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Oi avalia venda total de ativos e avança na estruturação da Oi Soluções

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A administração judicial da Oi informou nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, que defende um modelo de liquidação ordenada de ativos para tentar quitar passivos e manter a continuidade das operações remanescentes da companhia. O posicionamento aparece no relatório de gestão apresentado à juíza Simone Chevrand, com destaque para o avanço na estruturação da venda da Oi Soluções, ativo que teria potencial estimado em R$ 1,42 bilhão. De acordo com informações do Teletime, o administrador judicial também quer preservar a suspensão das obrigações extraconcursais durante esse processo.

O relatório foi entregue por Bruno Rezende e sustenta que a venda dos ativos, combinada com a manutenção das condições atuais da recuperação, pode ser uma alternativa para reduzir a deterioração dos indicadores patrimoniais, operacionais e de solvência da empresa. No documento, a gestão judicial argumenta que esse caminho pode atender credores e, ao mesmo tempo, preservar a prestação dos serviços públicos essenciais que ainda permanecem sob responsabilidade da operadora.

O que diz o relatório sobre a estratégia da Oi?

No texto, Bruno Rezende afirma que a liquidação ordenada dos ativos pode ser um instrumento mais eficiente para enfrentar a situação financeira da companhia. O relatório também sustenta que a quitação de passivos, inclusive trabalhistas, poderia ocorrer dentro desse modelo, sem que haja, neste momento, uma defesa explícita da decretação de falência.

“Entende a Gestão Judicial que a manutenção de um modelo de trabalho que efetive a liquidação dos ativos, possibilitando a quitação do passivo, exemplificativamente, o trabalhista, pode garantir não só a quitação dos credores, como também as operações e a continuidade da prestação dos serviços públicos essenciais remanescentes”

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Segundo a reportagem original, o documento não detalha medidas específicas para redimensionar a estrutura operacional da companhia, como redução do quadro de funcionários ou plano de demissão voluntária. Por isso, a leitura apresentada é que a referência ao passivo trabalhista trata de dívidas acumuladas, sem esclarecer o impacto sobre os cerca de 1,6 mil empregados atuais em um eventual cenário de falência.

Como está estruturada a possível venda da Oi Soluções?

O relatório aponta que uma das prioridades da administração judicial é gerar liquidez com os ativos ainda mantidos pela empresa. Nesse contexto, a venda da Oi Soluções aparece como uma frente em estágio intermediário de execução, por meio da criação de uma UPI. A estimativa informada é de arrecadação de R$ 1,42 bilhão com os contratos e negócios B2B do grupo, voltados a conectividade, serviços digitais e tecnologia da informação para clientes corporativos.

O ativo inclui base de clientes, contratos públicos e privados, estrutura operacional, receitas, custos, fornecedores e outros elementos econômicos associados à operação. O processo de avaliação está sendo conduzido pela G5 Partners. No relatório, o administrador afirma ainda que grandes empresas já manifestaram interesse nesses ativos, sem citar nomes.

“Deve-se registrar, por oportuno, que a partir das diligências adotadas pela Gestão Judicial, grandes empresas já manifestaram interesse nos ativos, o que demonstra o grande potencial de êxito da estruturação elaborada pela Gestão Judicial”

Quais outros ativos e medidas podem reforçar o caixa?

Além da Oi Soluções, a companhia ainda espera concluir outras frentes para obter recursos. Entre elas, estão a venda da unidade do Timor-Leste, estimada em US$ 77 milhões, e a venda de imóveis, com potencial de R$ 5,8 bilhões. O relatório também menciona tentativas de renegociação tributária e ajustes contábeis ligados à Fundação Atlântico.

  • US$ 77 milhões com a venda da operação no Timor-Leste
  • R$ 5,8 bilhões com imóveis
  • R$ 2,4 bilhões em possível abatimento no passivo tributário junto à PGFN
  • R$ 364 milhões em superávit da Fundação Atlântico para saldar dívidas da Oi com a entidade
  • R$ 23 milhões com revisão das condições de venda da rede de cobre
  • Mais de R$ 54 milhões com levantamento de depósitos trabalhistas, podendo chegar a R$ 2 bilhões a depender do processamento dos pedidos
  • R$ 49 milhões em contratos em inadimplência com diferentes estados
  • R$ 20 milhões junto a Claro e TIM

De acordo com a administração judicial, esse conjunto de medidas pode gerar entre R$ 672 milhões e R$ 2,3 bilhões para o caixa da companhia.

Por que a situação financeira da empresa segue crítica?

Apesar das iniciativas listadas, os números apresentados no relatório indicam forte pressão financeira. A dívida total da Oi está em R$ 42 bilhões, sendo R$ 8,1 bilhões com vencimento até dezembro de 2027, R$ 5,7 bilhões até dezembro de 2028 e R$ 28,2 bilhões a partir de 2029. A receita líquida mensal é de R$ 85 milhões, enquanto os prejuízos operacionais mensais superam R$ 7 milhões.

O caixa atual é de R$ 101 milhões, já considerado o saque de R$ 517 milhões junto às garantias com a Anatel. Ainda assim, a projeção é de que esse saldo caia para apenas R$ 30 milhões em setembro, dependendo da entrada de recursos da venda da V.tal e da UPI Serviços Telefônicos. O relatório afirma que, mesmo com redução de custos, racionalização operacional e suspensão das obrigações extraconcursais, a necessidade de reforço de liquidez continua recorrente.

O que mudaria em um cenário de falência?

O administrador judicial indica preferência por manter o modelo de liquidação de ativos dentro da recuperação, e não migrar para a falência. Segundo ele, em caso de falência, as condições atuais do passivo deixariam de valer, com restauração dos direitos e garantias dos credores nas condições originalmente contratadas, descontados os valores eventualmente pagos e preservados os atos já validados no processo de recuperação judicial.

Na prática, conforme relata a reportagem, a falência colocaria os credores em outra ordem de tratamento, com prioridade para créditos trabalhistas e tributários. Já no modelo atual, permanece a lógica definida no Plano de Recuperação Judicial. O relatório, portanto, sugere que a administração judicial vê mais viabilidade na continuidade da venda de ativos como tentativa de administrar o passivo e evitar uma ruptura imediata nas operações remanescentes.

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