Padre José Eduardo de Oliveira e Silva, sacerdote da Diocese de Osasco, reagiu nas redes sociais após ser comparado a Frei Gilson em uma publicação sobre a relação de religiosos católicos com o bolsonarismo. Indiciado pela Polícia Federal na investigação sobre a tentativa de golpe de 2022, ele afirmou que não é “bolsonarista raiz”, disse que nunca atuou em política partidária e declarou que seus contatos com o ex-presidente Jair Bolsonaro ocorreram, segundo ele, apenas para atendimento espiritual. De acordo com informações da Revista Fórum, a manifestação ocorreu depois de uma publicação nas redes feita por Roque Citadini.
A reação do padre veio após um post de Roque Citadini, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que mencionou Frei Gilson e afirmou que o caso de José Eduardo seria diferente. Na publicação, Citadini escreveu que o sacerdote teria “sólida formação religiosa”, seria “bolsonarista raiz” e teria estado próximo das “tramas do golpe fracassado de 2022”.
O que disse o padre José Eduardo na resposta?
Em sua resposta, José Eduardo afirmou que Citadini fez “afirmações graves” e sustentou que elas não poderiam ser demonstradas. O religioso também negou envolvimento partidário e procurou afastar a classificação de bolsonarista.
“Acusa-me de ‘bolsonarista raiz’, quando eu nunca me meti em política partidária”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
O sacerdote declarou ainda que não existiria “sequer uma fala” sua de atuação partidária. Sobre os contatos com Bolsonaro, afirmou que ocorreram “a pedido”, antes da eleição e no fim do mandato presidencial, e que tinham finalidade exclusivamente religiosa.
“O fiz exclusivamente para atendimento espiritual”
Por que o nome do padre aparece na investigação da PF?
Segundo o relatório final da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe de Estado, padre José Eduardo foi apontado como integrante do chamado núcleo jurídico da trama investigada. De acordo com a corporação, esse grupo teria atuado no assessoramento e na elaboração de minutas de decretos que buscavam dar aparência jurídica a medidas de interesse golpista.
O relatório da PF levou ao indiciamento de 37 pessoas, entre elas Jair Bolsonaro, militares, ex-ministros e civis. Embora tenha sido indiciado pela polícia, o sacerdote não foi incluído na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro e aliados.
- A PF aponta o padre no núcleo jurídico da investigação
- O relatório menciona assessoramento e elaboração de minutas
- O indiciamento alcançou 37 pessoas
- A PGR não denunciou o sacerdote ao STF
Como a comparação com Frei Gilson voltou ao debate?
A comparação reacendeu um ponto já citado no relatório da Polícia Federal. A investigação menciona uma mensagem atribuída a padre José Eduardo enviada a um contato salvo como “Frei Gilson”. Segundo a PF, nessa mensagem o padre pedia orações pelo então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e por generais quatro estrelas.
Conforme descrito no relatório, a mensagem defendia que Deus desse aos militares “coragem de salvar o Brasil”. A Polícia Federal tratou esse episódio como parte da disseminação da ideia de uma intervenção das Forças Armadas para impedir a posse do governo eleito em 2022. O caso passou a ser citado publicamente como a chamada “oração do golpe”.
Qual é a situação do caso neste momento?
Até o momento, o padre segue citado no relatório final da PF, mas sem denúncia da PGR no processo levado ao STF. A manifestação recente nas redes recolocou seu nome no debate público sobre a presença de lideranças religiosas no entorno político do bolsonarismo e sobre a atuação de religiosos mencionados na apuração da tentativa de ruptura institucional após a eleição de 2022.
Ao responder às críticas, José Eduardo reiterou a versão de que suas viagens a Brasília e conversas com autoridades tiveram caráter religioso. Essa mesma linha já havia sido defendida anteriormente por sua defesa, segundo o texto original, ao sustentar que os contatos do sacerdote com autoridades ocorreram como aconselhamento espiritual.