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Palantir publica manifesto e critica inclusividade e culturas “regressivas”

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A Palantir, empresa de vigilância e análise de dados, publicou recentemente um texto com 22 pontos que descreve como um resumo breve do livro The Technological Republic, escrito pelo CEO Alex Karp e por Nicholas Zamiska. O material foi divulgado no sábado e reúne posições da companhia sobre tecnologia, defesa, segurança e cultura, incluindo críticas à inclusividade e ao que chama de culturas “regressivas” e “nocivas”. De acordo com informações do TechCrunch, a publicação ocorre em meio ao aumento do escrutínio sobre a atuação ideológica da empresa e seus contratos com órgãos governamentais.

Segundo a reportagem, o livro foi publicado no ano passado e é descrito por seus autores como o início da formulação da teoria por trás do trabalho da Palantir. O novo texto, no entanto, não entra diretamente em controvérsias recentes envolvendo a companhia. Em vez disso, afirma que o Vale do Silício teria uma dívida moral com o país que possibilitou sua ascensão e sustenta que “e-mail gratuito não é suficiente” como contribuição da indústria de tecnologia.

O que diz o manifesto publicado pela Palantir?

O conteúdo divulgado pela empresa aborda temas amplos e faz uma defesa do uso estratégico da tecnologia em favor da segurança e do poder estatal. Em um dos trechos, a companhia afirma:

“The question is not whether A.I. weapons will be built; it is who will build them and for what purpose.”

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No mesmo argumento, a Palantir acrescenta:

“Our adversaries will not pause to indulge in theatrical debates about the merits of developing technologies with critical military and national security applications. They will proceed.”

A publicação também sustenta que a era atômica estaria terminando, enquanto uma nova fase de dissuasão baseada em inteligência artificial estaria prestes a começar. Em outro ponto, o texto critica o que chama de “tentação superficial de um pluralismo vazio e oco”, afirmando que a devoção cega ao pluralismo e à inclusividade encobriria o fato de que algumas culturas e subculturas teriam produzido grandes realizações, enquanto outras seriam medianas ou prejudiciais.

Por que a publicação gerou reação?

A repercussão ocorre porque a orientação ideológica da Palantir já vinha sendo observada com mais atenção. O TechCrunch lembra que figuras da indústria de tecnologia têm debatido o trabalho da empresa com o Immigration and Customs Enforcement, o ICE, e que a companhia tem se posicionado como uma organização voltada à defesa do “Ocidente”.

Além disso, democratas no Congresso dos Estados Unidos enviaram recentemente uma carta ao ICE e ao Departamento de Segurança Interna pedindo mais informações sobre como ferramentas construídas pela Palantir e por outras empresas de vigilância estariam sendo usadas na estratégia agressiva de deportação do governo Trump, segundo a reportagem.

  • O texto da empresa resume ideias do livro de Alex Karp e Nicholas Zamiska.
  • A publicação defende tecnologia voltada a segurança nacional e aplicações militares.
  • O manifesto critica pluralismo, inclusividade e pacifismo em países como Alemanha e Japão.
  • A repercussão se soma ao debate sobre contratos da Palantir com agências governamentais.

Quais foram as principais críticas à posição da empresa?

Entre as reações citadas está a de Eliot Higgins, CEO do site de investigação Bellingcat. Após a publicação, Higgins ironizou o fato de uma empresa divulgar esse tipo de posicionamento em um comunicado público. Depois, argumentou que o texto vai além de uma simples defesa do Ocidente.

“It’s also worth being clear about who’s doing the arguing,” Higgins wrote. “Palantir sells operational software to defense, intelligence, immigration & police agencies. These 22 points aren’t philosophy floating in space, they’re the public ideology of a company whose revenue depends on the politics it’s advocating.”

Na avaliação de Higgins, mencionada pelo TechCrunch, a manifestação da empresa atinge pilares centrais da democracia que, segundo ele, precisam ser reconstruídos: verificação, deliberação e responsabilização. A crítica reforça a leitura de que o posicionamento público da Palantir não é apenas conceitual, mas está ligado ao tipo de atividade comercial que a companhia mantém com áreas como defesa, inteligência, imigração e polícia.

Assim, a publicação do manifesto amplia um debate que já cercava a empresa: o de como companhias de tecnologia que fornecem ferramentas para governos e forças de segurança articulam publicamente suas visões sobre poder, segurança, inteligência artificial e valores democráticos.

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