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Sinfônica da Paraíba abre temporada 2026 com tributo a Sivuca em Itabaiana

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A detailed view of Beethoven's Violin Concerto sheet music, showcasing musical notes and dynamics.
A detailed view of Beethoven's Violin Concerto sheet music, showcasing musical notes and dynamics. Foto: Kristina Ohrband — Pexels License (livre para uso)

A Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) inicia sua temporada oficial de 2026 na próxima quinta-feira, 9 de abril, com um concerto especial em Itabaiana, município localizado no Agreste paraibano. O evento, que marca a estreia da Série Sivuca, ocorre às 19h30 na Paróquia Nossa Senhora da Conceição. Sob a regência do maestro Gustavo de Paco de Gea, a apresentação homenageia o compositor paraibano em sua terra natal e conta com a participação do solista Lucas Carvalho na sanfona. A iniciativa busca descentralizar o acesso à música erudita e popular, levando o repertório sinfônico para além das salas de concerto tradicionais.

De acordo com informações do Governo da Paraíba, a entrada para o espetáculo é gratuita, realizada em parceria com a prefeitura local. O programa selecionado para a noite é eclético, unindo o erudito europeu a temas do cinema e clássicos da música regional brasileira. A abertura será realizada com a peça “Chacony em Sol menor”, de Henry Purcell, seguida pelo prelúdio da “Bachiana Brasileira nº 4”, do renomado compositor Heitor Villa-Lobos.

Como o repertório do concerto em Itabaiana foi estruturado?

O maestro Paco de Gea destaca que a escolha de Itabaiana para o início da temporada é um fato emblemático e inédito na trajetória da orquestra. Além das peças barrocas e modernas, o programa inclui obras do movimento armorial, como “No Reino da Pedra Verde”, de Clóvis Pereira, e “Gavião”, de Cussy de Almeida. O público também poderá apreciar temas icônicos do cinema italiano, como as trilhas de “Cinema Paradiso”, de Ennio Morricone, e “O Poderoso Chefão”, de Nino Rota. A parte final da apresentação é inteiramente dedicada ao mestre Sivuca, com as canções “Aquariana”, “Rapsódia Gonzaguiana” e a célebre “Feira de Mangaio”.

A Série Sivuca é uma das três vertentes que comporão a temporada deste ano da OSPB, ao lado das séries Eleazar de Carvalho e Glauco Andreza. Segundo o regente, a execução de obras de Villa-Lobos e Purcell em uma igreja é ideal devido à acústica e ao caráter solene das composições. A transição para os sopros e elementos armoriais permite que a orquestra explore sonoridades que remetem ao clima árido do sertão e à riqueza cultural do Nordeste, estabelecendo um diálogo direto com a identidade local.

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Quem são os protagonistas desta apresentação da OSPB?

O maestro Gustavo de Paco de Gea é o regente titular e possui uma longa trajetória na promoção da música na Paraíba desde a década de 1980. Natural de Buenos Aires, Paco de Gea é professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e atua como primeiro flautista da orquestra há décadas. Já o solista Lucas Carvalho é sanfoneiro e pesquisador da obra de Sivuca, atuando inclusive na organização do acervo pessoal do artista. Para Carvalho, tocar em Itabaiana representa uma entrega sensível ao legado do “Poeta do Som”, em um local que guarda as raízes da sonoridade de Severino Dias de Oliveira.

Lucas Carvalho iniciou seus estudos musicais aos 12 anos e possui formação técnica e acadêmica voltada ao acordeom. Sua pesquisa em etnomusicologia na UFPB foca justamente na representatividade artística de Sivuca na década de 1950. O solista já acompanhou diversos nomes da música brasileira e, desde 2013, trabalha para manter viva a obra do mestre paraibano por meio do Memorial Sivuca, em parceria com a compositora Glória Gadelha, viúva de Sivuca.

Quais são as principais obras de Sivuca presentes no programa?

A seleção final destaca a versatilidade de Sivuca como compositor sinfônico e ícone popular. As peças que encerram o concerto são fundamentais para entender a trajetória do artista:

  • Aquariana: Obra composta em João Pessoa no ano de 2004, dedicada à sua esposa, Glória Gadelha.
  • Rapsódia Gonzaguiana: Uma complexa homenagem de Sivuca a Luiz Gonzaga, reunindo diversos temas do Rei do Baião.
  • Feira de Mangaio: Talvez a composição mais famosa do autor, escrita em parceria com Glória Gadelha e imortalizada na voz de Clara Nunes.

“Para mim, estar novamente junto à OSPB, com regência do maestro Paco, é de tamanha força, emoção e gratidão. O que potencializa esses sentimentos é o fato de ainda estar na cidade de Itabaiana, berço do meu mestre sanfoneiro”, declarou Lucas Carvalho.

O regente reforça que a execução de “Feira de Mangaio” fecha o concerto de forma brilhante, celebrando uma obra que faz parte indissociável da história da música da Paraíba.

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