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Países do Golfo pressionam Trump a manter guerra contra o Irã, diz AP

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Líderes de países do Golfo em reunião diplomática formal, com bandeiras ao fundo, discutindo estratégias geopolíticas.
Foto: Michael Vadon / flickr (by-sa)

Países do Golfo Pérsico têm incentivado, em conversas privadas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a manter a guerra contra o Irã até que o regime iraniano seja definitivamente derrotado, segundo revelou a Associated Press nesta terça-feira, 31 de março de 2026. A articulação, de acordo com o relato reproduzido pela imprensa, envolve sobretudo Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, em meio ao conflito travado por EUA e Israel contra Teerã há mais de um mês. De acordo com informações do G1 Mundo, com base em apuração da AP, esses países avaliam que o regime iraniano ainda não foi suficientemente enfraquecido.

Para o Brasil, uma escalada no Oriente Médio tem potencial de afetar o mercado internacional de petróleo e, consequentemente, os preços dos combustíveis, além de impor desafios diplomáticos em fóruns multilaterais. A região do Golfo concentra parte relevante da produção global de energia e é estratégica para o transporte marítimo de petróleo.

Segundo a agência, líderes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait e do Bahrein disseram aos EUA que não querem o fim do conflito antes de mudanças significativas na liderança iraniana ou de uma transformação drástica no comportamento do país. As informações foram atribuídas a fontes de países do Golfo, dos EUA e de Israel ouvidas sob anonimato. A movimentação consolidaria uma mudança de postura dessas nações ao longo da guerra: no início, houve críticas a Washington pela falta de aviso prévio sobre os ataques; agora, o momento é visto por parte desse grupo como uma oportunidade de enfraquecer de vez o regime dos aiatolás.

Quais países lideram a pressão por continuidade da guerra?

A reportagem aponta que a investida é liderada por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Embora exista apoio geral às ações dos EUA contra o Irã, a AP relata divisões internas entre os países do Golfo. Um diplomata ouvido pela agência afirmou que sauditas e emiradenses encabeçam os pedidos por maior pressão militar sobre Teerã.

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Ao mesmo tempo, Omã e Catar, tradicionalmente posicionados como mediadores entre o Irã e o Ocidente, defendem uma saída diplomática. Já os Emirados Árabes Unidos adotariam a linha mais dura, com pressão por uma invasão terrestre, segundo um diplomata citado pela AP. Kuwait e Bahrein também apoiariam essa possibilidade.

O que explicaria a mudança de postura dos países do Golfo?

De acordo com o texto, esses países passaram a considerar que encerrar a guerra agora não produziria um acordo capaz de atender às exigências de segurança da região. A avaliação saudita, segundo a reportagem, é que um acordo final teria de neutralizar o programa nuclear iraniano, destruir sua capacidade de mísseis balísticos, encerrar o apoio a grupos aliados e impedir novo fechamento do Estreito de Ormuz.

Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo mundial passava pelo estreito, segundo o artigo original. O Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o escoamento de petróleo. A conclusão atribuída aos sauditas é que, para atingir esses objetivos, seria necessária uma mudança profunda no regime iraniano ou mesmo sua remoção. O texto também informa que os Emirados Árabes Unidos já sofreram mais de 2.300 ataques com mísseis e drones iranianos, o que teria ampliado a irritação com a continuidade do conflito e seus efeitos sobre a imagem do país como centro de comércio e turismo.

Há possibilidade de entrada direta desses países no conflito?

Segundo a Bloomberg, citada no material original, países do Golfo consideram entrar no conflito contra o Irã. A hipótese ganharia força se Teerã atacar infraestruturas consideradas vitais, como instalações energéticas e usinas de dessalinização de água. O Irã, ainda de acordo com a reportagem, advertiu que poderá atingir estruturas críticas de países vizinhos caso os EUA intensifiquem os bombardeios.

A AP afirma, porém, que Trump ainda não pediu participação direta dessas nações em operações ofensivas. Um dos motivos apontados seria evitar complicações militares adicionais no espaço aéreo regional. Nos primeiros dias da guerra, três caças americanos foram derrubados por engano por fogo aliado do Kuwait, e todos os tripulantes sobreviveram. Além disso, seis militares dos EUA morreram em 12 de março de 2026 na queda de um avião-tanque no Iraque.

  • Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos lideram a pressão por maior ação militar.
  • Omã e Catar defendem solução diplomática.
  • Kuwait e Bahrein aparecem entre os países favoráveis a uma linha mais dura.
  • Infraestrutura energética e usinas de dessalinização são citadas como alvos sensíveis.

Como Trump tem se posicionado diante dessa pressão?

A reportagem descreve uma posição oscilante do presidente dos EUA. Em alguns momentos, Trump afirma que a liderança iraniana estaria pronta para encerrar o conflito; em outros, ameaça ampliar a ofensiva caso não haja acordo em breve. A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, disse na segunda-feira, 30 de março de 2026, que Trump quer que os países do Golfo ajudem os EUA a pagar os custos da guerra.

O texto também menciona que o Wall Street Journal revelou que Trump avalia terminar a guerra mesmo com o Estreito de Ormuz ainda fechado. Em sentido oposto, o presidente disse nos últimos dias que “obliterará” infraestrutura vital do Irã e a ilha de Kharg se não houver acordo, além de acumular tropas no Oriente Médio para uma eventual invasão terrestre.

“A ausência de um objetivo claro e de confiança de que os EUA levarão a guerra até o fim torna alguns países relutantes”

“Mas um grande ataque com muitas vítimas poderia levá-los a entrar diretamente no conflito.”

A declaração, atribuída a uma analista no texto original, resume a incerteza que ainda cerca o comportamento dos países do Golfo. Embora parte deles pressione por uma derrota definitiva do Irã, a entrada direta na guerra continua condicionada ao rumo das operações militares e ao risco de ataques contra seus próprios territórios e infraestrutura.

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