O Governo do Pará, por meio de uma estratégia coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), alcançou a marca de 6,7 toneladas de entorpecentes apreendidos em suas hidrovias entre os anos de 2022 e 2026. A iniciativa baseia-se na implementação de bases fluviais estratégicas que intensificam a fiscalização e o combate ao tráfico de drogas, ao porte ilegal de armas e aos crimes ambientais, garantindo maior proteção às comunidades ribeirinhas que dependem dos rios para subsistência e deslocamento.
De acordo com informações da Agência Pará, o sistema de segurança estadual conta atualmente com três unidades operacionais de grande porte: a Base Antônio Lemos, situada em Breves, no Marajó; a Base Candiru, em Óbidos; e a Base Baixo Tocantins, em Abaetetuba. Estas estruturas funcionam como pontos de apoio permanente para as forças policiais, permitindo uma resposta rápida e integrada diante de atividades suspeitas em rotas fluviais históricamente utilizadas pelo crime organizado.
Como as bases fluviais operam na segurança do estado do Pará?
As bases fluviais funcionam como quartéis flutuantes que integram diferentes órgãos de segurança, como as Polícias Civil e Militar, além de equipes de fiscalização ambiental. A presença contínua nestes locais permite um monitoramento persistente das embarcações que trafegam pelas calhas dos rios Amazonas, Tocantins e pelos furos do Marajó. Desde a inauguração da primeira unidade, o volume de apreensões demonstra a eficácia do modelo de integração em áreas de difícil acesso geográfico.
Os dados consolidados pela Segup entre 2022 e 2026 revelam o impacto direto dessas operações na desarticulação de esquemas ilícitos. Além das substâncias ilícitas retiradas de circulação, as equipes registraram números significativos de apreensões de recursos naturais e armamentos. Os principais itens apreendidos no período incluem:
- 6.731,21 quilos de drogas diversas;
- 42.492 quilos de pescado capturado de forma irregular;
- 78 armas de fogo retiradas das mãos de suspeitos;
- Milhares de metros cúbicos de madeira sem origem comprovada.
Quais foram os resultados alcançados no primeiro trimestre de 2026?
A expansão da rede de segurança, com a entrega da Base Baixo Tocantins em março de 2026, já apresenta reflexos imediatos nas estatísticas criminais. Apenas nos três primeiros meses deste ano, as operações resultaram na apreensão de 163,6 quilos de entorpecentes e mais de seis mil quilos de pescado ilegal. O patrulhamento ostensivo realizou a abordagem de 31.318 pessoas e 479 embarcações, reforçando a soberania do estado sobre o território hidroviário.
Durante visita técnica à Base Fluvial Antônio Lemos na última quarta-feira, 15, a governadora Hana Ghassan destacou o pioneirismo do projeto. Em suas palavras, a integração é a chave para superar os desafios logísticos da Amazônia:
O Pará é pioneiro ao implementar esse modelo de integração na segurança fluvial, uma iniciativa única no Brasil que já apresenta resultados extremamente positivos. Gostaria de enaltecer o empenho diário de nossas forças de segurança, que enfrentam os desafios de nossa vasta geografia para levar mais paz social aos paraenses.
Qual é a estratégia da Segup para o combate ao crime organizado?
Para o secretário de Segurança Pública do Pará, Ed-Lin Anselmo, a manutenção das bases fluviais é uma resposta estratégica indispensável diante da vasta malha hidrográfica paraense. Ele ressalta que as rotas fluviais são frequentemente visadas para o transporte de cargas proibidas devido à complexidade de fiscalização. Com a presença fixa das tropas, o Estado consegue interceptar carregamentos e identificar suspeitos de crimes que anteriormente passavam despercebidos.
Além do combate ao tráfico, a atuação se estende à proteção da fauna. No primeiro trimestre de 2026, seis operações específicas levaram à apreensão de 147 animais silvestres e resultaram em nove prisões. A meta do governo estadual é continuar investindo em inteligência e tecnologia embarcada para garantir que a segurança pública alcance os pontos mais remotos das regiões ribeirinhas, consolidando uma barreira contra o crime organizado em toda a Amazônia Oriental.