O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou neste sábado, 18 de abril de 2026, em Barcelona, na Espanha, que a ONU está “ineficaz” porque integrantes do Conselho de Segurança violam leis e direitos internacionais. A declaração foi feita durante o Global Progressive Mobilisation (GPM), em um discurso no qual o líder sul-africano defendeu mudanças na governança global e a ampliação da representação permanente no principal órgão de segurança da organização. De acordo com informações da Revista Fórum, Ramaphosa também relacionou a reforma da ONU à necessidade de tornar o sistema internacional mais coerente com a realidade geopolítica do século XXI.
Na avaliação do presidente sul-africano, a estrutura herdada do pós-Segunda Guerra Mundial já não responde de forma adequada aos impasses atuais. Ao criticar o funcionamento da ONU, ele atribuiu a perda de eficácia da entidade ao comportamento de países que, embora ocupem posições centrais no Conselho de Segurança, descumpririam as normas que deveriam preservar. A fala ocorreu em meio a debates sobre democracia, multilateralismo e desigualdade internacional.
Por que Ramaphosa disse que a ONU está ineficaz?
Segundo o relato do evento, Ramaphosa sustentou que a ineficácia da ONU decorre do fato de que membros do próprio Conselho de Segurança estariam violando o direito internacional. Em sua intervenção, ele fez uma crítica direta ao desequilíbrio entre a função institucional do órgão e a prática de potências com assento permanente e poder de veto.
“As leis que definem as relações internacionais estão sendo violadas, as instituições estão sendo minadas, a ONU está ineficaz porque os membros do Conselho de Segurança são os que violam leis e direitos”.
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A declaração reforça o argumento de que o sistema multilateral perde legitimidade quando seus principais atores não observam as regras que defendem. Para Ramaphosa, esse quadro compromete a capacidade de mediação e decisão da organização em momentos de crise.
Que reforma do Conselho de Segurança foi defendida?
O presidente da África do Sul afirmou que a reforma da ONU é urgente e que deve incluir novos assentos permanentes no Conselho de Segurança. Ele mencionou, de forma específica, a necessidade de representação para a África, para a Índia e para a América do Sul, citando o Brasil como nome natural desse processo.
- Inclusão permanente de representantes da África
- Ampliação da presença da Índia
- Representação permanente da América do Sul
- Citação do Brasil como candidato natural
Para o líder sul-africano, a configuração atual mantém um desequilíbrio de poder incompatível com a realidade contemporânea. O entendimento apresentado no evento é o de que a reforma institucional seria condição para evitar que a ONU se torne, de forma permanente, incapaz de responder aos conflitos e disputas globais.
Quais outras instituições internacionais foram citadas?
Além da ONU, Ramaphosa afirmou que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional precisam de reformulação profunda. Segundo o presidente, essas instituições deveriam deixar de servir majoritariamente aos interesses ocidentais e passar a atuar em favor de um desenvolvimento mais equitativo para os países do Sul Global.
A crítica amplia o alcance do discurso para além da diplomacia e do campo da segurança internacional. Na fala, a reforma do multilateralismo foi apresentada como um processo que também envolve a revisão da arquitetura financeira internacional, considerada por ele desatualizada diante das desigualdades entre países ricos e em desenvolvimento.
O que Ramaphosa disse sobre Gaza e a África do Sul?
Durante sua participação em Barcelona, Ramaphosa também reafirmou a decisão da África do Sul de denunciar Israel perante o Tribunal Penal Internacional por crimes de genocídio na Faixa de Gaza, conforme o texto original. Ao defender a posição diplomática de seu país, ele respondeu a críticas internacionais com uma referência direta à postura adotada por Pretória.
“A África do Sul não foi louca”.
Horas antes, no Fórum Democracia Sempre, integrado à programação na Fira Barcelona, o presidente voltou a relacionar democracia, igualdade e justiça social à experiência histórica sul-africana. Ele lembrou o legado do apartheid e reconheceu a persistência da desigualdade no país.
“Se quisermos construir a democracia, fortalecer a democracia em todo o mundo, se quisermos capacitar as pessoas para assumirem o controle de suas vidas, é essencial que intensifiquemos a luta pela igualdade e justiça social”.
Ao final, a passagem de Ramaphosa por Barcelona consolidou a defesa de uma reforma das instituições internacionais com maior inclusão regional e compromisso com o direito internacional. A mensagem central de seu discurso foi a de que a estabilidade global depende menos da concentração de poder e mais da ampliação de representatividade e do cumprimento das normas internacionais.