
A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) realizou, nesta terça-feira, 31 de março de 2026, uma operação integrada para combater o abate clandestino e irregularidades sanitárias no município de Paragominas, localizado no sudeste paraense. A ação resultou na interdição de quatro estabelecimentos que operavam sem as devidas licenças e na inutilização de produtos de origem animal considerados impróprios para o consumo humano, garantindo a segurança alimentar da região.
De acordo com informações da Agência Pará, a força-tarefa foi coordenada pelo Grupo Agropecuário Técnico Tático e Operacional (Gatto), da Adepará. O trabalho conjunto contou com o suporte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), da Secretaria de Urbanismo (Semur), da Vigilância Sanitária e da Polícia Civil, visando coibir práticas ilegais que colocam em risco a saúde da população e prejudicam a economia local. A Adepará é o órgão estadual responsável pela defesa agropecuária no Pará, incluindo a fiscalização sanitária de produtos de origem animal.
Como ocorreu a fiscalização nos abatedouros urbanos?
As atividades de inspeção começaram nas primeiras horas do dia com foco em denúncias de irregularidades. No bairro Promissão, em plena área urbana de Paragominas, os agentes identificaram um abatedouro ilegal de suínos. No local, quatro animais vivos foram encontrados em condições precárias de manutenção. A equipe técnica relatou a ausência total de padrões de higiene, com o cozimento de vísceras realizado de forma irregular e o armazenamento de carcaças em freezers domésticos sem controle de temperatura.
Diante do cenário de insalubridade, o estabelecimento foi imediatamente interditado pelas autoridades. A manipulação de carne em ambientes urbanos sem a devida infraestrutura sanitária é proibida pela legislação estadual, uma vez que favorece a proliferação de bactérias e a transmissão de zoonoses aos consumidores finais. O local não apresentava as condições mínimas exigidas para o manejo de proteína animal.
Quais irregularidades foram encontradas na zona rural?
A operação também se estendeu para a zona rural do município, onde uma propriedade foi flagrada com uma estrutura clandestina de abate sistemático. Os fiscais encontraram diversas carcaças sem identificação ou selo de inspeção oficial, além de ossadas e couros de animais espalhados pelo terreno. Toda a carne estocada no local foi apreendida e inutilizada imediatamente, seguindo os protocolos de descarte de produtos de risco biológico e sanitário.
Embora o imóvel possuísse cadastro para a criação de bovinos e equídeos, não detinha autorização legal para realizar o abate ou o processamento de carne para fins comerciais. Por essa razão, as áreas destinadas à manipulação dos animais foram totalmente interditadas. Os responsáveis pelas atividades foram detidos e encaminhados para a delegacia para prestar esclarecimentos sobre a origem e o destino da produção ilegal, respondendo na condição de suspeitos por crimes contra as relações de consumo.
Qual é o impacto do abate clandestino para a saúde pública?
O coordenador do Gatto, Gustavo Amaral, ressaltou que o combate a essas práticas é essencial para proteger tanto o consumidor quanto o produtor que atua dentro da lei. A falta de fiscalização veterinária pode permitir que carnes contaminadas cheguem à mesa dos cidadãos, causando surtos de intoxicação alimentar e outros problemas de saúde pública. Em suas palavras:
O abate clandestino coloca em risco a saúde da população e prejudica produtores que atuam dentro da legalidade.
Segundo o gerente de fiscalização do trânsito agropecuário da Adepará, Paulo Bastos, a atuação firme do Estado é necessária para manter os índices de sanidade animal e a qualidade dos produtos paraenses. Os materiais apreendidos, incluindo equipamentos utilizados no abate irregular, foram entregues à Delegacia de Polícia Civil de Paragominas como parte do inquérito instaurado. As autoridades reforçam a importância de adquirir produtos que possuam os selos de inspeção municipal, estadual ou federal. No Brasil, esses selos indicam que o produto passou por algum nível de fiscalização sanitária oficial.
- Interdição de quatro estabelecimentos clandestinos em áreas urbana e rural;
- Apreensão e destruição de carnes e vísceras sem controle sanitário;
- Condução de suspeitos à Delegacia de Polícia Civil de Paragominas;
- Identificação de abates de suínos e bovinos sem selo de inspeção;
- Inutilização de equipamentos de refrigeração doméstica usados ilegalmente.
Para manter a eficácia das fiscalizações, a Adepará disponibiliza canais oficiais para denúncias anônimas. A população pode colaborar entrando em contato com as unidades locais da agência ou utilizando o serviço de Ouvidoria pelo número de WhatsApp (91) 99392-4720. O monitoramento contínuo visa assegurar que o agronegócio paraense mantenha sua competitividade e segurança.