estrutura de vigilância e fiscalização para conter crimes ambientais, embora em um contexto distinto do vivido na República Democrática do Congo.

A diretora do parque, Christine Lain, afirmou que ouviu disparos pouco antes das seis da manhã de 3 de março e, a princípio, pensou se tratar de um exercício de segurança. Segundo ela, a intensidade dos tiros rapidamente mostrou que não era um treinamento. O episódio deu início a horas de violência no complexo administrativo, com mortos, feridos, saques e destruição de estruturas.

O que funcionários do parque disseram sobre o início do ataque?

Segundo a reportagem, Upemba já convivia com ameaças de segurança e seus guardas florestais enfrentavam milícias locais havia anos. Em janeiro, a equipe de segurança havia realizado exercícios de combate na sede como parte de um planejamento de contingência para um eventual ataque. Ainda assim, a escala da ofensiva de março surpreendeu a administração do parque.

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“Percebemos imediatamente que a intensidade dos disparos era tão alta que certamente não se tratava de um treinamento”, disse ela à Mongabay, em entrevista por telefone a partir de Lubumbashi.

Lain relatou que o ataque culminou em uma provação de 12 horas. De acordo com o texto original, além dos sete mortos mencionados no balanço inicial, três guardas florestais e sete funcionários civis do parque morreram, enquanto a sede foi saqueada. A matéria também informa que o parque, administrado pela organização sem fins lucrativos Forgotten Parks em conjunto com o órgão congolês ICCN, já havia perdido funcionários em episódios violentos anteriores.

Quem assumiu a autoria da ofensiva em Upemba?

Um grupo separatista até então desconhecido, identificado como Mouvement Debout Katanga Pour La Liberation du Congo, ou MDKC, reivindicou a ação. Em comunicado citado pela Mongabay, o movimento descreveu o ataque como parte de um desafio político ao governo do presidente Félix Tshisekedi. O governo em Kinshasa associou publicamente o caso ao grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, mas, segundo a reportagem, não detalhou qual seria a conexão.

A ofensiva ocorre em meio ao conflito no leste da República Democrática do Congo, onde as forças armadas do país, as FARDC, seguem em confronto com o M23. A reportagem destaca que o episódio em Upemba alimenta temores de expansão da violência para o sul e de risco para os esforços de conservação desenvolvidos no parque. Para o leitor brasileiro, o episódio ilustra como áreas protegidas podem ser afetadas por crises de segurança e instabilidade política, comprometendo a proteção da biodiversidade e o trabalho de servidores e equipes de campo.

Como os atacantes agiram, segundo os sobreviventes?

Lain afirmou que os invasores pareciam mais agressivos e mais bem armados do que outras milícias já encontradas dentro do parque. Segundo ela, o grupo usava não apenas fuzis AK-47, mas também metralhadoras PK. Maxime Devolder, chefe de desenvolvimento de Upemba e cidadão belga, disse à Mongabay que uma ala de cerca de 20 homens parecia mais disciplinada e coordenada do que combatentes Mai-Mai normalmente vistos na região.

“Eles vestiam uniformes militares pretos com botas e chegaram com equipamentos de borracha, preparados para a chuva. Tinham mochilas e armas novas”, disse ele.

Na data do ataque, o parque tinha 256 guardas florestais designados, mas apenas 40 guardas armados estavam presentes na sede, de acordo com a reportagem. Diante de uma força que Lain estimou ter ao menos 80 integrantes, a maioria recuou, e apenas um pequeno grupo permaneceu na defesa do restante da equipe.

  • O ataque começou pouco antes das seis da manhã de 3 de março.
  • Funcionários relataram busca por armas, munições e equipamentos.
  • Sobreviventes disseram que prédios foram saqueados.
  • Parte da equipe se escondeu no telhado para escapar dos invasores.

Como funcionários e sobreviventes tentaram escapar?

Depois do início dos tiros, Lain e cerca de dez funcionários que estavam no centro de comando tentaram encontrar uma rota de fuga. Quando a linha de defesa foi rompida, porém, dois guardas feridos os orientaram a procurar um esconderijo. Um a um, eles subiram por uma prateleira até um vão no telhado do edifício, onde permaneceram em silêncio enquanto os invasores revistavam o local em busca de armamentos e equipamentos.

“Eles entraram e começaram a verificar e saquear tudo, mas não checaram o telhado”, disse ela.

Segundo Lain, em determinado momento os invasores estavam tão próximos que era possível ouvir a conversa deles. Ela relatou que eles a procuravam e também buscavam o depósito de armas. Devolder, que foi feito refém e depois liberado, disse ter ouvido que os invasores queriam falar com a diretora para exigir o fim de ações contra Mai-Mai ou caçadores ilegais e a interrupção do recrutamento de funcionários.

Os sobreviventes permaneceram escondidos até as 14h, quando ouviram o comandante de aplicação da lei do parque chamar por pessoas ocultas. Ao deixarem o esconderijo, começaram a prestar primeiros socorros aos feridos, mas logo voltaram a ser alvos de disparos quando um veículo com invasores retornou ao local para continuar o saque. Sob tiros, o grupo correu por um campo enlameado em direção a uma linha de árvores, aproveitando a vegetação alta do período chuvoso para tentar escapar.

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