O **Governo do Paraná** lançou o programa **Nexus Inovação Aberta**, uma iniciativa estratégica que destina R$ 20 milhões para o desenvolvimento de soluções em genômica aplicada ao agronegócio paranaense. A ação visa integrar o conhecimento científico produzido em universidades às demandas reais do setor produtivo, financiando projetos de até dez empresas âncoras sediadas no estado. De acordo com informações da Agência Paraná, as propostas podem ser enviadas até o dia três de julho, com a participação obrigatória de startups de base tecnológica e instituições de pesquisa como parceiras.
O programa é coordenado pela **Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti)**, em conjunto com a **Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia)**, a **Fundação Araucária** e o **Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE)**. A estrutura da chamada pública também contou com o apoio técnico da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao governo federal. O objetivo central é consolidar uma rede multissetorial que transforme a pesquisa acadêmica em inovação aplicada, aumentando a competitividade do campo paranaense no mercado global.
Como funciona o financiamento do programa Nexus?
Cada projeto selecionado poderá receber um aporte de até R$ 2 milhões para o desenvolvimento de tecnologias disruptivas. Para participar, as empresas âncoras devem possuir sede no Paraná e apresentar uma receita bruta anual igual ou superior a R$ 4,8 milhões. O modelo de financiamento exige uma contrapartida mínima de 5% por parte das empresas, com um prazo de execução de até dois anos para os projetos, permitindo uma prorrogação de mais seis meses caso necessário. Na fase inicial, o estado selecionará até 20 propostas, mas apenas dez receberão o recurso financeiro direto.
O secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, destacou que a iniciativa aproxima os desafios reais das empresas da excelência científica das universidades paranaenses. Segundo o gestor:
O Paraná avança de forma decisiva ao conectar os desafios reais do setor produtivo à pesquisa científica, como o melhoramento genético de produtos, aproximando o conhecimento acadêmico das necessidades empresariais, para que tenhamos a ciência como um motor de desenvolvimento para todo o Estado.
Quais são as áreas prioritárias do edital de genômica?
O edital abrange diversas subáreas da biotecnologia e análise de dados que são consideradas vitais para a modernização do agronegócio. Os projetos devem focar em soluções práticas que tragam resiliência e produtividade para as culturas agrícolas e para a pecuária estadual. Entre os principais temas listados estão:
- Modificação genética de precisão;
- Desenvolvimento de bioinsumos e biodefensivos;
- Integração de dados agronômicos e genômicos;
- Sequenciamento e anotação de genomas;
- Bioinformática aplicada ao monitoramento agropecuário.
A tecnologia genômica permite, por exemplo, a criação de plantas mais resistentes a pragas e às variações climáticas severas, além de reduzir drasticamente os custos de produção ao otimizar o uso de insumos químicos. Para o secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Marcos Stamm, o Nexus se conecta diretamente à política estadual de transformação digital, incentivando o uso de inteligência artificial na solução de desafios do campo.
Qual é o cronograma de execução dos projetos selecionados?
O cronograma do programa Nexus estabelece etapas rigorosas de seleção e maturação das propostas. Após o encerramento do prazo de envio em julho, o governo realizará a divulgação das propostas habilitadas a partir de agosto de 2026. O processo de formação dos arranjos colaborativos entre empresas e startups ocorrerá ao longo dos meses seguintes, culminando no início das contratações efetivas previsto para agosto de 2027. O processo conta com a curadoria técnica do Hotmilk, ecossistema de inovação da PUCPR, e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
Além do agronegócio, o Governo do Paraná planeja expandir o modelo do Nexus para outros setores estratégicos no futuro. Áreas como saúde e biotecnologia — com foco em medicina de precisão e fármacos —, energias renováveis, economia circular, indústria 4.0 e cidades inteligentes estão no radar para receberem editais semelhantes. A intenção é que o ecossistema de inovação paranaense se torne um polo nacional de transformação de conhecimento científico em produtos e serviços de alto valor agregado.